quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

retrato do artista quando jovem

Nestes últimos dias tenho relido o Retrato do Artista Quando Jovem, algo raro na minha curta carreira de leitor compulsivo; contam-se pelos dedos os livros que reli. De entre as centenas de livros que acumulei ao longo dos últimos dez anos, existe quase uma centena em que nunca toquei, a não ser no momento em que os arrumei nas estantes. O que me levaria a acreditar que são os livros que nos escolhem a nós, e não o contrário, se eu acreditasse no destino e em coisas mais obscuras. Vou na página 50, e se digo isto aqui no blog, é apenas porque nada mais tenho que dizer, ou tenho muito para dizer, mas nenhuma vontade. Até já, que o meu amigo Stephen Dedalus está à minha espera... (James Joyce em Português Europeu)

13.ª Feira das Tradições...

... e Actividades Económicas, em Pinhel, nos dias 1, 2 e 3 de Fevereiro. Clique na imagem para ampliar e poder ler o programa.

13.ª Feira das Tradições

De Pessoas e Mais Coisas

*de Hugo Sampaio. Prefácio de Miguel Guedes (músico):
Entre a vontade que assoma ao receber, em mãos, o esboço final do que sabia ser quase»leitura intacta» e a responsabilidade que irrompe por poder conduzir o leitor à primeira página escrita, não há termo a meio. E não há responsabilidade pequena. Sem convite e sem traje, então, um pequeno apontamento à sedução. Porque há bem mais do que o respirar de quem habita o título deste livro de Hugo Sampaio. Há em «De Pessoas E mais Coisas» traços do quotidiano que não desarma, cenário capaz, que pinta a manta com o olhar de apreciação e desvelo. As notas transversais não são sinónimo nem reflexo de um quotidiano apático, amorfo e monótono, abraçado a sensações dégradé, indistinto. Antes de olhares de esguelha a franzir o sobrolho, humor sem pose. Temporadas de ironia com alçadas interiores que saltam para as palavras como o «peixe que acha que os peixes deveriam poder voar». Há na noite e no dia, no espaço e no tempo dos relógios omnipresentemente distorcidos, lugar para a reivindicação da legitimidade das flores sem cheiro. Há em tudo reacção, que a tudo responde. Estamos na zona de afectos que vê o irmão gémeo do arco-íris que nunca aparece, que personifica objectos à mão. Como se pintasse, ele, o quadro ainda por pintar, como se os pedaços de vida lhe caíssem entre os dedos, subtraindo as ideias na transição e na irregularidade das coisas que se avistam ao olhar. A medição não é tão geométrica como as molduras que o confinam, à luz do observador. Se, como escreve Christopher Langton, tudo o que acontece de interessante na vida ocorre na passagem de um estado para outro, bem-vindos à sublimação do físico: um x-acto questiona nome e apelido pela violência implícita, o relógio de bolso e as malas de viagem e as partes dos pneus que nunca tocam no chão propõem abrir sociedade pela aparente contradição da sua função e propósito que melhor associação do que entre as nuvens e as flores ou um cigarro mal apagado que - apesar de sentir que a chuva chega tarde para o poupar ao sofrimento - percorre o livro como um amigo? Ar. Há nesta escrita a vontade de quem não se basta com a hipótese, de quem não aceita um eu posso conhecê-lo, quando se impõe um eu tenho de o conhecer. Há, em «De Pessoas E mais Coisas», poucas palavras que se assemelhem aos cortes de uma faca mal afiada. E quando as há, se lidas em voz alta, também soam como o som «que nos guia se não conseguimos ver».

domingo, 27 de janeiro de 2008

signos*

ARIES - El mentiroso(a) (21 Mar - 20 Abr) Extrovertido(a), amable, espontáneo, no puedes andar jugando con este tipo de personas. Chistoso(a), excelente besador(a) y EXTREMADAMENTE adorable, cree en Las relaciones, adictivo y ruidoso. 16 años de mala suerte si no lo reenvías. TAURO - El Vagabundo (21 Abr - 20 May) Le gustan las relaciones largas, le gusta luchar por lo que quiere. Extremadamente extrovertido, le gusta ayudar a la gente cuando lo necesitan, buena personalidad, buen besador, un poco necio, cuidadoso y son las personas más atractivas de esta tierra. 15 años de mala suerte si No lo reenvías GÉMINIS - Irresistible (21 May - 21 Jun) Lindos. Su amor es único. Les gusta escuchar, muy buenos para ya sabes Qué...buenos amantes, no les gusta pelear pero pueden knockearte si lo quieren. Confiable, felices, comunicativos, extrovertidos, SIEMPRE PERDONAN. Tienen una linda sonrisa, generosos y fuertes. EL MÁS IRRESISTIBLE. 9 años de mala suerte si no lo reenvías CÁNCER - El lindo Asombroso besador (22 Jun-21 Jul) Muy atractivos, el amor es lo mas importante. Muy romanticos, la persona que siempre cuidara de usted. Nunca conocera a alguien igual! Eternamente creativo. Extremadamente suertudo y orgulloso de el. Espontaneo. Gran contador de historias. No es un peleador PERO PUEDE LLEGAR a nockearte, si lo sacas de el. Alguien a quien debes aferrarte . 12 Años de mala suerte si no lo reenvias LEO - El león (22 Jul - 23 Ago) Gran comunicador. Atractivo y apasionado. Sabe como divertirse. Es muy bueno ara casi todo. Gran besador, impredecible, extrovertido, adictivo, atractivo..... pero cuidado, no saben lo que quieren. Les gusta andar de relación en relación, les gusta jugar. Raro de encontrar, bueno cuando lo hallas. 7 años de mala suerte si no lo reenvías VIRGO - El que espera (24 Ago - 23 Sep) Dominante en las relaciones. Siempre tienen alguien que los ame. Siempre tienen la última palabra. Cuidadosos, carismáticos, inteligentes, leales, les gusta hablar. Lo que siempre habías estado buscando, fácil de complacer y le gusta ser el primero y el único. 7 años de mala suerte si no lo reenvías. LIBRA - El pobre (24 Sep - 23 Oct) Agrada a todo el que lo conoce. Su amor es único. Un poco distraido, divertido Y dulce. Tiene un encanto único. Es una de las personas más protectoras que conocerás pero que no la querás nunca de enemigo pues podrías Terminar llorando. 9 años de mala suerte si no lo reenvías. ESCORPIO - El adicto (24 Oct - 22 Nov) EXTREMADAMENTE adorable, inteligente, le encanta bromear, tiene muy buen sentido del humor, enérgico, predice el futuro, GRAN besador. Siempre Consiguen lo que quieren. Atractivos, fáciles de tratar, les gusta estar en relaciones largas, comunicativo, romántico y cuidadosos. 4 años de mala Suerte si no lo reenvías. SAGITARIO - El promiscuo (23 Nov - 22 Dic) Espontáneo, gran carisma, difícil de encontrar pero fabuloso cuando lo encuentran. Le gusta ser generoso, lindos, románticos, no lo quieres de enemigo, es bueno con todas las personas que conoce. 4 años de mala suerte Si no lo reenvías. CAPRICORNIO - El amante apasi (23 Dic-20 Ene) Lindo, ama coquetear, sexy, inteligente, muy sexual, predice el futuro. irresistible. Un loco...muy bueno en la cama...le gusta estar en relaciones largas. Gran conversador, siempre consigue lo que quiere, divertido, le gusta bromear. 24 años de mala suerte si no lo reenvías ACUARIO - Como pez en al agua (21 Ene - 19 Feb) Confiable, atractivo, buen besador, único en su tipo, le gusta las Relaciones a largo plazo, extremadamente enérgico e impredecible. Sobrepasará tus expectativas. No es un luchador pero podría dejarte tirado en el suelo. 2 años de mala suerte si no lo reenvías. PISCIS - El compañero(a) de vida (20 Feb - 20 Mar) Cuidadoso(a) y noble, inteligente, el centro de atención, gran carisma, tiene la última palabra. Es bueno(a) de hallar pero difícil de conservar. Le gusta viajar, extremadamente raro(a) pero en el buen sentido de la palabra. Gran sentido del humor! Analítico(a). Siempre consigue lo que se proponele gusta bromear, muy popular, tonto, divertido(a) y dulce. 5 años de mala suerte si No lo reenvías. *Estreia nos devaneios astrológicos, que leio com interesse curioso, mas sem pingo de crença.

