domingo, 31 de maio de 2009

MOVIMENTO PELA IGUALDADE - MANIFESTO




A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.

Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.

Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.

O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.

Movimento pela Igualdade

A ARTE DE SER FELIZ*



Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

*Título e Poema de Cecília Meireles

«O CADERNO» de JOSÉ SARAMAGO

O livro que reúne textos publicados no blog com o mesmo título foi vetado em Itália pela editora Einaudi, propriedade de Silvio Berlusconi, o «delinquente, corrupto, e líder mafioso». Claro que seria preciso ter um sentido de humor de uma elevada inteligência para publicar algo que diz mal de nós mesmos. Alguns poderão objectar que seria também necessário que o visado fosse de facto inocente. Eu direi que um pouco de ironia por parte do Sr. Berlusconi seria o suficiente. Quem é que no seu prefeito juízo não intui que o líder mafioso é de facto corrupto?, e delinquente, e outros tantos epítetos, que não seriam suficientes para definir com aproximada clareza e rigor o plutocrata - independentemente da condenação ou não. Ao Sr. Berlusconi bastava-lhe sorrir, com aquele sorriso amarelo que esculpe a face dos impunes. E por um momento, por uma vez, o Sr. Berlusconi teria ficado bem na fotografia. Mas isso, já nós sabemos, ele não quer. Farto de pousar está ele. Quem controla as leis, está-se a marimbar para as aparências. O Sr. Berlusconi não precisa de fingir que é inocente ou que é honesto. Porque ele, e só ele, com o seu poder e com o seu dinheiro - corrupto, corrompido, e corruptor - é que define (à priori ou à posteriori - na corrupção a ordem pouco importa), dizia, ele é que define o que é crime e o que não é. A imunidade, como todos já deveríamos ter aprendido, é a cobardia dos mais fortes. Mas também por isso, o seu calcanhar de Aquiles.

sábado, 30 de maio de 2009

MOINHOS DO VENTO*

Cada um inventa os moinhos de vento
que lhe cabe defrontar.
Os meus nem por um momento
me deixam sossegar.
É uma luta sem tréguas nem sinais
de iminente rendição
e o que me aflige mais
nos dias que virão
é que os moinhos que defronto a esmo
existem mesmo.

Torquato da Luz, inblog OFÍCIO DIÁRIO.


*Não sei se inventei os meus,  se foram eles que me inventaram a mim;  a verdade é que o barulho das pás (ou será velas?) ao vento me acorda todas as noites (1); ou antes, todas as manhãs, que a noite passo-a acordado temendo os meus moinhos, embora sem pensar neles, distraindo-me com outros artefactos, como este post. 
 «Velas» coaduna-se melhor ao sentido poético da frase; contudo, «pás», além de ser tecnicamente mais correcto, adapta-se melhor ao sentido intímo da frase, pois transmite uma imagem mais violenta...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O PORTUGUÊS QUE SE CORRESPONDEU COM DARWIN


No ano em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, criador da teoria da evolução das espécies, o TMG apresenta no próximo dia 26 de Maio (amanhã, terça-feira), no Café Concerto, o livro O Português que se Correspondeu com Darwin, da autoria de Paulo Trincão. A apresentação contará com a presença do autor e terá como convidado o Professor João Luís Monney, do Instituto Politécnico de Viseu.

A sessão tem início marcado para as 21h30. A entrada é livre.

O MYTHO É O NADA QUE É TUDO*



O mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.


*Primeiro verso do poema acima. De Fernando Pessoa, na obra Mensagem [Primeira Parte: Brasão; II - Os Castelos; Primeiro: Ulisses] Esta citação respeita a graphia original da palavra mytho.


Obrigado Paulo por me fazeres sorrir, neste dia cinzento!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

JORNAL DO ANIVERSÁRIO*


*Podem ver a capa do dia do vosso aniversário aqui.

ADENDA: Sim faço anos!

MOZILLA FIREFOX 3.0


Fui informado que não conseguiam visualizar o meu blog (parece que está a acontecer com muitos blogs) no Internet Explorer. Ainda não me tinha apercebido, visto utilizar o Mozilla Firefox desde 2002... Portanto, o único conselho que tenho a dar é este: instalem o Mozilla Firefox! Deixo aqui os links para o Mozilla Firefox 3.0, em Inglês - a versão que eu utilizo - e em Português. É só seguirem os links!

QUAL É O CÓDIGO QUE ABRE O COFRE?


- O quinto número mais o terceiro equivalem a 14.

