terça-feira, 8 de setembro de 2009

rascunho encontrado num caderno abandonado #80


Garatujo a exortação que a seguir se perfilha, como forma de respingo ao seu contacto telefónico. Conjecturo que ela lhe permita uma maior e adequada compreensão do diálogo que entabulámos; é na base deste pressuposto que lhe remeto a missiva que sobrevem diante de si, meu caro.
Diversos são os tópicos que almejo tocar, se a lucidez mental mo permitir; mas esses tópicos são turvos; e parca e pardacenta é a minha clareza de espírito, num momento em que atravesso um período pessoal, social e académico conturbado. Conturbados são os tempos, a História; e aos solavancos avança a Humanidade, sempre a tropeçar, mas ainda assim com uma réstia de forças para se levantar. Eu sou uma parte mais fraca desse todo cósmico. A minha existência caminha de rastos o seu percurso, nesta estrada a que chamamos “vida”. Ainda assim, tentarei levar o mais distante e clara possível esta epístola. (...)
Deste modo, em primeiro lugar, quanto à questão “o que fomos?”, se amigos se algo mais menos se ao lado se verdade se ilusão se engano se fingimento se algo de belo ou aberrante... isso agora não tem mais importância. Vivo com os pés sob aquilo que hoje é presente: e o presente, aquilo que existe, é duas pessoas (eu e o senhor, por sinal) que se pensam ter conhecido que seguiram os seus caminhos (bem ou mal, isso agora para aqui não importa) que estão distantes (em corpo e espírito) e não mais se voltarão a ver olhos-nos-olhos (ao que tudo indica!) Da minha parte, Sr. M., sei bem o que fomos; soube-o ontem sei-o hoje sabê-lo-ei amanhã soube-o sempre: sei exactamente o que fomos, mas como já disse, isso não tem mais relevância! (...)

*As minhas desculpas a quem detém os direitos de autor da imagem, mas não sei de onde a tirei. Tenho o terrível hábito de amontoar imagens na pasta com o mesmo nome, gravadas sem qualquer critério...


rascunhos anteriores: #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38, #39, #40, #41, #42, #43, #44, #45, #46, #47, #48, #49, #50, #51, #52, #53, #54, #55, #56, #57, #58, #59, #60, #61, #62, #63, #64, #65, #66, #67, #68, #69, #70, #71, #72#73, #74, #75, #76, #77, #78, #79,

2 comentários:

  1. Em relação às fotos sucede-me exactamente o mesmo; de quando em vez selecciono uma série de fotos interessantes que junto numa pasta de fotos (algumas estão lá há anos) e quando preciso de uma foto para documentar um certo texto vou lá e selecciono uma; de quem???
    Abraço.

    ResponderEliminar
  2. No comentaré del contenido del texto porque es muy íntimo, así se siente, intimo y profundo y personal. Solo creo que tienes una gran sensibilidad, que escribes lindo aunque el texto es fuerte y melancólico, sin embargo creo que el logro de que el sentimiento fluya con las palabras es algo difícil de lograr a veces, impresindible para que la vida siga en su cadena de cosas, y para que podamos pasar, al paso que sigue, que siempre vamo en razón de un destino a veces misterioso, a veces ampliamente revelado... Mis buenas vibras para ti
    Beso André

    ResponderEliminar

Deixe o seu comentário. Tentarei responder a todos. Obrigado