somebody to love* - hoje sinto-me assim

Can anybody find me somebody to love? Each morning I get up I die a little Can barely stand on my feet Take a look in the mirror and cry Lord what you're doing to me I have spent all my years in believing you But I just can't get no relief, Lord! Somebody, somebody Can anybody find me somebody to love? I work hard every day of my life I work till I ache my bones At the end I take home my hard earned pay all on my own - I get down on my knees And I start to pray Till the tears run down from my eyes Lord - somebody - somebody Can anybody find me - somebody to love? (He works hard) Everyday - I try and I try and I try - But everybody wants to put me down They say I'm goin' crazy They say I got a lot of water in my brain Got no common sense I got nobody left to believe Yeah - yeah yeah yeah Oh Lord Somebody - somebody Can anybody find me somebody to love? Got no feel, I got no rhythm I just keep losing my beat I'm ok, I'm alright Ain't gonna face no defeat I just gotta get out of this prison cell Someday I'm gonna be free, Lord! Find me somebody to love Can anybody find me somebody to love? *Letra de Freddie Mercury, música dos Queen, do álbum A Day At The Races (1976).

sábado, 26 de janeiro de 2008

Correio República & Laicidade

1. Exército da República em manifestações monárquicas...!? Nestes últimos tempos, as (ainda existententes...!) «hostes monárquicas» portuguesas têm andado, muito atarefadas, a promover o «seu» centenário do «1 de Fevereiro», «Dia do Regicídio» e a tentar que ele seja assumido pelos portugueses como um «dia de luto nacional». Estão no seu direito: na nossa Repúblca os monárquicos têm um quadro legal que lhes permite fazerem, pacífica e democraticamente, a propaganda das suas ideias políticas! No entanto - como é bom de entender -, a República não pode dar apoio institucional àqueles projectos (monárquicos e não só) que abertamente visem a sua destruição. Nesse entendimento, atempadamente - e, ao que parece, sem qualquer resultado visível!!! -, chamámos a atenção do Ministro da Defesa Nacional e do Chefe do Estado Maior do Exército para uma prevista participação oficial de elementos do Exército - Regimento de Lanceiros, Fanfarra do Exército e do Colégio Militar e Grupo de Música de Câmara da Banda Sinfónica do Exército - nas manifestações políticas monárquicas - manifestações políticas assumidamente anti-republicanas, portanto - que terão lugar a 31 de Janeiro e a 1 de Fevereiro próximos. ver: aqui. 2. Atentado de 1 de Fevereiro de 1908 (Regicídio). No «site» da associação R&L disponibiliza-se um «dossier» bastante exaustivo (com alguns documentos menos conhecidos) sobre o atentado de 1 de Fevereiro de 1908 (Regicídio) ver: aqui. Gostaríamos de ver na Praça do Comércio uma placa que fizesse justiça à memória de Manuel Buíça e Alfredo Costa, os dois cidadãos que, a 1 de Fevereiro de 1908, aí mataram a Monarquia, dando a sua própria vida em prol da República e da Liberdade dos portugueses. ver: aqui. 3. Palestra «Do 28 de Janeiro ao 5 de Outubro». Por serem republicanos, na sua maioria, os portugueses sabem que só a República pode conferir a cada qual um estatuto inteiro de «cidadão» e que só com «cidadãos inteiros» será possível construir o futuro mais livre, mais justo e mais solidário (Constituição da República) que almejamos ter. Assim sendo, os portugueses, com os olhos mais postos no futuro do que no passado, não querem, decididamente, voltar a ser súbditos de nenhum soberano, seja ele qual for. Mas o passado também interessa aos republicanos, na exacta medida em que dele podemos colher ensinamentos para o presente e para o futuro. Nessa perspectiva, a associação R&L promove no próximo dia 29 de Janeiro, na Biblioteca-Museu República e Resistència, uma palestra onde o historiador Francisco Carromeu nos ajudará a recordar os principais intervenientes e os mais relevantes eventos que, historicamente, nos fizeram transitar de uma (velha) Monarquia para uma (primeira) República. ver aqui. Quem quiser aderir à campanha "Todos Cidadãos", clique na imagem ou aqui. Saudações Repúblicanas e Laicas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

tão amigos!*

Dizem-se muito amigos. A cena decorre enquanto o familiar ou amigo generoso e altruísta se parte e reparte. Todos, cada um à sua maneira e à dimensão do seu egoísmo, o vão amando, usufruindo da gratuidade do seu coração grande, sobrecarregando-o de responsabilidades que, dizem, só lhe fazem bem. Ajudam a ocupar o tempo, ( como se a pessoa não tivesse sonhos e não sonhasse realizar alguns) obrigam a que se mexa e isso faz bem ao corpo e ao espírito. E lá continua o (a) pobre, que toda a sua vida correu, a marchar ao ritmo apressado dos grandes amigos.
*Título da autora, Maria de Lurdes.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

