segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

SILÊNCIO E DESENCANTO*

Silêncio e desencanto: são talvez as palavras que melhor definem o sentimento que atravessa as cidades e os campos, os corpos, os olhares e os sorrisos, as pessoas. Silêncio de esmagamento e impotência. Desencanto com a vida, o futuro, o horizonte que se perscruta e parece cada vez mais distante. A crise, essa bolha económico-financeira, inventada pelas instituições financeiras, não para dela serem vítimas, mas para com ela se vimitizarem, e dela retirarem benefícios, não surgiu como o fim óbvio de um ciclo, mas como o início de outro: o início de um ciclo onde todas as tropelias se justificam: o desemprego que é inevitável, o encerramento de empresas (patrões, gestores e accionistas com fortunas em off-shores ou em contas helvéticas) que não são mais viáveis - depois de investimentos titânicos dos governos europeus elas viajam para território asiático, onde a mão-de-obra é mais barata, forma de dizer «escravizada» , o gigantesco aumento da diferença entre ricos e pobres. 
As ruas das cidades, os cafés, os pontos de encontro, já não têm o mesmo encanto, o mesmo barulho de antigamente - palavra que até há pouco tempo significava dezenas de anos, designa agora, em algumas circunstâncias, apenas meses. Tudo está tão vazio, que as injustiças perpetradas à vista de todos, não causa qualquer ressonância em ninguém. Alguns dos mais resistentes e perseverantes atingirão os seus sonhos (como sempre acontece, cada vez com menos frequência e certeza). Mas, à custa de que pesadelos?

*Surgiu este post após a leitura deste.