terça-feira, 23 de junho de 2009

Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;

e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos, e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi -

não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.

Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.


JORGE DE SENA, Brasil, 1956-65

2 comentários:

  1. Esta entrada é um corolário lógico da anterior; falar de alguém fica sempre melhor com a sua própria palavra...
    O facto de J.de Sena ser um pessoano convicto, não contraria o meu comentário anterior, eheheh.
    Abraço grande.

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  2. Olá amigo, não, não invalida!

    Aqui entre nós, eu não Pessoano! Sou Álvaro-de-Camposiano! Abraço

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