rascunho encontrado num caderno abandonado #62

Tinha um problema: pediu ajuda, mas depressa percebeu que não tinha nenhum amigo que lho solucionasse. Tinha uma dúvida: depressa percebeu que não tinha nenhum amigo que lhe desse uma resposta. Quis sair nessa noite: não tinha nenhum amigo que o acompanhasse. Quando finalmente percebeu que não tinha nenhum amigo, meteu o revólver na boca e puxou o gatilho. Acabaram-se os problemas e as dúvidas, pensou, segundos antes de morrer.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

uma semana!*

Primeiro dia. Resisto ao desejo de te dizer bom dia, ponho o meu melhor sorriso e ninguém te vê. Tu moras dentro, mas só eu sei. Por isso, às vezes pouso a mão sobre o coração, para te aconchegar. Ainda é serena a tua ausência. Quase presença. Releio o teu último conselho. Uma semana!... Não é muito tempo, mas neste momento parece-me excessivo. Veremos, talvez consiga. Talvez a noite chegue e te deite a meu lado. Preciso tanto descansar! Mas, sabes, gosto de o fazer perto de ti. Esconder-me nos teus braços, fechar os olhos e esquecer-me. Disseste uma semana?...
*Título da autora: Maria de Lurdes.

RoughDraft 3.0

RoughDraft - eis a razão porque me tenho ausentado da blogosfera por largos períodos. Um processador de texto concebido pelo escritor Richard Salsbury; importei, ou melhor, copiei todos os meus documentos para este formato, pois este processador não consegue importar textos escritos na última versão do MicrosoftWord nem do OpenOffice, programas que utilizava até que há alguns dias descobri este programa na internet. Esta última versão é já de 2005, talvez em breve apareça uma ainda melhor. Entretanto, para mim, este é o melhor processador de texto jamais concebido. Atenção, para quem queira simplesmente escrever. Não dá para adicionar tabelas, nem imagens, nem tralha nenhuma. Apenas para escrever. Experimentem e digam qualquer coisa. Eu escrevi 27 páginas em três dias. É que até dá vontade de escrever; parece que estamos a escrever directamente sobre as folhas de papel, mas com o conveniente de se poder acrescentar, substituir, trocar de lugar, eliminar, como em qualquer processador de texto... Se alguém conhecer mais algum processador deste tipo, é favor avisar, para eu poder experimentar!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

rascunho encontrado num caderno abandonado #61

É permitido fumar neste poema
Pedir ou oferecer palavras
Acendê-las ou apagá-las
Atirar com elas para o chão
Perfumar a atmosfera
Com o seu cheiro. Esquecê-las
Sobre uma mesa, uma parede
Um pedaço de papel amachucado.
Ávidos, chupá-las, aspirá-las,
Inspirá-las, sugá-las, expirá-las
Para o ar poluido da terra.
Podem fumá-las à vontade,
Não matam nem causam impotência.
Podem prender ou libertar,
Ferir ou curar. As palvras
Belas para uns, para outros feias
Ou apenas inúteis, as palvras
Não salvam os inocentes,
Não libertam dos carcereiros,
Nem acabam com os tiranos.
Tudo podem e nada conseguem,
Como um cigarro, acalmam.
Iluminam um instante, ficam
Como um fio de fumo cinzento
Na memória. E desvanecem-se.

A uns incomodam, fazem falta
A outros. Podem fumar à vontade
Neste poema. Não há ar puro
Na atmosfera onde se alimentaram
As árvores de onde vieram
As fibras deste papel. Aqui,
Como numa velha tabuleta
Abandonada, está escrita
Uma velha e inútil indicação

É permitido fumar sozinho,
Aos pares ou em lúbricas orgias,
Homens com mulheres, mulheres
Com mulheres, homens com homens,
Ou outras possíveis combinações,
Livres e de comum acordo.
Às palvras não se colocam restrições,
É permitido beijá-las em público,
Aqui nenhum amor é impúdico,
Os amantes podem expressar
O amor sem se envergonhar.


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

conversa no msn*

pessoa 1 - Obrigado por todo o conhecimento que partilhas.
pessoa 2 - Ui! Que conhecimento do caraças! Não serve para nada...
pessoa 1 - Claro que serve... Quem me dera...
pessoa 2 - Para quê? Preferia ser uma pobre ceifeira... Não sofria tanto por dentro...  
pessoa 1 - Parece a lógica do Alberto Caeiro...
pessoa 2 - ... Fernando Pessoa... Nem a minha alma seria um barco a meter água por todos os lados... A Ceifeira é do próprio...  
pessoa 1 - Às vezes dou cada argolada...  
pessoa 2 - Acontece... Olha, pomos sonhos demais na alma; e para quê, se no fim morremos todos? Sentemo-nos calmamente à beira-rio...  
pessoa 1 - O livro que não sai da minha mesa de cabeceira é "Poesia do Eu" de Fernando Pessoa... De vez em quando abro para ler um poema...  
pessoa 2 - Eu agora só leio o Álvaro... É tudo o que tenho, livros... Raios partam os livros, a vida e quem lá ande...  
pessoa 1 - Tens mais coisas... Mas sim, os livros são uma boa parte da tua vida. Quando páro numa livraria lembro-me sempre de ti!
pessoa 2 - Não, não tenho, e os livros, hei-de queimá-los! Que trauma! É melhor que vás ao psiquiatra enquanto ainda é tempo...
pessoa 1 - Vá lá.. não comeces a "Esparvoar"...  
pessoa 2 - Oh... eu falo sempre a sério! Quando pensam que estou a "esparvoar" estou a falar a sério, mas as pessoas não me levam a sério, que hei-de fazer? Bem, vai lá dormir, não quero ser o causador das tuas insónias! Bem basta o trauma das livrarias...
pessoa 1 - Não me digas? Não te levam a sério!! Claro que levam... mas quando te digo que estás a "esparvoar" é porque acho que deves parar e pensar bem no que dizes...
pessoa 2 - Oh! Eu penso sempre, é a única coisa que faço, pensar... mas eu sou - sempre fui! - cruelmente realista, não gosto de eufemismos...  
pessoa 1 - Pois... ok.. é tanto que às vezes dá um nó não é? Pelo menos é o que me acontece quando penso muito... É isso que eu gosto mais em ti, eu não sou muito assim, como tu... Gostava de ser um bocadinho como tu nesse aspecto...
pessoa 2 - A vida real é cruel... As pessoas morrem, maltratam-se, abandonam-se, esquecem-se... Somos circunstanciais...  
pessoa 1 - Mas acho que tu também precisavas um bocadinho da minha "positividade"... E eu precisava do teu terra-a-terra...  
pessoa 2 - Por mais que digamos o contrário, não sentimos os sentimentos dos outros...  
pessoa 1 - Pois... Isso nunca!
pessoa 2 - Portanto, as dores dos outros não nos doem, nem as alegrias dos outros nos alegram! Somos - seremos sempre - sozinhos. Pegando na frase do velhinho Jean-Paul Sartre, o inferno são os outros... por causa daquilo que vemos neles que nos faz lembrar da nossa verdadeira natureza... não são as dores dos outros que nos doem, é a possibilidade de também nós podermos ter a dor que os outros têm que nos dói...  
pessoa 1 - Pronto... Tu levas tudo ao extremo!  
pessoa 2 - Eu falo claro, digo as coisas como são...  
pessoa 1 - Enfim... Depois nós conversamos...

