quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O FIM DO MUNDO


Sabemos que vivemos no fim do mundo quando procuramos um livro em todas as livrarias da cidade e nenhuma tem um único exemplar. A vontade é partir. Porém, quando a consciência que temos de nós mesmos nos permite olhar para dentro com olhar isento, sabemos que esta angústia é interna, e que o fim do mundo está dentro de nós, e irá connosco para onde quer que vamos. As paisagens diferentes que a vida nos possa proporcionar poderão distrair-nos da paisagem interior, mas poderão modificá-la? Para sabermos temos que partir. Quando procuramos um livro em todas as livrarias da cidade e, não havendo um único exemplar em nenhuma, sentimos que vivemos no fim do mundo, temos que partir.

E afinal, qual é o livro? Nunca me Deixes, de Kazuo Ishiguro. A angústia deve ser do título...

sábado, 11 de setembro de 2010

tarde de mais.


Alguns vão a Fátima, outros a Meca, há-os que vão a Santiago de Compostela, outros vão aqui, à Nossa Senhora dos Remédios. Este ano a festa já acabou, para o ano há mais. E não se apoquentem, não me converti. A fotografia foi captada no longínquo dia 06 de Janeiro de 2000. É que já dizia Jean Giraudoux.

Quando damos por nós à espera da passagem das horas, envolvidos pelo tédio no seu limbo de marasmo e melancolia, a existência transforma-se num interminável e sorumbático suplício. A única esperança reside no súbito aparecimento de um dia melhor – firme ilusão com que subsistem os canalhas. Não surgirá melhor dia. Quando o presente não nos satisfaz, foi derrubada a barreira entre nós e o absurdo. Demo-nos conta do exílio a que nos encontramos condenados. Para os canalhas o futuro é a fuga ao absurdo. Mas como qualquer outra é uma ilusão também. E incapacitante. A esperança de que um dia melhor virá resgatar-nos do exílio, do absurdo, do presente, prende-nos ao que há, impedindo-nos de lutar contra essa angustiante alienação com a única arma de que dispomos: nós mesmos.

texto e fotografia de André Benjamim