quarta-feira, 5 de novembro de 2008

dust to dust, ashes to ashes

memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris!

sim, eu sei, eu sei que não me ouves, sei demasiado, bem demais, e cada vez que ao pensamento isso me acorre, estala-me na pele o chicote da memória. sei que não me ouvirás nunca mais, e nunca mais é tanto tempo, é a eternidade em vida, é tarde demais, porque nunca mais é sempre tarde demais, nunca mais é demasiado para um corpo só, nunca mais é uma dor enorme para um corpo que se abandona ao vento como um grão de pó, e como um grão de pó também a tua memória vagará um dia, num assobio do vento, nunca mais é um flagelo, para o espírito, a mente, a alma, para esse lugar que pensa e sente, para esse lugar sem limites, para esse lugar onde a eternidade existe, e eternamente te espera, sabendo que nunca mais, sim eu sei, sabendo que nunca mais me ouvirás.

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