 *Conversa reproduzida sem a autorização dos intervenientes; espero que não fiquem chateados comigo... A conversa foi devidamente truncada, reorganizada e corrigida!
Quando as soluções estão no passado, do futuro apenas podemos esperar problemas.*
*Frase que me foi dita hoje, em conversa de café, que considerei incrivelmente certeira. Quem ma disse, disse tê-la ouvido, ou lido, não se recorda. Se tem prévio autor, desconheço-o.

rascunho encontrado num caderno abandonado #60

The Anatomy Lesson Elsie Russell painting pintura
Disseste-me: o ódio, ao contrário do amor, não precisa de ser alimentado para florescer. Entendi o que querias dizer, e concordei, sem reflectir no assunto. Depois pensei, e julgo que há amor que cresce sem ser alimentado e há ódio que nunca cresceria se não fosse alimentado. Ou talvez tenhas razão, e o amor que cresce sem ser alimentado não seja amor, mas atracção, paixão, obsessão... e o ódio que não cresceria se não fosse alimentado não seja ódio, mas aversão, crispação, embirração...  

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Imagem: The Anatomy Lesson, de Elsie Russell

ser ou não ser?

Philippe Halsman Salvador Dali pintura fotografia caveiraSer ou não ser - eis a questão; será maior nobreza da alma sofrer a funda e as flechas da fortuna ultrajante ou pegar em armas contra um mar de infortúnios opondo-lhes um fim? Morrer, dormir... nada mais... É belo como dizer que pomos fim ao desgosto e aos mil males naturais que são a herança da carne. É esse um fim a desejar ardentemente. Morrer, dormir... dormir... e talvez aonhar. Sim, eis o espinho! Pois que sonhos podem vir desse sono da morte, depois de libertos do tumulto da vida? Eis o que deve deter-nos. Eis a consideração que nos traz a calamidade duma tão longa vida. Pois quem suportaria as chicotadas e mofas do mundo, a tirania do opressor, a insolência do orgulhoso, as dores do amor desprezado, as delongas da lei, a arrogância do poder, o desdém que o mérito paciente recebe dos indignos, quando podia buscar a própria quietude com um simples estilete? Quem suportaria tais fardos, protestando e suando numa vida dura, se não fosse o receio de qualquer coisa após a morte, dessa região não descoberta e de cuja fronteira nenhum viajante regressa, não lhe quebranta a vontade e faz que antes queira sofrer os males da Terra que voar para outros de que nada se sabe? Assim a consciência faz de nós uns covardes; assim a cor primitiva da resolução descora perante a pálida luz do pensamento e empreendimentos de grande porte e importância desviam a sua rota e perdem o nome de acção.  

William Shakespeare, in Hamlet (fala de Hamlet; tradução livre de Ersílio Cardoso)

 Imagem: fotografia de Philippe Halsman, intitulada in voluptas mors (1951), realizada a partir de um desenho de Salvador Dalí.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

ironia do destino...

Soldadinho de Chumbo Imagem Escultura José Eliseu
...Ou da vida! Chegar a Lamego a ouvir Love Kills no Rádio, e partir ao som de How Can I Go On? Ah meu soldadinho de chumbo, ou serias de papel?, cobarde como és, chamar-te soldadinho é até uma ofensa para os Rangers, mas pronto, enfim, todavia, contudo, se queres, que assim seja. Pediste guerra, vais tê-la! Já limpaste as armas? Ah soldadinho, prepara-te que o primeiro tiro já foi disparado! Não ouviste? Estavas distraído? Foi preguiça? Oh meu soldadinho! És todo de chumbo, como poderia o coração não o ser?! Soldadinho, prepara-te para a guerra, que os teus adversários não vão ter misericórdia! Que palavra difícil de escrever, misericórdia, para os disléxicos. Tive que recorrer ao ajudante de memória! Que ajudante? O dicionário, ora!, quem querias que fosse? Conta os dias soldadinho, conta os dias, devagarinho, com jeitinho. Desculpas já não são aceites, e não tentes desertar, que o exército vai-te procurar, encontrar, e castigar! O mau-comportamento tem as suas consequências, sabias? Quando disparas uma bala, a algum lado ela há-de ir parar. E o pior é que o adversário vai começar a ripostar! Imagem: Escultura de José Eliseu, intitulada O Soldadinho de Chumbo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

imagem milagrosa*

*Recebi no e-mail esta imagem, acompanhada deste texto: "O Presidente da Argentina recebeu esta imagem e a chamou de "lixo eletrônico". 8 dias mais tarde seu filho faleceu. Um homem recebeu esta imagem e imediatamente enviou cópias... sua surpresa foi ganhar na loteria! Alberto Martinez recebeu esta imagem, deu-a a sua secretária para fazer cópias, mas eles esqueceram de distribuí-las: ela perdeu o emprego e ele perdeu a família. Esta imagem é milagrosa e sagrada, não esqueça de enviá-la dentro de 13 dias a pelo menos 10 pessoas . Não esqueça e você receberá uma grande surpresa!" Fiquei cheiinho de pena do Presidente da Argentina, coitado, não era preciso tanto, mas com mais pena fiquei do filho que foi logo, logo falecer, sem culpa nenhuma coitado. O gajo que ganhou a loteria (sic), esse sim, esse pulha é que devia ter falecido. É por causa de pulhas como este que estou constantemente a receber e-mails como este. Ao Alberto Martinez, é-lhe bem-feito, para não mandar fazer aos outros aquilo que lhe compete a ele. Que vá delegar p'ró caralho, deve ter dito baixinho a secretária: foi despedida; mas nem depois de despedida a secretária, se convenceu a mulher do Alberto que ele não tinha um caso: perdeu a família; bem-feito, bem-feito, bem-feito! Era o que havia de acontecer a todos os traidores! E não pensem que sou conservador, mas se um gajo quer fazer alguma coisa, então que o faça às claras. Se acha que é errado ter mais que uma mulher, então não ande com duas. Eu, por exemplo, não acho que seja errado. Agora, oh imagem de um raio, se eu ganhar o EuroMilhões na sexta-feira, tenta lá ficar com os meus louros que eu logo te digo... E mais, não se esqueçam de comentar, não se vá a imagem chatear!

