domingo, 10 de maio de 2009

rascunho encontrado num caderno abandonado #74




ainda recordo amor o beijo
que quase te dei. O abraço
com que quase te agarrei o olhar
com que quase nos despedimos
sem nunca dizermos amor a palavra
que quase nos salvou. A palavra
com que nos perdemos ficou presa
no silêncio dos nossos braços
que não tiveram força nem coragem
para se agarrarem. Não sei
amor se foi apenas esta ou outra
a palavra que nos condenou.
Não restou mais que a lembrança
do teu doce respirar, e o som
da palavra com que nos perdemos.
Na verdade não sei amor
se foi a palavra que quase
nos salvou, se foi a palavra
que nos condenou. Sei apenas
que não dissemos a palavra amor
que ficou para sempre presa
nos nossos lábios nos nossos
sonhos nos olhos que se desviaram
que não tiveram força nem coragem
nem para partir nem para ficar.
Não sei sequer se foi amor
a palavra com que nos perdemos.
A palavra que nunca dissemos
amor, agora resta-nos apenas
a recordação, a memória
a lembrança daquele momento
no silêncio das nossas noites.
Resta-nos dizermos amor para nós
o que não dissemos. E esquecermos.


Adeus!

*versão não definitiva.

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2 comentários:

  1. Um imenso obrigado pela tua presença ontem no jantar. Pessoalmente foi um enorme prazer conhecer-te.
    Abraço amigo.

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  2. reforço o agradecimento do Pinguim! foi um prazer termos contado contigo!

    abraço

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