domingo, 9 de março de 2008

rascunho encontrado num caderno abandonado #66

Há anos que vive no limite das suas forças, amparado por esperanças estéreis, alentado por vãs conquistas. Só o sonho não chega p'ra viver, pensa. Muitas vezes quis morrer não o querendo. Tudo me acontece, mas nada de bom, lamenta. Falhado nos estudos, no trabalho, e no amor. Nem a ilusão do dinheiro, para continuar a viver, cogita. Com menos de cem euros na algibeira, depende da boa vontade, da comida e, porque não dizê-lo, e principalmente da pena de familiares e amigos. Que motivos me restam?, questiona-se, nunca quis, tão pouco, matar-me, como hoje, mas nunca como hoje andei tão perto de o fazer. A vida assim é menos que vida. Derrotado por dentro, desmotivado, numa palavra: morto. No entanto continua, sem saber até onde, até quando... Também, ninguém sabe!, diz para si mesmo, olhando-se ao espelho.
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4 comentários:

  1. e tantas pessoas que há no mundo que hão-de, paulainamente, dar-lhe vida! Não duvides!
    Aquele abraço.

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  2. Acho que j� houve uma altura em que me senti mais ou menos assim.
    isso do computador foi um pequeno desastre.
    Hoje em dia guardamos tudo nesta caixinha m�gica, quase nunca nos lembramos que um dia ela pode falhar.
    Um abra�o solid�rio.

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  3. josuué, há quanto tempo que não recebia um comentário teu, meu caro amigo. achas? mas eu é que mando no personagem, e não duvides que, não paulatinamente, mas impetuosamente, hei-de matá-lo! abraço.

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  4. olá special k, felizmente eu vou-me lembrando disso... tinhas os meus documentos mais importantes todos guardados numa pen... mas, ainda assim, faltava-me este último de 40 páginas... vou ter que escrever tudo outra vez, quando tiver paciência para tal... abraço

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