domingo, 13 de janeiro de 2008

private joke*

Monaguillos de José Benlliure y Gil Pintor Espanhol
Monaguillos, de José Benlliure y Gil - Pintor Espanhol nascido em 1885, em Valência, e falecido em 1937. Artigo wikipédia. Outros quadros do pintor. *Um soldado raso que se tornou numa anedota. Que transformou a sua vida numa anedota! Private - Adj. Privado, particular, secreto; Subs. Soldado Raso. É mesmo no sentido de "Soldado Raso"! que uso a palavra. Joke - Subs. Gracejo, piada, anedota.

sábado, 12 de janeiro de 2008

rascunho encontrado num caderno abandonado #59

Quando se apaixonava esquecia tudo, os seus olhos só tinham fixação naquele ser. Quando ele não estava perto, andavam zomzos, saltitando de rosto em rosto, prescrutando a multidão para o encontrar. Às vezes ganhava coragem - com o tempo a coragem vinha cada vez mais depressa, mas menos intensa, mais indiferente - ou era ele que vinha falar com ela. Ah! é tão bom!, parecia exclamar. O seu corpo era brilho, o seu sexo era magma. Quando amamos todos os nossos problemas desaparecem, confessava-me. Era, então, esse o segredo do Amor - não nos dá respostas, apenas não coloca as perguntas. Fizemos Amor, confessava-me baixinho, o seu rosto era sorriso, Diz que me ama, que quer ficar comigo para sempre. Contraía-se o seu rosto, ainda com um leve sorriso, e suspirava. Eu, que a conhecia desde sempre - pura verdade neste caso, pois nascera um ano depois dela e cresceramos juntos, já sabia. Saíra a pensar nele, naquele que há anos a deixara a sonhar com a certeza de uma promessa.
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ontem como hoje*

Sem pena ou sem favor, nem por graça devinal, não pode bom servidor medrar neste Portugal. Sem pena sabeis qual pena, a certa pena da pata, que a vivos morte cata e a mortos vida ordena, sem esta ou sem favor que queira Deus eternal, não pode bom servidor medrar neste Portugal. *Sua, sem título, de Álvaro de Brito, século XVI.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Como anillo al dedo…

Lucho, Rocco y Pascual, vinieron al mundo uno después del otro y desde que nacieron una característica los hizo ser especiales: uno lloraba mucho, el otro poco y al tercero todo le daba igual… El tiempo los mantuvo juntos, pues a Lucho la vida le dio mucho, a Rocco poco y a Pascual, no le había ido ni bien ni mal. Ninguno disfrutó de su existencia; uno abrumado por el exceso, el otro insatisfecho por las carencias y el tercero por la indiferencia. Finalmente, así como vinieron, ellos se fueron yendo, pero sufriendo mucho, poco o de un impreciso mal.
Virginia Bákula

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

a minha vida numa palavra (5)

carestia
*carestia - (Lat. acharistia; Gr. acharistia, desagrado), s. f. Escassez; carência; alta de preço; preço superior ao valor real. *NÃO CONFUNDIR COM carístia - (Lat. caristia), s. f. Banquete íntimo, celebrado nos dias 22 de Janeiro, entre os romanos. (1) (2) (3) (4)

a arrumação adiada*

Não tirei bilhete para a vida, Errei a porta do sentimento, Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. Hoje não me resta, em vésperas de viagem, Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, Hoje não me resta (à parte o incómodo de estar assim sentado) Senão saber isto: Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Grande é a vida, e não vale a pena haver vida. Excerto que um poema de Álvaro de Campos, que pode ser lido integralmente nas páginas 427-429, edição da Assírio & Alvim, "Poesia" de Álvaro de Campos. O título retirei-o do 5.º verso. O poema não tem título... *Estive a adicionar blinks, uma imagem, Love, de Keith Haring, e o link para um vídeo no youtube. Quando acabei, estiquei a minha mão para o volume Poesia de Álvaro de Campos, abri ao acaso, e calhou este poema em sorte...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

*

nessa altura bebíamos genebra sentados na mesa do canto do café mondego agora bebemos mescal não nos sentamos a não ser em cadeiras que atravessam o tempo pois o café mondego é hoje um banco qualquer nessa altura falávamos de poetas que só bebiam absinto abandonávamos os poetas à sua sorte à sua loucura agora passamos as noites a beber cerveja guiness apinhados contra o balcão de um bar de música jazz evitamos falar de poesia e de poetas loucos falamos de política e de corrupção contamos anedotas arrotamos baixinho escrevemos versos nas paredes do quarto de banho à primeira vista somos os mesmos
Américo Rodrigues, in CINCO Novos Poetas da Guarda (obra colectiva). Blog de Américo Rodrigues. *o poema é mesmo assim, sem título, mas eu tinha que meter o asterisco em algum lugar! para dizer que admiro e respeito muito quem beba genebra. ou tenha bebido. eu próprio bebi genebra, embora não me respeite nem me admire nada. nada me espanta. genebra é das piores bebidas que passaram pela minha garganta. e passaram muitas. muitas de qualidade duvidosa. quase não bebo desde os dezanove anos e meio. as bebidas são perniciosas em mim. perniciosa, substantivo feminino: febre palustre intermitente, de carácter muito grave, acompanhada de delírio e quase sempre mortal. têm dois efeitos em mim as bebidas. para além da embrieguez, esse não conta. primeiro, começo a falar de uma pessoa de quem não quero falar. tento resistir, mas não consigo não falar. segundo, não vou aqui revelar. portanto, deixei de beber, embora desafie qualquer um. tolerância ao alcoól é coisa que não me falta. excepto, nunca percebi porquê, ao vinho. é tiro e queda. ao meio litro começo a sentir um latejar no cérebro. ao litro, falo entaramelado, ao litro e meio digo o que não quero. depois disso é o desastre. cerveja, não sei qual é o meu limite. da última vez que estive quentinho já tinha bebido mais de uma grade e ainda aguentava com mais, pois ainda não tinha começado a falar do que não quero. a vantagem de um gajo ter uma grande dor, ou angústia, ou como lhe queiram chamar, é que sabe sempre quando é que chegou à red zone. é infalível, como a cicatriz na testa do potter. quando aquele cujo nome não deve ser pronunciado se aproxima, estamos perto do perigo. depois, voltando atrás, poucos acreditam nas minhas capacidades alcoólatras. nos últimos sete anos estive bêbedo uma única vez: dois litros e meio de vinho branco e meio litro de vinho tinto. ainda não passava da meia-noite e meia e já estava arrumado nas boxes. a dormir que nem um anjinho, como é uso dizer-se, estômago esvaziado e uma dor no lombo que só iria sentir nos dias segintes. poucos acreditam porque poucos sabem que aos treze e aos catorze anos me embebedava, que aos onze e doze já bebia, que aos quinze e dezasseis afogava as mágoas como gente grande, que aos dezassete e dezoito experimentei coisas que a maioria das pessoas nunca chega a experimentar, que aos dezanove tinha diversas faces, várias vidas duplas, e a certeza terrível e temível que por mais relações que tenhamos, mais firmes ou de circunstância, estamos sós. disto tudo me lembro sempre que penso em genebra, a pior bebida que passou pela minha garganta, perdoem-me os apreciadores dessa bebida. mas venha daí um whisky duplo sem gelo.

