quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

uma história como outra qualquer

Maria Eugénia, chamemos-lhe assim, para não termos que lhe dar outro nome, que este não é o seu, o do registo civil, tem agora 46 anos de idade. Teve o primeiro filho já tarde, numa época em que era habitual terem-se mais cedo, aos 26 anos. Casou com um rapaz licenciado, ou doutor, como lhes chamavam, àqueles que antes tinham o futuro garantido, e agora garantido só tem o desemprego. Sem outras palavras, sempre teve uma boa vida. Escolheu o rapaz certo, disseram-lhe os pais. E para os sogros ela era isso mesmo: a rapariga certa.
Feita que está a apresentação desta personagem, que aqui, nestas linha o é, nada mais que isso, continuemos com esta pequena narrativa. Depois do primeiro filho, mais três viriam. Dois rapazes e duas raparigas, no total. Encontrei-a há domingos atrás, toda aperaltada, devia ter saído da missa, com uns papéis na mão, facto que estranhei, mas a que não liguei importância. Chamando-me, fingi não ouvir. Insistiu, não quis ser rude. Fui ao seu encontro. Atacou cerce:
- Não quer assinar aqui? É para um movimento pelo Não... - Pelo Não?, pensei.
Como pelo não? - Fluiu-me o pensamento. Ora, é do conhecimento tácito daqueles que privam com ela, que abortou não uma, mas duas vezes. Ou as subitas férias a meio de Janeiro, que há cinco anos foi passar a Espanha, e a barriga subitamente menos farta com que regressou, foram para quê?
- Não, disse-lhe, não quero assinar; e nem que quisesse, pois já assinei por um movimento... Pelo Sim! - Olhou-me desanimada.
Despedimo-nos com um cumprimento seco.
Não haja ilusões, quem vota Não, não são tanto aqueles que não suportam a liberdade dos outros, são também aqueles que não convivem bem com a sua.
Ou a ida a Espanha foi a um nutricionista?

5 comentários:

  1. Pois é, por estas e por outras é que temos mesmo que não ficar em casa no dia 11.

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  2. Na minha opinião, a última interrogativa, um pouco chocarreira, «mata» o efeito geral da narrativa, que é excelente e nos diz quão ínvias podem ser certas consciências... Até o proselitismo serve para as aliviar...
    Dia 11? SIM!
    :-)

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  3. Ainda não me apercebi de nada nem de ninguém a obrigar-vos a coisa alguma. Ao contrário, não sei se poderei dizer a mesma coisa. Infelizmente, sei o país de hipócritas em que vivemos. E escusas de repetir o mesmo comentário com usernames diferentes. Isso já é SPAM, e eu apago o spam.

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