domingo, 30 de novembro de 2008

PADRE ANTÓNIO VIEIRA

A VAQUINHA

Eles já me deram uma prenda de Natal (aqui e aqui); agora vamos lá ver se o Pai Natal não anda distraído (ou portaram-se mal este ano?)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A NÃO ESQUECER

Que é hoje lançado, às 18 horas, no Paço da Cultura (Guarda), o mais recente número da revista PRAÇA VELHA, o 24. Quem puder, compareça. Quem não puder, abrigue-se.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

RECORDAÇÕES

Dizia Jorge de Sena - parafraseando, que não sei a frase de cor, nem tenho o livro Antigas e Novas Andanças do Demónio por perto -  que o pudor é essencialmente uma virtude breve. Penso que seja no conto Os Amantes, mas a minha memória facilmente me trairá, ao gosto das suas vontades e desejos. Num conto cujo conteúdo o título faz antever, esta frase, com fulgor de máxima, faz todo o sentido. Seriam amantes se o pudor não fosse uma virtude breve? Bem, algumas mentes mais retraídas e pecaminosas, refutar-me-ão dizendo que os amantes são essencialmente pessoas sem virtude. E para que precisam da virtude, se se podem amar? Não é o amor a maior das virtudes?


Voltando ao início. Estava um amigo meu a mostra-me um álbum de fotografias antigas, a maior parte da sua infância e adolescência. O melhor amigo da escola primária, a primeira namorada. As férias em casa dos tios, a prima que já não vê há tantos quantos os anos que a distância ou a pouca vontade a isso obrigou. E como eu invejei aquele sorriso, aquele brilho nos olhos, aquela alegria breve que invadiu o meu amigo e rejuvenesceu por instantes a sua face. Cogitava em dizer-lhe o quanto o invejo, e o quanto invejo as pessoas que conseguem abrir um álbum de fotografias, e voltarem a ser felizes por momentos, enquanto recordam instantes felizes do seu passado. Mas o pudor não me deixou que lhe confessasse a minha inveja. Contudo, como o pudor é uma virtude essencialmente breve, aqui lho estou a dizer, e a todos vós que por uma qualquer eventualidade ou contingência aqui gasteis um pouco do vosso tempo. No fim, guardarei só para mim a inveja, e voltarei a ser virtuoso.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

LIVROS...

Desde que tenho consciência de existir, que tenho uma obsessiva atracção por livros; antes de mais pelo objecto; adoro agarrá-los, senti-los entre as minhas mãos, abri-los, folheá-los... e só depois pelo seu conteúdo; muitos dias, noites na maioria dos casos, gastei em leituras sôfregas e impetuosas. 
Se mais dinheiro tivesse, mais dinheiro gastaria em livros... mas chegou um momento em que começa a tornar-se um grande problema... em primeiro lugar, já não tenho espaço em casa onde os colocar; as estantes estão repletas, com duas filas, e com livros deitados sobre elas... mas o pior, em segundo lugar, é que a percentagem de livros que tenho e que ainda não li começa a ser, digamos, perigosamente grande; de tal modo que o número dos livros que tenho e ainda não li está muito próximo daqueles que tenho e li... então, impus a mim mesmo que não compraria mais nenhum livro enquanto não lesse pelo menos 70% daqueles que tenho para ler... tarefa assaz difícil, visto que nos próximos 10 meses vou receber quase 50 livros de uma colecção que assinei... Sou cada vez mais um bibliómano, e cada vez menos um leitor... E pela primeira vez os livros, enquanto objecto, deixam-me triste...

sábado, 22 de novembro de 2008

MAPA - manuel a. domingos

Acabei de encomendar o livro MAPA de manuel a. domingos, através do site da editora livro do dia


Só falta enviar o comprovativo da transferência bancária... Entretanto, atrevo-me a deixar aqui um dos muitos poemas que podem encontar nesta obra, com o título Guarda, e o subtítulo por volta de 1994

em cada rua o frio
tem um nome diferente.
nós permanecemos no café
com o nome de
um franchising qualquer,
alheios ao amarelo
berrante das paredes.
é aqui, por entre cigarros,
cerveja e um arroto
envergonhado, que lemos
os versos de um poeta
maldito francês: esses que
nos aquecem a vontade
de um dia também fumar
haxixe. e há ainda os filósofos
do desespero: Kierkegaard,
Nietzsche e Camus.
Mas nem Kierkegaard
nem Nietzsche nem
Camus nos avisam que
a sua leitura irá para sempre
mudar a nossa vida. nem o poeta
maldito francês explica
que os seus versos
não devem ser lidos
numa cidade onde
a sua catedral atravessa
o silêncio e o frio tem um nome
diferente em cada rua.


