domingo, 17 de maio de 2009

17 DE MAIO: DIA INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA


Apesar disso, sou teoricamente a favor de que os seres humanos façam amor às direitas ou às avessas, sozinhos ou aos pares ou em promíscuos contubérnios colectivos (aiiii), de que os homens copulem com homens e as mulheres com mulheres e ambos com patos, cães, melancias, bananas ou melões e todas as asquerosidades imagináveis se as fizerem de comum acordo e me busca do prazer, não da reprodução, acidente do sexo ao qual cabe resignar-se como a um mal menor, mas de maneira nenhuma santificar como justificação da festa carnal (esta imbecilidade da Igreja exaspera-me tanto como um desafio de básquete).



MÁRIO VARGAS LLOSA, In. Os Cadernos de Dom Rigoberto

Imagem: Participantes da jornada internacional contra a homofobia, em São Petersburgo


É permitido fumar neste poema
Pedir ou oferecer palavras
Acendê-las ou apagá-las
Atirar com elas para o chão
Perfumar a atmosfera
Com o seu cheiro. Esquecê-las
Sobre uma mesa, uma parede
Um pedaço de papel amachucado.
Ávidos, chupá-las, aspirá-las,
Inspirá-las, sugá-las, expirá-las
Para o ar poluído da terra.
Podem fumá-las à vontade,
Não matam nem causam impotência.
Podem prender ou libertar,
Ferir ou curar. As palavras
Belas para uns, para outros feias
Ou apenas inúteis, as palavras
Não salvam os inocentes,
Não libertam dos carcereiros,
Nem acabam com os tiranos.
Tudo podem e nada conseguem,
Como um cigarro, acalmam.
Iluminam um instante, ficam
Como um fio de fumo cinzento
Na memória. E desvanecem-se.

A uns incomodam, fazem falta
A outros. Podem fumar à vontade
Neste poema. Não há ar puro
Na atmosfera onde se alimentaram
As árvores de onde vieram
As fibras deste papel. Aqui,
Como numa velha tabuleta
Abandonada, está escrita
Uma velha e inútil indicação

É permitido fumar sozinho,
Aos pares ou em lúbricas orgias,
Homens com mulheres, mulheres
Com mulheres, homens com homens,
Ou outras possíveis combinações,
Livres e de comum acordo.
Às palavras não se colocam restrições,
É permitido beijá-las em público,
Aqui nenhum amor é impudico,
Os amantes podem expressar
O amor sem se envergonhar.

POEMA: É PERMITIDO FUMAR NESTE POEMA, rascunho encontrado num caderno abandonado #61

7 comentários:

  1. Embora não fume(...)concordo totalmente com a permissão de "fumar" no teu poema; aliás a imagem está perfeita, para quem a entenda...
    Decerto não a entenderão os homofóbicos, como também abominarão o libertário texto de Mário Vargas Llosa.
    Abraço.

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  2. Exacto, "fizerem de comum acordo". Coisa que muita gente parece não perceber..
    O poema está bem, se for o que eu percebi...
    Abraço

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  3. E o que é que tu percebeste, hã?! Abraço

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  4. Pinguim, tenho para mim que todos os homofóbicos do mundo, o que não suportam não é a homossexualidade, mas a homossexualidade que há neles...

    Abraço.

    P.S. O Mário Vargas Llosa é o "meu" candidato ao Nobel; e habitualmente eu não gosto de tipos de Direita...

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  5. "Pinguim, tenho para mim que todos os homofóbicos do mundo, o que não suportam não é a homossexualidade, mas a homossexualidade que há neles.."

    BRILHANTE!! posso pLagiar?

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  6. Olá Nelson, Claro que podes! (Bem... não é nada que um qualquer psicanalista de caneta e divã - ou canapé - não saiba! he he...) Abraço

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