- O quarto número é um a mais que o segundo número.

- O primeiro número é um a menos que duas vezes o segundo número.

- O Segundo número mais o terceiro número equivalem a 10.

- A soma de todos os números dá 30.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

FAZ DE CONTO DO GIN SEM TÓNICA

Nos dias 22 e 23 de Maio, pelas 21h30, no Auditório do Instituto Português da Juventude da Guarda será apresentada a peça de teatro “Faz de Conto do Gim sem Tónica” com texto de Mário Henrique Leiria e Direcção de Paulo Miranda.

O espectáculo conta-nos a história do senhor Antunes que anda a ter uns pesadelos muito estranhos: por mais que empurre não consegue meter toda a sua família no velho citroen e acorda a suar, empurrando ainda qualquer coisa que não está lá…O sonho é sempre o mesmo: a barraca dos esqueletos limitada, elefantes no 10º andar, o bolo abominável…E o senhor Antunes começou a não gostar. Vieram as consultas, as motos e o derivar…mas era sempre a mesma coisa…e resolveu partir… e partiu mesmo. Foi a sério e nunca mais voltou. Foi viver a felicidade.Vida nova… nova vida.


Mário Henrique Leiria foi poeta, contista e pintor. Fez parte do Grupo Surrealista de Lisboa que se apresentou ao público na “1ª exposição dos Surrealistas”, em 1949. Reincidente no ano seguinte, assinou diversos “manifestos” e outras intervenções do movimento.

Faz de Conto do Gin sem Tónica é a peça de teatro apresentada pelo “Aquilo” como resultado final do trabalho desenvolvido no 1º ano do Atelier de Expressão Dramática que teve início em Outubro de 2008 e que termina a 23 de Maio. As inscrições para o Atelier 2009/2010 estarão abertas a partir de Setembro .

Mais informações no blog do Aquilo Teatro.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

QUAL O SEXTO NÚMERO DA SÉRIE ABAIXO?



1, 2, 6, 42, 1806, ______ ?

CONSIDERAÇÕES AVULSAS SOBRE A BLOGOSFERA #2

Parece que, ao contrário do que disse aqui, se - e só se - seguirmos os blogs através do Google Friend Connector o limite de 300 blogs pode ser ultrapassado. Isto porque, deste modo, atingi o belo número 301 blogs seguidos! Diziam-me há dias que não é possível seguir 300 blogs! Seria bem verdade se todos esses blogs tivessem actualizações diárias! Nem que fosse apenas 1 post por dia...! Mas eu estou aqui há mais de uma hora sem que nenhum dos blogs que sigo tenha publicado um único post! Nem um pequenininho! Com uma palavra apenas; ou uma imagem; um vídeo... Nada! Parece que um enorme apagão submergiu os blogs que sigo! Anda tudo tão silencioso! Tudo tão cabisbaixo! Tudo tão calado! Não sei o que se passa... Será que foi toda a gente para outro lugar?, e eu fiquei!?


Entretanto, tomem lá este meu devaneio!

terça-feira, 19 de maio de 2009

CONVERSA DE CAFÉ

- Sabes o que é que mais me custa, depois que me deixou...?
- Não faço ideia...
- Tu também nunca fazes nada...
- Bem, deixa-te de propostas dissimuladas!...
- Isso querias tu!... Mas sabes o que é, ou não?
- É claro que não! Tu ainda não me disseste!
- É quando estou a tomar banho...
- Hã?!
- É quando estou a tomar banho!
- Não quero saber pormenores!
- Não é isso!
- Então?
- Há partes do corpo que as nossas mãos não alcançam...

domingo, 17 de maio de 2009

17 DE MAIO: DIA INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA


Apesar disso, sou teoricamente a favor de que os seres humanos façam amor às direitas ou às avessas, sozinhos ou aos pares ou em promíscuos contubérnios colectivos (aiiii), de que os homens copulem com homens e as mulheres com mulheres e ambos com patos, cães, melancias, bananas ou melões e todas as asquerosidades imagináveis se as fizerem de comum acordo e me busca do prazer, não da reprodução, acidente do sexo ao qual cabe resignar-se como a um mal menor, mas de maneira nenhuma santificar como justificação da festa carnal (esta imbecilidade da Igreja exaspera-me tanto como um desafio de básquete).



