sexta-feira, 28 de março de 2008

40 PÁGINAS PERDIDAS....*

Afinal o tempo passa depressa. disseste que não voltarias se. e não voltaste. destruiste a tua vida e deixaste a minha assim. em suspenso. pensei que não aguentaria, que ao fim de uma semana, ou vá, não sejamos exagerados, ao fim de um mês morreria. porém, fui inventado desculpas para continuar a viver. entretanto, os dias passaram. faz amanhã onze anos. bem me diziam que a vida continua, continua sempre. apenas o tempo é inexorável; podemos mudar tudo o resto, mas nunca voltaremos atrás. um segundo apenas pode deitar tudo a perder. foi por medo ou por vingança? agora nunca saberei, porque tu te manténs inflexível. nem uma palavra sobre o assunto. se tivesse cedido, como seria? posso ficar o resto da minha vida a fazer perguntas, que nunca saberei as respostas, as respostas estão no passado, e ao passado não podemos retornar. mesmo nós, mudámos. podemos voltar a ser quem éramos? dificilmente. ao corpo, o tempo tratou-o como um cruel carrasco. ao espírito, nós nos encarregámos de o vergastar. com as dúvidas, as angústias, as noites em que não conseguimos dormir. parece que foi ontem. para nós será sempre ontem. pois aquele segundo bastou. o instante em que atravessaste aquela porta e eu virei as costas. talvez fosses carregado pela dúvida e ansiedade. ainda estaria sentado à tua espera, quando regressasses? hesitei e. mal da minha vida, dor insuportável transporto em mim desde esse momento. subi a ladeira e fui-me embora. ansioso, esperei que me fosses procurar. mas tu eras inflexível. sempre foste inflexível, e não me foste chamar. Da última vez que te falei, disseste que não querias que fosse assim, que não querias nada do que tinhas, nem daquilo que tinha acontecido. mas eu é que fugi, fizeste questão de frisar. teria mudado alguma coisa? não teria sido exactamente o mesmo? agora nunca saberemos. um dia a morte virá ceifar-nos. vai encontrar-nos distantes. vai-se rir de nós, da nossa cobardia, do nosso medo. tivémos medo daquilo que desconhecíamos, mas que tanto desejávamos. o instinto foi mais forte que o amor. e um amor que não tem força e coragem para lutar contra os medos da vida, não merece existir. nós não merecíamos um amor assim. fomos indignos do amor com que nos amávamos. fizemos da nossa vida este inferno. a raiva crucifixa-nos. todos os dias morremos pregados à cruz que escolhemos transportar. ainda que estejamos sós, há sempre à nossa volta o insuportável escárnio dos espectros que nos atormentam. escurecemos as nossas horas, fizémos dos nossos dias noites contínuas. o sol não voltará a nascer no horizonte. como este parágrafo, as nossas vidas são um longo lamento. despido de pessoas, de lugares, de tempo.
*Eis o porquê... Desculpem os eventuais erros ortográficos, mas estou sem paciência para corrigir os efeitos da minha dislexia...

6 comentários:

  1. Não sei se entendi tudo, se estou a ir por um raciocínio errado; mas parece-me estares perante uma ferida mal sarada que "reabriu"...
    E procuras respostas, procuras ilusões, sei lá...
    Perdoa se estou a divagar...
    De qualquer forma um forte abraço.

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  2. é apenas o prólogo de uma história que eu gostaria de escrever - a única que eu queria escrever - mas não sei se serei capaz de a concluir... e não, não é uma ferida mal sarada, é uma ferida que, se não sarou, nunca sarará... divaga à vontade! eu próprio estou sempre a fazê-lo! grande abraço!

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  3. "ainda que estejamos sós, há sempre à nossa volta o insuportável escárnio dos espectros que nos atormentam" Pois, o problema é sempre este. Parvamente escolhemos fixar-nos no imaterial, incorpóreo, e que, muitas vezes, não existe... Eis uma aprendizagem que estou determinado a fazer: não ouvir estas vozes... Mas penso entender-te. E gostei imenso do texto! Abraço!

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  4. olá rato do campo,

    deves entender! "Um dia vais perceber
    que só não te quis perder" quando li esta frase no teu blog, pensei logo neste texto que andava perdido numas folhas impressas, pois perdi o ficheiro, com outras 40 páginas, quando o meu computador se estragou... abraço.

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