segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Segundo Soneto da Morte

Este longo cansaço irá ser grande um dia
e a alma dirá ao corpo que não quer
arrastar o seu peso ao longo desta via
por onde os homens vão, felizes por viver.

Sentirás que ao teu lado cavam brutalmente,
que outro hóspede chega à serena cidade.
Vou esperar que alguém me cubra completamente
e depois falaremos uma eternidade!

Só então saberás porque é que, ainda imaturo,
para as profundas fossas o teu corpo iria
aí dormir tranquilo, aí permanecer.

E então far-se-á luz no campanário escuro.
Saberás que entre nós sinais de astros havia
e que, quebrado o pacto, tinhas de morrer.


GABRIELA MISTRAL, Antologia Poética (Teorema)

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