aviso à navegação

Ontem, no TMG, disse-me um acabado-de-conhecer para escrever deve ser precisa uma paz de espírito muito grande. Não sei se era uma afirmação ou uma pergunta. Um preguiçoso encolher de ombros foi a minha possível resposta. Talvez seja por isso que eu deixei de escrever. Outros, para escrever precisarão de outras coisas. Eu preciso de um lápis ou caneta e de papel. Às vezes escrevo apenas no pensamento. A maioria das vezes perco o escrito no fundo da gaveta do cérebro. Não tivesse o cérebro tantas gavetas e lugares recônditos, talvez encontrasse algum texto digno de ser escrito, lido, publicado. Analepse: o índividuo acabado-de-conhecer, não tenho certeza do seu nome, Paulo (?), veio de Lamego, de Lamego!, onde anda, andou (?), nos Rangers. Há sempre uma ironia qualquer nos acasos da minha puta de vida. Porque é que é sempre uma bêbeda ou um gajo de Lamego a ler-me as entranhas?! Bem, ao menos desta vez o gajo não acertou; se há coisa que não tenho é paz de espírito (ou era uma insinuação do gajo, a dizer sei bem que não escreves há meses, é a paz de espírito, não é?). E coisas que não tenho é o que mais há; as que tenho contam-se pelos dedos e são sobretudo ilusões. Fez-me lembrar da alcoólica que um dia, numa mesa de um bar, em Coimbra, se veio sentar na nossa mesa - lembras-te Samuka? lembras-te Mafalda? - assim, sem mais nem menos, talvez gostasse das nossas carinhas larocas, e desatou a acertar - não? - nas nossas vidas: tu tens uma tristeza muito grande dentro de ti, disse-me. Reparem que não disse tu és uma pessoa muito triste. Não!, tu tens uma tristeza... E é uma tristeza muito antiga, acrescentou. Agora fujo a sete pés dos bêbedos. Não há gente mais clarividente que os bêbedos. Eu quando estou bêbedo também sou lúcido. Só que não consigo reconstituir as ideias que tive. O problema é a arrumação que damos às ideias que temos enquanto estamos bêbedos. Vamos lá lembrar-nos da gaveta onde as enfiámos! Às vezes aparecem-nos umas ideias à flor do cérebro, mas não vêm inteiras. Onde iremos desenterrar o resto? A bêbeda, lembro-me agora, chamava-se Maria João. Podia ter outro nome qualquer, mas este era o dela. Onde ia eu? Vou mas é formatar este texto e publicá-lo no blog, antes que me esqueça. É que tinha vindo aqui para fazer mais um aviso à navegação: muitas pessoas têm-me adicionado no msn. Ora, eu raramente vou ao msn. E quando vou, vou com conversa marcada. O melhor é enviarem-me um e-mail, não pensem que vos rejeitei, ou eliminei, ou bloqueei.

Carta a Fátima*

Lembras-te Fátima? era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? quem se lembrará de mim? se nem tu já te lembras de mim agora, tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes... Dizias: como dantes e não era já nisso que pensavas, e não era já para mim que falavas, eu era uma coisa para esquecer, para deitar fora, uma coisa que se abandona caída no chão e se perde sem pena. Dizias: «adeus» e saías da minha vida com um aperto de mão desembaraçado, quase cordial um gesto de boa camarada, como se nada tivesse havido antes, como se não tivéssemos sido tantas vezes na cama, um dentro do outro, um no outro, um-outro diferente, uma coisa sublime: Deus Criador, como os míseros humanos só ali o podem sentir e saber; um Outro que éramos nós ainda, mas tão transtornados, tão virados para fora de nós, tão esquecidos do mundo e de nós, tão eficazes, tão leais, nós boca com boca, corpo a corpo, um sexo torturando um sexo, mordendo-se devorando-se, numa febre de chegar ao fim depressa, ao esquecimento, ao repouso. Disseste: adeus e eu odiei-te logo nesse minuto, como te odeio agora, não por ti ou pelo teu corpo que já me esqueceu noutros que vieram depois, mas porque morri ali naquela palavra, -morri entendes? -, perdi-me numa grande confusão, esqueci-me de ser eu, fiquei roubado do meu passado. Hoje, encontrarias um outro homem; havia de rir-me do teu corpo, da sua entrega ou das suas traições, de tu me dizeres: «Vem» ou «Adeus...», ou «Não quero...». Hoje, saberias quem fizeste com uma só palavra, conhecerias um outro homem, que é obra tua, minha segunda mãe! Hoje, havia de rir ou chorar, era a máscara do momento; mas diria: tanto faz..., tanto me faz... Sabia-o! *Texto de Luiz Pacheco (mais de/sobre Luiz Pacheco) Post-Scriptum: a propósito de um e-mail recebido, esclareço: quando aqui digo que "gostava de ler todos os livros de Luiz Pacheco, mas tenho receio que depois desate a plagiá-los" não é no sentido literário que digo plagiá-los... é noutro sentido, em que plagiá-los pode ser substituido por vivê-los... E depois, quando digo que nunca li nenhum livro de Luiz Pacheco posso muito bem estar a mentir... qual a diferença substancial entre verdade e blague?! Não há por aí muita gente que nunca leu uma linha de Luiz Pacheco e que se dá ares de expert!? Ah, é que ler vai muito para além do acto de juntar letras-sílabas-palavras-frases-parágrafos... Outra notinha: o negrito é da minha responsabilidade; vá, substituam "Fátima" por um nome à vossa escolha e voltem a ler... Eu substitui por ***** (queriam que eu dissesse não era?! seus voyeuristas!)... Tomem lá mais umas reticências... que já vão daqui contentes...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

