terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

trova à moda antiga*

Mal, de quem me eu contentei,
contas, rematadas já,
agora descansarei,
esta dor me matará;
se não... eu me matarei.

Nas cousas que não é meo
é escusado cansar mais,
ir de receo em receo
e de sinais em sinais.
Em vão cá e lá cansei,
tudo me é tomado já;
agora descansarei,
ou me este mal matará;
se não... eu me matarei.


*de Francisco Sá de Miranda (1481-1558).

2 comentários:

  1. Bela lembrança, André, esta de trazer até aqui a poesia de Sá de Miranda, tão esquecidos que estamos dos escritores desta época.
    Abraço.

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  2. Olá Pinguim. Sim, infelizmente, estamos esquecidos dos escritores que desde a formação da nossa nação contribuiram para a construção da nossa literatura. Fala-se de Camões e Pessoa, e pelo meio apenas um enorme hiato, pontualmente preenchido por nomes como o de Gil Vicente, Bernardim Ribeiro ou Fernão Mendes Pinto... breves referências às canções de amigo, e nos finais do século XIX, Camilo, Herculano, Garrett e Eça de Queiroz... porém, a literatura portuguesa é muito mais... eu, por exemplo, interrogo-me muitas vezes porque é que não se publica nenhuma edição da antologia "Fénix Renascida", onde estão reunidos, no meu entender, alguns dos mais belos poemas alguma vez escritos na nossa língua... enfim, é assim a cultura... deixando-me dos meus devaneios, aqui te deixo um grande abraço, André.

    P.S. Agora andam por aí a falar muito do Padre António Vieira... parece que faz anos...

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