Claro que, como ainda não tenho o livro, e apenas conheço alguns dos poemas, não vos posso dizer qual é o poeta maldito francês... Eles são tantos, os poetas malditos, embora menos que os poetas franceses...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

PERGUNTAS SEM POSSÍVEL RESPOSTA, DÚVIDAS SEM POSSÍVEL EXPLICAÇÃO

(1) Porque é que esta senhora da imagem aqui ao lado de repente começou a mandar os seus bitaites?, calada fazia muito melhor figura.



(2) Quando é que alguém explica ao Sr. Vítor Constâncio que a única coisa generosa é o salário de que aufere?




Imagem escandalosamente desviada do ABSORTO.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

rascunho encontrado num caderno abandonado #70

Só há uma coisa pior que despedires-te de alguém que sabes que nunca mais vais voltar a ver; é despedires-te de alguém que não sabes se algum dia vais voltar a ver...

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

REVISTA "PRAÇA VELHA", N.º 24 - CONVITE

Recebi em casa um convite que reza exactamente assim (sem dois pontos; têm é que clicar para poderem ler); um convite pessoal, que é universal. Nesta lógica, estendo o convite que me foi dirigido a todos e a todas que por aqui passem. Eu estendi-lo-ia a toda a gente, mesmo àquelas pessoas que por aqui não passam, mas isso seria um não-convite; ou um desconvite; seria um pouco rude, não era? E depois, se andássemos todos pelas mesmas ruas, além de todas as outras ruas não fazerem sentido, as nossas pacatas ruas ficariam intransitáveis...


Dia 28 de Novembro, Guarda, no Paço da Cultura, pelas 18 horas. Vá, apontem nas vossas agendas, ou onde quiserem, desde que não se esqueçam.


Deixo já aqui o convite, apesar de ainda faltarem 10 dias, para o caso, imprevisível, de aqui não voltar. Também tendo em pensamento essa eventualidade, deixo aqui um link para o blog de duas amigas pintoras: o meu mundo de expressões.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

The Wrath of The Lich King*

Como sobreviver a quem despertou no ser a consciência de existir?*
 
*Para não deixar esta pequena pergunta abandonada num post, decidi postá-la aqui...

JOANA MORAIS VARELA


Notícias publicadas na imprensa nos últimos dias dão conta de que Joana Morais Varela foi suspensa das funções de Directora da Colóquio/Letras. Os signatários entendem que o sentimento de consternação — inevitável e mais do que isso apropriado e justo — não deve exceder o de admiração pelo original, profundo e inovador trabalho que Joana Morais Varela ali desenvolveu.

Hoje a única sobrevivente do conjunto de revistas de que a Fundação Gulbenkian foi proprietária, a Colóquio/Letras transformou-se no mais importante órgão de difusão, estudo e crítica da literatura em língua portuguesa, presente e actuante em todos os centros de cultura portuguesa no mundo. Mantendo-se fiel ao modelo original da revista e ao espírito de colóquio entre ideias e correntes diferentes, avessa a polémicas e alheia a interesses imediatos e particulares, a Colóquio/Letras tem sido um modelo de publicação imaginativa, livre e rigorosa. De edição irrepreensível, elevada qualidade ensaística e literária e notável apuro gráfico, a Colóquio/Letras conseguiu a proeza de se ter constituído em objecto cobiçado e precioso sem perder a dignidade e a elevação intelectual. É irrecusável que essa transformação por que a revista passou se deve à visão, à tenacidade e à dedicação de Joana Morais Varela.

O sentimento de admiração é raro. Mais raras ainda as ocasiões para o manifestar em público e com entusiasmo. Os signatários não querem perder esta.

Lisboa, 11 de Novembro de 2008


Abel Barros Baptista, Américo António Lindeza Diogo, Ana Catarina Rocha, Ana Luísa Amaral, Ana Pegado, Ana Pires, Antonio Sáez Delgado, Augusto M. Seabra, Carlos Gil, Carlos Manuel Ferreira da Cunha, Cristina Moreno (Brasil), Cristina Nobre, Edgard Pereira (Belo Horizonte), Eduardo Pitta, Fernanda Leitão (Toronto), Fernando Cabral Martins, Francisco Fortunato, Francisco José Viegas, Gustavo Rubim, Helder Moura Pereira, Helena Vasconcelos, Helga Moreira, Jaime José Morais, João Carlos Alvim, João Filipe Bugalho, João Gonçalves, João Paulo Sousa, João Reis Ribeiro, João Tigeleiro, Jorge Fernandes da Silveira (Rio de Janeiro), Jalvarez, José António Almeida, Laura Mateus Fonseca, Levi Condinho, Luís Amaro, Luis Manuel Gaspar, Luís Mourão, Luis Novaes Tito, Mafalda Ivo Cruz, Mariana Pinto dos Santos, Maria Antónia Oliveira, Maria Jorge, Nelson de Matos, Osvaldo Manuel Silvestre, Paulo Simões Mendes, Pedro Mexia, Pedro Serpa, Pedro Serra (Salamanca), Rita Basílio, Rosa Oliveira, Rui Manuel Amaral, Sara Afonso Ferreira, Sara Figueiredo Costa, Vasco Rosa.