to smoke or not to somke

Fumador. Não radical. Ou seja, fumo imenso mas acho muito bem que quem não quer fumar não o faça por minha via. Uma legislação que restrinja o consumo de tabaco em locais públicos? Muito bem! Que se proíba o consumo de tabaco em todos os locais públicos? Não! Veementemente não. Isso não é uma política de saúde pública, isso é uma intrusão na saúde individual. O Estado-paizinho. Saí ontem do aeroporto de Portela. Onze horas Lisboa-Maputo. Mais duas anteriores (pelo menos) de acesso ao avião. A nova lei anti-tabagística entrou em vigor, tantos anos depois da sua introdução noutros países. Pois no aeroporto da Portela não se cuidou de estabelecer um único local destinado ao fumo - como existem numa pluralidade de aeroportos fora de Portugal. Fuma-se na rua, com um único cinzeiro apinhado de milhares de beatas que ninguém limpa. É inadmíssivel esta sobranceria arrivista de legisladores e executores, um pouco o provincianismo do "bom aluno" das coisas lá de fora, tornado mais papista do que o papa, mas não só, acima de tudo mero autoritarismo dos pequeninos medíocres nos pequeninos poderes. Os aeroportos portugueses são locais públicos, sob tutela estatal. Não são "escolas de virtudes". Que se instalem locais à partida e à chegada para fumadores. Confortáveis, arejados e higiénicos. Mais que não seja porque é esse o espírito da lei, restringir os locais de consumo, não eliminá-lo. Ou então não é, é uma lei anti-tabaco, e o nosso governo que proíba o seu comércio (já agora vendem-se cigarros em lojas do aeroporto, não é um paradoxo?). E então será outra a discussão. Adenda: Aqui deixei Moção sobre o assunto.
José Pimentel Teixeira, inblog ma-shamba.

a pesquisa...*

*Recebido por e-mail... enviado por pessoa que se identificou como "um leitor deste blog"... não sei se era exactamente deste, ou de outro qualquer... se não conseguir ler, clique na imagem para ampliar...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco (1925-2008)

Sube pelo blog hoje há conquilhas... que O escritor e crítico literário Luiz Pacheco, de 82 anos, faleceu sábado, 05/01/2008, à noite.

Nascido em Lisboa a 7 de Maio de 1925, Luiz José Gomes Machado Guerreiro Pacheco frequentou o primeiro ano do curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, mas acabou por desistir devido a dificuldades financeiras.
Luiz Pacheco publicou dezenas de artigos em vários jornais e revistas, incluindo o antigo Diário Popular e a Seara Nova, e acabou por fundar a editora Contraponto em 1950, onde publicou obras de escritores como Raul Leal, Mário Cesariny, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Hélder e Vergílio Ferreira.
Dedicou-se também à crítica literária e cultural, ganhando fama como crítico irreverente, que denunciava a desonestidade intelectual e a censura imposta pelo regime do Estado Novo.
Com uma vida atribulada, por vezes sem meios de subsistência para sustentar a família, Luiz Pacheco chegou a viver situações de miséria que ia ultrapassando à custa de esmolas e donativos, hospedando-se em quartos alugados e albergues.
Foi nesse período difícil da sua vida que se terá inspirado para escrever o conto "Comunidade" (1964), que muitos consideram ser a obra-prima de Luiz Pacheco.
A "Carta-Sincera a José Gomes Ferreira" (1958), "O Teodolito" (1962), "Crítica de Circunstância" (1966), "Textos Locais" (1967), Exercícios de Estilo (1971), Literatura Comestível (1972) e "Pacheco versus Cesariny (1974), são apenas algumas das muitas obras publicadas por Luiz Pacheco.


PARA DAR O EXEMPLO

Por Carlos Quevedo/Rui Zink

FOMOS ENTREVISTAR O MAIOR ESCRITOR VIVO. O MAIS ESCRITOR, O MAIS PORTUGUÊS, O MAIS VIVO: LUIZ PACHECO

Luiz Pacheco, escritor, sofre de asma brônquica. Calvície precoce. Fractura do úmero devido a tentativa de suicídio na Av. De Berna. Queda de dentes natural quase total. Efizema pulmonar bilateral diagnosticado em 1958, obrigado a uso permanente de botija de oxigénio, à noite e ao levantar. Hérnias inquinais não operadas com uso de funda dupla. Hipersensibilidade ao álcool, o que o conduziu a uma fraudulenta fama de alcoólico incorrigível.
Tratamento de desintoxicação no Centro António Flores, ambulatório e dois internamentos. Miopia e astigmatismo, quase cegueira. Bissexual assumido. Leve surdez do ouvido esquerdo. Andropausa total. Três mulheres reconhecidas. Três estadias no Limoeiro: 1957, 1959, 1968. Duas estadias na cadeia das Caldas da Rainha: 1967, 1968. Prisões ocasionais e breves em esquadras da polícia. Autor, entre outros títulos, de: Literatura Comestível. O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor. Exercícios de Estilo. Comunidade. (Entrevista Completa no blog O Funcionário Cansado)

Nunca li nada de Luiz Pacheco. Tirando agora este texto e a entrevista acima referida. Disse o porquê aqui. É, dos escritores que não li, o que mais quero ler; e o que mais próximo e mais distante está de ser lido. Até sempre Luiz.

sábado, 5 de janeiro de 2008

[post #900] é permitido fumar neste blog!

