domingo, 13 de abril de 2008

a umas SAUDADES*

Saudades de meu bem, que noite e dia A alma atormentais, se é vosso intento Acabardes-me a vida com tormento, Mais lisonja será que tirania. Mas, quando me matar vossa porfia, De morrer tenho tal contentamento, Que em me matando vosso sentimento, Me há-de ressuscitar minha alegria. Porém matai-me embora, que pretendo Satisfazer com mortes repetidas O que à beleza sua estou devendo. Vidas me dai para tirar-me vidas, Que ao grande gosto com que as for perdendo Serão todas as mortes bem devidas. *ANTÓNIO BARBOSA BACELAR, In. Fénix Renascida.

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