sexta-feira, 16 de abril de 2010

DA LIBERDADE

Pelo correio chegam convites de diversos quadrantes, para «participar» nas celebrações do «Dia da Liberdade», o dia 25 de Abril que se aproxima. Palavras esvaziadas pela monótona repetição serão proferidas uma vez mais, referindo as conquistas daquele dia, uma conquista de todos os dias. Enfeitadas por içares da bandeira, música de bandas filarmónicas, guardas de honra de militares, polícias, ou bombeiros. Com resignado estoicismo, os «populares» assistirão enfastiados, no local ou pela televisão. Ou simplesmente irão ignorar: o feriado este ano coincide com um Domingo. No dia seguinte a vida prossegue: o desemprego ou o trabalho mal remunerado, em condições cada vez mais perto do esclavagismo. O medo, as pressões, a ameaça. Com o desemprego, a pobreza, a fome. Iludidos pela promessa de Liberdade, demos crédito a uma pequena corja de indivíduos, eis os juros que nos cobram. Meus senhores, e minhas senhoras, até quando vamos pagar?

2 comentários:

  1. Muito bem pensado... Grandes baluartes cobrem tanta coisa...

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  2. Eu não vou ignorar o dia: esse é o meu dia de luto por um País com potencial deitado ao Atlantico. Não sou monárquico nem republicano e abomino o que eu chamo 'politica de 5º ano' onde cada partido brinca aos politicos, ao jogo do empurra, ao jogo do gasta, à Justiça-Cega, as comparações são inumeras e surprehendentemente correctas.
    Por isso não. Não celebro o desordenamento do território, o declíneo contra a tendencia europeia das vias férreas, a promoção de um transporte insustentável, os favoritismos (politicos e não), o desrespeito pela lei, aquitectura e mobiliário urbano, a ignorância por vontade, a inércia mental e a falta de visão. Este é Um dia de Luto, não de celebração porque, ao contrário do pré-25 de Abril (e, especialmente nos primeiros anos do Estado Novo) em que Portugal tinha um rumo (não do agrado de todos mas ainda assim, um rumo em frente) hoje em dia andamos à deriva.

    Deixo apenas uma citação de Eça de Queiroz que nunca descreveu melhor Portugal:
    "A capital é, no fim de tudo, o único ponto vivo desta fétida lesma morta que se espapa à beira do velho Atlântico, sob o nome desacreditado de Portugal"

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