MÁRIO VARGAS LLOSA, In. Os Cadernos de Dom Rigoberto

Imagem: Participantes da jornada internacional contra a homofobia, em São Petersburgo


É permitido fumar neste poema
Pedir ou oferecer palavras
Acendê-las ou apagá-las
Atirar com elas para o chão
Perfumar a atmosfera
Com o seu cheiro. Esquecê-las
Sobre uma mesa, uma parede
Um pedaço de papel amachucado.
Ávidos, chupá-las, aspirá-las,
Inspirá-las, sugá-las, expirá-las
Para o ar poluído da terra.
Podem fumá-las à vontade,
Não matam nem causam impotência.
Podem prender ou libertar,
Ferir ou curar. As palavras
Belas para uns, para outros feias
Ou apenas inúteis, as palavras
Não salvam os inocentes,
Não libertam dos carcereiros,
Nem acabam com os tiranos.
Tudo podem e nada conseguem,
Como um cigarro, acalmam.
Iluminam um instante, ficam
Como um fio de fumo cinzento
Na memória. E desvanecem-se.

A uns incomodam, fazem falta
A outros. Podem fumar à vontade
Neste poema. Não há ar puro
Na atmosfera onde se alimentaram
As árvores de onde vieram
As fibras deste papel. Aqui,
Como numa velha tabuleta
Abandonada, está escrita
Uma velha e inútil indicação

É permitido fumar sozinho,
Aos pares ou em lúbricas orgias,
Homens com mulheres, mulheres
Com mulheres, homens com homens,
Ou outras possíveis combinações,
Livres e de comum acordo.
Às palavras não se colocam restrições,
É permitido beijá-las em público,
Aqui nenhum amor é impudico,
Os amantes podem expressar
O amor sem se envergonhar.

POEMA: É PERMITIDO FUMAR NESTE POEMA, rascunho encontrado num caderno abandonado #61

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DEIXA-ANDAR, AMANHÃ SE VERÁ...



ERA UMA VEZ... 4 Funcionários públicos chamados Toda-a-Gente Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.
Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria. Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez. Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente. Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria. No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.
Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário, para evitar todos estes problemas.


Texto lido no blog do António Godinho.

Imagem Quique Flores, ainda (?) treinador do Benfica, retirada do blog novo Benfica.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

ANIVERSÁRIO*

Acontece numa cadência anual, de ano a ano, imparável, como os ponteiros de um relógio a que não é necessário dar cordas nem mudar a pilha. E mais uma vez aproxima-se o dia em que o fatal ponteiro, como uma espada, atravessará aquele ponto que marca o completar de mais uma volta completa. E como sempre que esse fatídico momento se aproxima acontece, ando angustiado, deprimido, fatigado, triste, cansado, como um cordeiro que foge do lobo mas sabe que somente protela o inevitável. É o tombar de todo um conjunto de ilusões; que é como que diz, terás que desconstruir essa montanha de sonhos, fazer engenharias com as forças que ainda te restam, cumular as poucas esperanças, reenquadrar a interpretação do horizonte que à tua frente ainda se estende, e... E esperar, a ver o que dá! Como no título do livro do Altino do Tojal. Que metáfora melhor para a vida que uma Viagem a Ver o que Dá?


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era um tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.


Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o eco...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!


O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minha lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!


Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado -,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...




ÁLVARO DE CAMPOS (15 de Outubro de 1929 [13 de Junho de 1930]), In. Poesias (Assírio & Alvim, Março de 2002, páginas 403-405)


*Título do Poema de Álvaro de Campos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

CONSIDERAÇÕES AVULSAS SOBRE A BLOGOSFERA

Com a invenção dos seguidores, espécie de trupe de espiões que nos vigia 24h por dia, aumentou a minha sensação de estar constantemente desactualizado; desactualizado porque o meu blog não aparece no Dashboard do editor da Blogger; e desactualizado porque de quando em quando aparece um assunto qualquer, que parece intoxicar os posts que vão aparecendo dos outros blogs, e eu sem fazer a mínima ideia do que se trata.

Agora acompanho, com isto dos seguidores, um número muito maior de blogs, mas não tenho tempo para os ler a fundo, e menos ainda para comentar; aliás, nem para responder aos comentários que generosamente me vão deixando... Não sei se gostam de obter uma resposta?! Penso que sim, eu gosto, porém,,,

Por fim, apesar do que disse atrás - e por isso mesmo! - fiquei realmente lixado, lixado com éfe!, quando descobri que o número de blogs que seguimos tem um limite! 300! Eu sigo 300 blogs, e não tenho direito a mais! Mas estes senhores do Blogger pensam que eu ainda tenho paciência para criar uma lista de links, quando posso simplesmente carregar no botão «FOLLOW» e fica o caso resolvido!?!

