segunda-feira, 21 de abril de 2008

A MESA DE JANTAR*

Os meus parabéns ao Paulo e ao Zé, e ao João. Fiquei contente por saber que o jantar correu bem; por motivos pessoais, que atempadamente transmiti ao Paulo, infelizmente não pude estar presente. Felizmente, foram alegres motivos aqueles que me impediram de ir a este segundo jantar, depois de outros - menos bons - me terem impedido de estar no primeiro, então apenas organizado pelo João. Espero ter a oportunidade de vos encontrar no terceiro. Um abraço a todos, daqui, deste meu cantinho blogosférico. O quadro julgo que se intitula A Mesa de Jantar, e é de Henri Matisse. Não estou com paciência para colocar aqui uma mini-biografia do pintor. Que quem estiver interessado em conhecê-lo melhor tenha a paciência necessária para fazer uma pesquisa num motor de busca; eu continuo a preferir as enciclopédias, mas porque gosto muito das folhas de papel, e da magia e encanto de abrir um livro. Não me perguntem porquê, mas enquanto pensava no que havia de escrever neste post, lembrei-me deste poema que escrevi há alguns anos, e que, não sei porquê, sinto que de algum modo está relacionado com a blogosfera. Se alguém encontrar essa relação é favor deixá-la na caixa de comentários deste post. Aqui fica o poema, para os mais preguiçosos, que dedico a todos os participantes do jantar em que não pude estar presente. Intitula-se

cidades flutuantes  

há cidades longínquas onde as ruas são oblíquas como os sonhos
com becos escuros e recantos húmidos que a noite encobre
com ruelas esguias e esquivas que o desejo domina
cidades aladas com cruzamentos inebriantes como o sexo
com veredas doces adormecendo e carreiros acres como o despertar
cidades invisíveis onde são as raparigas que contemplam os rapazes dormindo

há corpos escorregadios que se envolvem com gestos largos como as estradas que circulam as cidades
corpos que se acendem durante a madrugada e percorrem solitários as avenidas
onde prédios colossais e resplandecentes se erguem como o amanhecer

há fábricas cinzentas com chaminés de chumbo
nos arredores envergonhados como se escondessem segredos indizíveis
onde os finais de tarde são enublados como as manhãs
crepúsculos embaraçados como os rapazes tímidos que esperam os autocarros de mãos nos bolsos
e caem distraidamente nas entranhas do betão
atravessando as chaminés hirtas no horizonte absorto

há desejos invisíveis que cruzam os prédios transversalmente como uma brisa fresca de verão
desejos impossíveis que se vestem às escondidas nos apartamentos dos arrabaldes
ensejos rumorejantes que se concretizam sobre o manto utópico da fantasia

há velhos fitando as raparigas que sobem apressadas escadas infinitas
há caminhos rodopiantes atravessando os sentidos junto aos beirais
há cidades dentro das cidades mudando as cidades
há cidades diferenciando-se dentro das cidades
cidades flutuantes subindo sobre si mesmas até ao infinito

8 comentários:

  1. Claro que fizeste falta, amigo André, mas como dizes, haverá mais e então não terás desculpa.
    Quanto ao teu poema, que é magnífico, adapta-se realmente muito bem à blogosfera, que é em si mesma, um imenso "mundo", de locais, pessoas, ideias, anseios, angústias, partilhas, desabafos e sentimentos.
    Abraço muito amigo.

    ResponderEliminar
  2. Sim não somos mais que modestos habitantes desta grande cidade flutuante chamada blogosfera. Amigo André, a tua falta foi sentida, espero que para a próxima vez possamos contar com a tua presença.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
  3. Não há uma sem duas, nem duas sem três! À terceira será de vez a tua presença.
    O poema tem de facto tudo a ver com a realidade virtual. De facto, encontra-se de tudo...

    ResponderEliminar
  4. Obrigado, André! Claro que já sabia dos motivos e aceitamos o abraço com muito prazer. Fica registado que da próxima vez virás!
    Com mais ou menos poesia, estamos aqui todos, ou mais num ponto ou mais noutro. Destaco os "corpos que se acendem durante a madrugada"; os "segredos indizíveis" e os "desejos invisíveis". Somos assim mesmo: cidades flutuantes.

    Abraço e obrigado por teres aqui posto o poema!

    ResponderEliminar
  5. olá pinguim,

    gostaria muito de ter estado presente, e espero que da próxima essa possibilidade se concretize, mas desta vez era mesmo impossível...

    Eu também tenho interesse em conhecer-te, ao vivo.

    Um grande abraço.

    ResponderEliminar
  6. olá special k, assim o espero igualmente! um grande abraço para ti.

    ResponderEliminar
  7. olá tongzhi. À terceira espero que nada haja que me impossibilite de estar presente. E com o ritmo a que o número de presenças aumenta, para a próxima seremos mais que 33! Abraço.

    ResponderEliminar
  8. olá Paulo, está registado!

    Não tens que agradecer o poema. Espero que tenham gostado. Um grande abraço.

    ResponderEliminar

Deixe o seu comentário. Tentarei responder a todos. Obrigado