Fumadores Smokers Fumeurs É Permitido Fumar Símbolo
[verídico, Pinhel 03/01/2008] Antes de entrar no café, acendi um cigarro, encostei-me a um pilar e calmamente fumei, expirando lentas bafuradas de fumo frio e cinzento por entre as gotas de água que escorriam, quase chuva, quase névoa. Entrei. Ao balcão um reformado, cinzento, cinzenta a roupa, os cabelos, o olhar. Cinzenta a expressão. Ex-fumador. Peço um café. Não tenho pressa, mas não me vou sentar. Tomo o café ali mesmo. O homem olha-me. Quer falar-me. Até o conheço. Ele até me conhece. Mas há dias em que não me apetece conversar com meros conhecidos. Nem lhe dirigi a palavra. Vou fazê-lo agora... Mas antes que possa dizer qualquer coisa diz-me ele: Que cheiro a tabaco! Esta agora, penso. Ou nem chego a pensá-lo. Há dias em que não suporto proto-moralistas, ainda para mais recém-convertidos que, como sabemos, têm por costume ser os mais fanáticos. Respondo-lhe de imediato, num tom grave, olhar crispado de pouca amizade: O cheiro ainda é permitido, não é?! Acabo o café e volto para a rua. Acendo um cigarro. Imagem inblog Arrastão.
FIHANKRA* todos os dias são iguais e nenhum parece assim não te mandarei como outrora um fruto para os teus lábios anunciando o breve rumor dos meus passos afundando-se na neve todos os dias são iguais como a pureza como a morte tudo trazem tudo levam: são partos de luz sem destino nenhum *Título do autor, António Godinho, na obra conjunta CINCO Novos Poetas da Guarda, Edição do Aquilo - Teatro, Dezembro de 1998. Originalmente publicado na revista "Aquilo" n.º 8 de Julho de 1984. Blog de António Godinho.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

cidades

Numa conversa de café, conversa chocha agora em versão sem cigarro, um ente perguntou-me, insistindo, Qual a cidade da tua vida, aquela onde gostarias de viver?... Resposta assaz difícil de encontrar... Daquelas em que vivi? Daquelas que sonhei? Das que desejei? Daquelas que por algum motivo, muitas vezes não o melhor, me dizem alguma coisa? Não sei, não sei... Não faço ideia! Tenta! Tento? Queres nomes? O que te importa é uma resposta, não a resposta? Assim são as pessoas. Contentam-se com uma resposta, sem quererem saber se a resposta é a resposta... Talvez seja uma destas, por ordem alfabética, admitindo que de facto eu gostaria de viver numa cidade: Amesterdão, Bruxelas, Coimbra, Genève, Guarda, Lamego, Lisboa, Los Angeles, Neuchâtel, Nyon, Paris, Pinhel, Veneza. Esta é a lista das que encaixam em algum dos critérios acima citados. Todavia, é provável que não seja nenhuma destas. Enfim, Paris é a que mais tenho sonhado, contudo é outra aquela que mais tenho desejado... Quadro de Stephen F. Soitos intitulado Night City. Site do Pintor.

rascunho encontrado num caderno abandonado #58*

Quando te encontrei...
Por entre a densa floresta devastada, escura e fria da minha alma, abriste um caminho até ao meu coração - e, calmamente, minuciosamente, como quem agarra um bem raro, frágil, precioso, restauraste as cordas e molas que o fazem bater. Agora é como um relógio alegre; um doce palpitar no meu peito. A luz regressou aos meus dias, deste cor ao cantar dos pássaros - e os olhos abriram-se-me outra vez para a beleza do mundo - como se novamente tivessem nascido.
rascunhos encontrados num caderno abandonado anteriores: #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38, #39, #40, #41, #42, #43, #44, #45, #46, #47, #48, #49, #50, #51, #52, #53, #54, #55, #56, #57, *Post dedicado à minha amiga Rita, que no Natal me enviou este sms: "Nesta noite mágica penso nos que com a sua luz alimentam o meu brilho nos olhos... Penso em ti... Recebe das estrelas a ternura, um beijo e aquele abraço *Feliz Natal*" - Não sei se foi uma mensagem personalizada ou se foi igual a tantas outras para tantas outras pessoas; foi a única que me tocou! Claro que fiquei tocado pelo gesto de todas as outras pessoas, mas não pelo texto tantas vezes repetido ao ponto de me questionar Ora vamos lá ver se já tinha recebido esta?... Enfim, não enviei nenhuma mensagem de Natal. Quem me conhece sabe que o Natal, per si, não tem qualquer significado para mim. E a experiência do Natal também não me trouxe ao longo destes 26 anos de vida qualquer significado. O que mais próximo está de despertar em mim é a nostalgia - nostalgia de algo que nunca aconteceu; quiçá a única verdadeira nostalgia... beijinho Rita. Sei que vais ler este post, mais cedo ou mais tarde. Beijinhos e abraços a todos os meus amigos e amigas, signifique lá o que significar essa estranha palavra que assim se escreve.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Curso de Jogador de Futebol

Nesta febre de escolaridade para "inglês" ver, há cursos que se destacam pela inventividade. Eis um verdadeiramente genial promovido pelo Centro de Emprego da Guarda. Um curso que se antevê de muito sucesso e com equivalência ao 9º ano.
Nancy B. inblog Geração Rasca. Imagem do mesmo blog. E vivam as Novas Oportunidades! Daqui a uns três ou quatro anos, para não dizer menos, somos o país onde menos se sabe - ler, escrever e fazer contas - com as habilitações literárias mais elevadas...

chuva

chove lá fora e, como acontece sempre que chove lá fora, chove sobre, através, dentro da minha alma

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Ignorance = Fear*

Keith Haring American Painter Ignorance = Fear Silence = Death
*Keith Haring. Pintor Norte-Americano nascido a 4 de maio de 1958 em Reading, Pennsylvania. Os Haring viviam em Kutztown, numa quinta comunitária, onde Keith cresceu. Desde muito cedo que se tornou evidente a sua predisposição para as artes, em especial para o desenho. Kermit Oswald, o melhor amigo dos tempos de infância recorda Haring: "Havia sempre qualquer coisa de interessante no Keith. Era a maneira como se vestia, o modo como falava, o sorriso que fazia, as caretas ou o rolar dos olhos. Era o facto de conseguir meter-se em sarilhos com a mesma rapidez com que conseguia livra-se deles. Enfim, Keith e eu éramos conhecidos como sendo os artistas da escola. Éramos ambos doidos por desenhos." Entre 1976 e 1978 estudou design gráfico numa escola de arte em Pittsburgh, mas desiste e muda-se para New York; nos anos 1980 New York era um local fervilhante onde estavam sempre a aparecer novidades. Adolescentes e jovens adultos chegávam de todas as partes dos Estados Unidos e dirigiam-se para East Village, com o intuito de viver e criar. Eram uma nova geração que ocupava o lugar da cultura hippie. Keith fez parte deste grupo em efervescência, misturando a cultura dos clubes nova-iorquinos, a música punk-rock e o graffiti, que invadia as ruas e o metropolitano da cidade. Os trabalhos que viria a produzir, na década de 80, reflectem, entre outros, temas relativos ao homoerotismo e à SIDA, doença de que viria a ser vítima, a 16 de Fevereiro de 1990, com apenas 31 anos. Para saber mais sobre Keith Haring: aqui e aqui, por exemplo, claro! Post-Scriptum: Os meus parabéns, ainda que atrasados devido ao meu retiro blogosférico, ao blog Da Literatura por mais um aniversário; e um excelente 2008 a tod@s!