P.S. E fiquem a saber que colocar uma imagem no post traz mais espiões aqui ao blog que o mais brilhante dos textos!

CRÓNICA DE UM PERCURSO ACIDENTADO

Levantei-me por volta das 13 horas após uma semana de trabalho desgastante. Tomei banho, rapei os pêlos da face, almocei, e pelas 15 horas encontrava-me já na Guarda, onde entrei na A23 com direcção ao Restaurante O Guilho, na Amadora. Comigo levava uns rascunhos do Google Maps.
A meio da viagem parei para tomar café, que conduzir na autoestrada é um tédio daqueles que mata! Quando a A23 se aproximava do fim, saí para a Nacional, levado por conselhos que mal-disse durante cerca de 30 km's! Aquilo que se poupa em dinheiro não compensa o que se perde em tempo e, principalmente, conforto. Em Santarém voltei à Auto-Estrada, desta feita a A1. Parei na Póvoa de Santa-Iria para tomar um café com uma amiga. E aqui começou aquilo que foi o apanágio do resto do dia: perdi-me! A sinalização em Lisboa e arredores é, no mínimo, miserável! Tenho para mim que muitas das filas que entopem a capital resultam também da sinalização analfabética! Adiante! Cheguei à Amadora por volta das 19h30m, munido do meu mapa! E mais uma vez: perdi-me! Neste caso ainda estou para descobrir, o que falhou? Era o mapa que não estava correcto? Foi a minha ambidestria, que me faz confundir a direita com a esquerda? Foi o tombar da minha convicção que tenho sempre noção do sítio onde me encontro? Na Póvoa não cheguei a perder-me! Simplesmente, a porcaria da sinalização fez-me desviar de rota por momentos, mas sempre soube onde estava, relativamente ao ponto onde devia estar! Na Amadora isso não aconteceu! Quando me perdi, deixei por completo de saber onde estava! Primeiro, muito calmamente, pensei: bem, vou telefonar ao Paulo ou ao João é já me safo. Eram 20horas e, sei-o agora!, estava a menos de dez metros do restaurante! Constato então que estou sem saldo! Vou procurar um multibanco. Observo as publicidades dos bancos, vejo algumas caixas, mas nenhuma perto de um lugar onde possa estacionar! Até que me resolvo a estacionar o carro e procurar uma a pé: correndo o risco de me perder por completo. Enquanto caminhava para carregar o telemóvel, e o tempo passava (eram quase 21 horas!) dei de caras com uma placa que indicava o nome de uma rua que estava escrita no meu mapa! Carrego o telemóvel, embora esteja convencido que já não necessito de ajuda (este meu ego!); enquanto me preparo para entrar para a fila de trânsito que avança aos soluços cadenciados pelo interminável mudar de cor dos semáforos, o Paulo tenta ligar-me. Com a atrapalhação, o trânsito, e o facto de não ter o auricular colocado no lugar, decido rejeitar a chamada, e arranco no último instante antes de o semáforo mudar de cor novamente! Ligo ao Paulo (antes, também o João me tentara ligar): segundo o mapa estou a menos de 150 metros do destino. Sigo as indicações: ou pelo menos assim o penso! Estaciono o carro no primeiro estacionamento que encontro disponível e vou a correr na direcção indicada... Nada! Como, penso, como? Tem que ser por aqui! Eram quase 21h30! Ando por ali às voltas! Só pode ser do outro lado, então, reflecti. Foi o único momento de verdadeira lucidez! Perguntava a alguns transeuntes se conheciam a rua indicada, mas ninguém parecia conhecer! O nome não me é estranho, mas... Acredito! Eu próprio nunca sei o nome das ruas, nem que passe por elas todos os dias! Dou voltas e voltas até que...! 22 horas, ou quase isso, com duas horas de atraso e o desabar do mito da minha pontualidade britânica (quem vou enganar depois disto?); cheguei!


Depois ainda houve a sessão de leitura, o percurso atribulado até ao Maria Lisboa, a saída às 06h, o fio do motor que se desencaixou, etecetra, etecetra... Porém, isso são outras histórias...

