sábado, 11 de setembro de 2010


Quando damos por nós à espera da passagem das horas, envolvidos pelo tédio no seu limbo de marasmo e melancolia, a existência transforma-se num interminável e sorumbático suplício. A única esperança reside no súbito aparecimento de um dia melhor – firme ilusão com que subsistem os canalhas. Não surgirá melhor dia. Quando o presente não nos satisfaz, foi derrubada a barreira entre nós e o absurdo. Demo-nos conta do exílio a que nos encontramos condenados. Para os canalhas o futuro é a fuga ao absurdo. Mas como qualquer outra é uma ilusão também. E incapacitante. A esperança de que um dia melhor virá resgatar-nos do exílio, do absurdo, do presente, prende-nos ao que há, impedindo-nos de lutar contra essa angustiante alienação com a única arma de que dispomos: nós mesmos.

texto e fotografia de André Benjamim

2 comentários:

  1. Um texto lúcido e alertante.
    Gritando pode ser que acordem.
    Vou surripiá-lo,com a devida vénia,para ilustrar uma mensagem.
    Cordial abraço,
    mário

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  2. bom, um dia melhor há-de chegar. espera-se. +e uma espécie de bordão, ter esperança de que. mas sabe-se lá quando chegará e entretanto já cresceu o tal intervalo e não há meio de recuperar o passado.


    (p.s.: estas duas entradas são um regresso? espero que sim!)

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