segunda-feira, 25 de maio de 2009

O MYTHO É O NADA QUE É TUDO*



O mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo —
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.


*Primeiro verso do poema acima. De Fernando Pessoa, na obra Mensagem [Primeira Parte: Brasão; II - Os Castelos; Primeiro: Ulisses] Esta citação respeita a graphia original da palavra mytho.


Obrigado Paulo por me fazeres sorrir, neste dia cinzento!

6 comentários:

  1. Um poema muito bonito!! E eu não só te conheci como te empurrei o carro!!!! Empurrei o carro do mito! =D
    Agora a sério, tenho de comprar o livro. Mas primeiro está O Principezinho!
    Abraço

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  2. Olá A..., é bem verdade! Já podes dar o teu testemunho para a biografia do gajo!

    Quanto ao livro, nem sei se há exemplares ainda... Quer dizer, eu tenho alguns em casa (poucos)

    O Principezinho é imprescindível!

    Abraço.

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  3. Olá Benjamim não sei se é pelo facto de ser pinhelense ou o acaso de gostar muito de literatura , o que é certo é que já algum tempo que sigo o teu blog e considero-o excelente .
    A propósito de Fernando Pessoa , deixo-te este poema retirado do livro “Poesias inéditas “(1930-1935):
    “Eu amo tudo o que foi,
    Tudo o que já não é,
    A dor que já me não dói ,
    A antiga e errónea fé,
    O ontem que dor deixou,
    O que deixou alegria
    Só porque foi , e voou
    E hoje é já outro dia.

    Neste Verao ainda espero encontrar o teu livro.
    Um abraço

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  4. Olá Saraiva, bem-vindo ao postigo; ou melhor, só agora é que dás sinal de vida?! Obrigado pelo poema! Eu, como sou viciado no Fernando Pessoa, já conhecia! Um Abraço aí para a Suíça.

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  5. o poema é muito a propósito, sim, senhor. já agora é das mais belas definições do indefinível: os mitos. ou nós próprios.

    abraço e tal

    (vi o comentário: o paulo era eu? mesmo que não seja, não sei como pude fazer-te rir. pode ser que sim que isto há dias em que se não for a rir e a fazer rir os outros - tenho mesmo um palhaço adormecido em mim - não se aguenta)

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  6. Olá Paulo,

    O que me fez sorrir foi a palavra que usaste: «mito»; porque, como não gosto (aliás, detesto!) falar de mim, há alguns amigos meus que me dizem que devo querer ser um «mito» por ser esquivo... Um Grande Abraço! E não, não é preciso ser palhaço para alegrar os dias dos outros...

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