Não sei porquê, mas a blogosfera, e estes jantares faz-me sempre lembrar deste meu poema:

cidades flutuantes  

há cidades longínquas onde as ruas são oblíquas como os sonhos
com becos escuros e recantos húmidos que a noite encobre
com ruelas esguias e esquivas que o desejo domina
cidades aladas com cruzamentos inebriantes como o sexo
com veredas doces adormecendo e carreiros acres como o despertar
cidades invisíveis onde são as raparigas que contemplam os rapazes dormindo

há corpos escorregadios que se envolvem com gestos largos como as estradas que circulam as cidades
corpos que se acendem durante a madrugada e percorrem solitários as avenidas
onde prédios colossais e resplandecentes se erguem como o amanhecer

há fábricas cinzentas com chaminés de chumbo
nos arredores envergonhados como se escondessem segredos indizíveis
onde os finais de tarde são enublados como as manhãs
crepúsculos embaraçados como os rapazes tímidos que esperam os autocarros de mãos nos bolsos
e caem distraidamente nas entranhas do betão
atravessando as chaminés hirtas no horizonte absorto

há desejos invisíveis que cruzam os prédios transversalmente como uma brisa fresca de verão
desejos impossíveis que se vestem às escondidas nos apartamentos dos arrabaldes
ensejos rumorejantes que se concretizam sobre o manto utópico da fantasia

há velhos fitando as raparigas que sobem apressadas escadas infinitas
há caminhos rodopiantes atravessando os sentidos junto aos beirais
há cidades dentro das cidades mudando as cidades
há cidades diferenciando-se dentro das cidades
cidades flutuantes subindo sobre si mesmas até ao infinito


E agora, estar aqui a escrever sobre o jantar, trouxe-me uma fome...! Até Já...

domingo, 10 de maio de 2009

rascunho encontrado num caderno abandonado #74




ainda recordo amor o beijo
que quase te dei. O abraço
com que quase te agarrei o olhar
com que quase nos despedimos
sem nunca dizermos amor a palavra
que quase nos salvou. A palavra
com que nos perdemos ficou presa
no silêncio dos nossos braços
que não tiveram força nem coragem
para se agarrarem. Não sei
amor se foi apenas esta ou outra
a palavra que nos condenou.
Não restou mais que a lembrança
do teu doce respirar, e o som
da palavra com que nos perdemos.
Na verdade não sei amor
se foi a palavra que quase
nos salvou, se foi a palavra
que nos condenou. Sei apenas
que não dissemos a palavra amor
que ficou para sempre presa
nos nossos lábios nos nossos
sonhos nos olhos que se desviaram
que não tiveram força nem coragem
nem para partir nem para ficar.
Não sei sequer se foi amor
a palavra com que nos perdemos.
A palavra que nunca dissemos
amor, agora resta-nos apenas
a recordação, a memória
a lembrança daquele momento
no silêncio das nossas noites.
Resta-nos dizermos amor para nós
o que não dissemos. E esquecermos.


Adeus!

*versão não definitiva.

rascunhos anteriores: #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38, #39, #40, #41, #42, #43, #44, #45, #46, #47, #48, #49, #50, #51, #52, #53, #54, #55, #56, #57, #58, #59, #60, #61, #62, #63, #64, #65, #66, #67, #68, #69, #70, #71, #72, #73,

sábado, 9 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

*

Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que 'sim'.
O professor tomou então uma caixa de fósforos e a vazou dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que 'Sim'.

Logo, o professor pegou uma caixa de areia e a vazou dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um 'Sim' retumbante.

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:
'Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes, a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia. Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Prestem atenção às coisas que realmente importam. Estabeleçam as vossas prioridades, e o resto é só areia.'

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: Então e o que representa o café? O professor sorriu e disse: 'Ainda bem que perguntas! Isso é só para vos mostrar que por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo'.

*INFELIZMENTE, A VIDA NÃO SE COMPADECE COM A FILOSOFIA...

*Recebido por e-mail...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

AVISO!


AVISO: Isto é uma obra de ficção! Não a tome à letra.

ADVERTIMENTO: Contém versos descrevendo ou fazendo a apologia do suicídio, incesto, bestialidade, sadomasoquismo, práticas sexuais em contextos violentos, assassinatos, violência mórbida, uso de drogas e álcool, homossexualidade, voyeurismo, vingança, desrespeito pelas figuras de autoridade, anarquia, violações dos direitos humanos e atrocidades.

ADVERTÊNCIA: A exposição prolongada aos conteúdos, ou durante os anos de formação nas crianças, pode causar delírios, alucinações, diminuição das capacidades cognitivas e da capacidade de recicionar objectivamente, e, em casos extremos, desordens patológicas, ódio, fanatismo, e violência, que conduzem a assassinatos e genocídos, mas não só.