quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

post dedicado aos amantes*




Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.

Quero-te apenas porque a ti eu quero,
a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,
e a medida do meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego.

Consumirá talvez a luz de Janeiro,
o seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história apenas eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.


Coração de Keith Haring.

Soneto LXVI, da obra Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda (Campo das Letras, 1.ª Edição, Maio de 2004. Tradução de Albano Martins).

*Amante, adj. Que ama; que vive em concubinato; s. pessoa que ama; namorado; apaixonado; que tem relações ilícitas. Especialmente dedicado aos que têm relações ilícitas, seja lá isso o que for... [Ilícito, adj. Não lícito; contrário à moral ou às leis; ilegal.]

8 comentários:

  1. Tenho esse poema guardado na minha lista de espera de publicações no meu espacito. Ainda não lhe achei a altura certa para o 'postar'.
    Agora encontro-o aqui. :)
    É simplesmente tudo aquilo que se sente quando se ama a sangue e fogo... é certeiro!
    Um abraço

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  2. eh eh!!! adiantei-me! eu, por mim, postava os cem sonetos do Pablo Neruda... Já postei alguns... hoje calhou a vez deste... um grande abraço.

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  3. Parabéns pelas escolhas e pelas notas esclarecedoras. Um bom 14 e um abraço, ;-)

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  4. obrigado Luis. Sempre achei graça (infelizmente em muitos casos não tem graça nenhuma) à definição de "amante"... grande abraço, André.

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  5. O poema é bom, já se sabe. A definição de amante é que é linda, sobretudo no que toca às relações ilícitas! Adorei a dedicatória. Como devo ter uma relação ilícita - contrário à moral é uma boa hipótese -, bem mesmo a calhar.
    Tem um excelente dia de relações ilícitas!

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  6. não há nada melhor que as relações ilícitas... pela adrenalina da contra-ordenação... a beleza de romeu e julieta não seria a mesma, se não fosse um amor ilícito... acho que quem nunca amou ilicitamente, não sabe o que é o amor, porque o amor ilícito tem que lutar... abraço.

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  7. Claro que também me sinto tocado pela tua dedicatória deste belo poema de Neruda e do célebre Coração do Keith Haring, pois como bom amante sou um "ilícito relativo" (nunca tinha dita tamanha "calinada"...)
    Obrigado.
    Abraço.

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  8. olá pinguim, julgo que todos os amores, na cultura ocidental (com influências judaico-cristãs), tem o seu quê de ilícito... uns amantes serão mais ilícitos, nesta tradição de sentimentos de culpa (o pecado), outros menos... mas no fim, acho que os únicos pecados que persistem na nossa memória, são aqueles que ousamos cometer... e os maiores sentimentos de culpa, advém daqueles que não tivémos coragem de realizar.

    abraço.

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