segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

surgias e partias como um ténue sonho
um aroma uma brisa uma palavra alada
dizias palavras delicadas imperceptíveis
notas murmuradas como se contivessem
segredos bem guardados envergonhados
escondidos na algibeira vazia rasgada
onde guardavas a flauta e partias

ias e vinhas como as notas da tua flauta
tocando com ternura e delicadeza a melodia
com que me aconchegavas nas noites frias
soprando segredos que escorriam suaves
pelo meu rosto como gotas de orvalho
até que um dia não voltaste e aquela melodia
tornou-se numa memória triste que persiste



ias e vinhas até que um dia partiste
guardando para sempre a velha flauta
na algibeira vazia, apertaste o sobretudo
e partiste indiferente ao meu pedido:

– toca uma vez mais aquela melodia triste

da flauta saíam notas aladas que depois de tocadas
voltavam à pauta como se fossem segredos
eram palavras delicadas que eram murmuradas
enquanto trauteavas a tua melodia ao meu ouvido

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