segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Recibos Verdes: Antes da Dívida Temos Direitos

terça-feira, 3 de novembro de 2009

AVATAR


Tenho passado mais tempo no facebook que na vida real, levo o computador para os cafés, peço uma água, e vou ver como andam os animais ou as plantas na minha quinta, eu que sempre detestei agricultura, e que até hoje apenas cultivei a minha árvore de culto, um azevinho - um frondoso azevinho, tenho-vos a dizer! Os dias custam. Os amigos e conhecidos, ocupados nas suas vidas, estão longe. O trabalho cansa, e não compensa. Mas ali estão todos, e outros que nunca verei, a quem nunca perscrutarei o brilho no olhar, o aroma, o tacto, a pele. Todos à distância de uma palavra de circunstância, circunstancial e inconsequente. Redesenhados, recriações de um mundo, de uma vida, de um tempo, que talvez tenhamos tido, que talvez tenhamos perdido. Há sempre um coração para oferecer, um sorriso, um coelho ou uma oliveira, uma arma de calibre inimaginável na nossa máfia privada, ou um saco de moedas para ir para o parque de diversões. Há sempre um pedido para satisfazer, ou uma causa para apoiar. E nós estamos sempre lá, como um ombro amigo, ombro que nos ampara sempre que pedimos, ou ainda antes. Assim vale a pena. Assim amigo, amizade, amor, solidariedade, são palavras com sentido; oh coração, com sentido intimo! Assim, que não trocaria a vida real pelo facebook? Depois, a bateria acaba e é hora de ir para casa, para a casa vazia, ou ocupada por outros que no fundo nos são estranhos - tens facebook? - para o quarto desarrumado - lembrei-me agora que tenho que ir cuidar do meu apartamento. Até já!


P.S. Digam lá se a minha versão virtual não é bem mais bonita que a real?