Quer assinar também? Basta clicar aqui, escrever o que lhe apetecer, ou simplesmente a palavra assino.


ASSINADO!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

rascunho encontrado num caderno abandonado #69

Nightmare
Transpões o portão verde de ferro, e eu acordo. A tua voz ecoa na atmosfera seca de Julho, Se não ficares aí nunca mais nos voltamos a ver. As tuas palavras ficam a badalar no meu cérebro. E eu vou-me embora, e acordo, acordo suado, com o presságio de que te vou perder. Há onze anos que partiste, e eu ainda acordo com medo que vás partir. Porque é que me assusta tanto a ideia de que vai acontecer algo que já aconteceu? Porque é que me assusta tanto a ideia que tu te vais embora para sempre, se tu já foste embora para sempre há onze anos?

Dentro de mim estarás a partir até que eu parta. Porque dentro de mim vive um pedaço de ti, que eu nunca deixei partir. Sei que nunca mais te verei, sei que partiste e nunca mais voltarás, mas dentro de mim ficaste para sempre. Dentro de mim ficou um pedaço de ti que todos os dias apressa a minha morte: é aquilo que ainda me mantém vivo.
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domingo, 9 de novembro de 2008

50000!

Para comemorar as 50000 visitas - que número redondo! - deixo-vos aqui uma música do meu amigo, Samuka (nome de código), "Cansado, mas em Paz"

Boomp3.com
A Adriana agraciou-me com um prémio. Quero aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos quantos me têm acompanhado ao longo deste longa jornada de preservança, marcada por momento de euforia e por momentos - menos bons - de depressão. Agradeço também... De outra forma: obrigado, Adriana, pelo prémio, por te lembrares deste meu pequeno postigo, pela simpatia. E, como me compete, passo a chama olímpica, não, a estafeta, melhor o Brillante Weblog 2008 a [após dura meditação; com os critérios qualidade; relação emocional; empatia; a regra é passar-se o prémio a 7 blogs]:

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

dust to dust, ashes to ashes

memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris!

sim, eu sei, eu sei que não me ouves, sei demasiado, bem demais, e cada vez que ao pensamento isso me acorre, estala-me na pele o chicote da memória. sei que não me ouvirás nunca mais, e nunca mais é tanto tempo, é a eternidade em vida, é tarde demais, porque nunca mais é sempre tarde demais, nunca mais é demasiado para um corpo só, nunca mais é uma dor enorme para um corpo que se abandona ao vento como um grão de pó, e como um grão de pó também a tua memória vagará um dia, num assobio do vento, nunca mais é um flagelo, para o espírito, a mente, a alma, para esse lugar que pensa e sente, para esse lugar sem limites, para esse lugar onde a eternidade existe, e eternamente te espera, sabendo que nunca mais, sim eu sei, sabendo que nunca mais me ouvirás.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

19,19€*

*eis o prémio que ganhei no EuroMilhões da passada sexta-feira, correspondente ao acerto em 4 dos 7 números; sendo que 2 desses 4 números eram «estrelas». e um gajo sente-se com uma sorte danada. não por ter ganho 1 «prémio» no EuroMilhões, mas pela singularidade do valor desse prémio. ora pensem lá se não é uma grande sorte acertar num prémio de 19,19? número bonito... (era a hora a que me telefonavas todas as segundas-feiras, há 8 anos atrás... quando o futuro ainda era possível)...

ADEGA 13*


1. A. afasta B. por causa de características (falsas) que atribui a B.

2. Depois de ter sido afastado, B. exibe de facto essas características.

3. B. considera essas características efeitos da decisão de A.

4. A. diz a toda a gente: «vêem como eu tinha razão»?

Pedro Mexia, in Estado Civil.

*Vão ver os meus amigos ao Palácio do Gelo, especialmente se gostam de hip-hop (foi um soluço, enquanto escrevia a linha anterior); o texto acima, como referido, é do Pedro Mexia. E nada tem que ver com a publicidade gratuita do restante post: ou melhor, tem tudo a ver, mas a relação entre uma (imagem) e outro (texto) só pode ser explicada (e entendida) através da exposição pública de mecanismos sub-conscientes (e portanto freudianos), que não me apraz partilhar (perdoem-me!) convosco, meus fiéis leitores. Passem em Viseu, parem no Bóquinhas (é assim que se escreve, TrËk?), bebam uma garrafa de cerveja (de litro) ou uma jerupiga (nunca me entendi com esta palavra, é da dislexia!), discutam poesia e romance (utra-light incluído, é tudo muito eclético!), e terminem a estadia em grande ouvindo os membros (elementos?) da Adega 13. Atenção: alguns deles trabalham! (é uma tentativa de private-joke, não sei se resultou!?)