domingo, 15 de junho de 2008

Gosto do céu porque não creio que elle seja infinito. Que pode ter comigo o que não começa nem acaba? Não creio no infinito, não creio na eternidade. Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba E que agora e antes d'isso há absolutamente nada. Creio que o tempo tem um princípio e tem um fim, E que antes e depois d'isso não havia tempo. Porque há-se ser isto falso? Falso é fallar de infinitos Como se soubéssemos o que são de os podermos entender. Não: tudo é um quantidade de cousas. Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.
Poema inédito de Alberto Caeiro, não datado; transcrito por Jerónimo Pizarro. Publicado p'lo Público na edição de 13/06/2008, no dia dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa.

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