quinta-feira, 3 de abril de 2008

AMOR


Amor, quantos caminhos para chegar a um beijo,
que solidão errante até chegar a ti!
Os comboios continuam vazios rolando com a chuva.
Em Taltal a primavera não amanheceu ainda.

Mas tu e eu, meu amor, estamos juntos,
juntos da roupa às raízes,
juntos pelo outono, pela água, pelas ancas,
até sermos apenas tu e eu juntos.

Pensar que custou tantas pedras que o rio arrasta,
a embocadura da água do Boroa,
pensar que separados por comboios e nações

tu e eu devíamos simplesmente amar-nos,
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa os cravos.


Soneto II, na obra Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda

Lembrei-me deste poema de Pablo Neruda ao ler o post ...do Amor

7 comentários:

  1. Lindo este soneto de Neruda. Fizeste bem em recordar aqui o comentário do Sócrates da Silva ao meu post, pois ele sintetiza de uma maneira perfeita a essência do amor.
    Abraço.

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  2. Só posso dizer que me arrepiei quando vi a minha frase aqui publicada. No bom sentido. Uma frase dita com o coração na boca, sem refletir muito, mas que vem bem cá de dentro.Obrigado por este gesto que me deu muita autoconfiança (que verdade seja dita, bem estou a precisar...)
    Um abraço bem forte

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  3. Sem amor nada faz sentido. Sem amar, nunca Neruda conseguiria escrever tão belo soneto.
    Um abraço.

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  4. olá pinguim, pensei de imediato neste soneto de Neruda no dia em que li o teu post, mas como não o sabia todo de cor, só tinha a ideia geral, tive que procurá-lo... e o comentário do sócrates, achei-o, para usar a palavra que ele usa no comentário abaixo do teu, aqui mesmo, "arrepiante"... abraço.

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  5. olá socrates, ainda pensei em pedir-te autorização; depois pensei que seria melhor a surpresa... é que citar posts é um hábito quotidiano na blogosfera, mas comentários... fico contente por te ter agradado... Abraço.

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  6. olá special k, é bem verdade... às vezes antes não fosse assim... mas... leia-mos o poema como um substituto do próprio, ou como uma afrodisíaco do mesmo, conforme a situação... Abraço

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  7. Foi mesmo uma boa surpresa! E olha que poucas pessoas me conseguem surpreender.Mais uma vez, obrigado.
    abraço

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