sexta-feira, 30 de novembro de 2007

a minha vida numa palavra (3)

dommage *dommage - s. m. perda; dano; prejuízo. (1) (2) Post-Scriptum: Se alguém souber o significado de "DOMMAGER", agradecia encarecidamente que deixasse um comentário a dizer-me. Dommage é uma palavra francesa. DOMMAGER também é utilizado pelos falantes do Francês, mas não consegui ainda perceber o que é que querem dizer com a palavra... É uma palavra que aparece por vezes em livros e filmes, mas que não é traduzida. Portanto, se alguém por aí souber o seu significado, ficaria muito grato. Obrigado. Adenda: Para ser mais específico, no significado que procuro: pretendo saber o significado da palavra DOMMAGER, utilizada em sentido conotativo, como substantivo e/ou adjectivo! Obrigado, uma vez mais.

Fernando Pessoa (1888-1935)

I Know Not What Tomorrow Will Bring Fernando Pessoa Poet Literature
Fernando Pessoa 13 de Junho de 1888 - 30 de Novembro de 1935

rascunho encontrado num caderno abandonado #45

Foste um sonho, amor,
E no sonho éramos felizes,
Mas eu acordei
E o leito estava vazio.
Eras uma miragem
E quando eu te toquei, amor,
Tu acabaste. Quando tive frio,
Foste o fogo que me aqueceu
Mas quando o Inverno chegou,
Amor, tu eras pequeno
E frágil. A tua chama
Extinguiu-se e eu arrefeci.
Não sei, amor,
Se eras tão pouco,
Porque é que nunca te esqueci.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

o dicionário

Disse-me um amigo: - Não percebo, como é que sabes o significado de tantas palavras?! Perguntei-lhe: - Quando é que foi a última vez que abriste um dicionário?! - Lá me lembro disso, agora!...

Memorial às Vítimas de Intolerância*

Durante três dias (19, 20 e 21) do mês de Abril do ano de 1506, em, Lisboa, num processo que teve início na Igreja de S.Domingos, uma multidão em fúria, incitada por fanáticos religiosos, perseguiu, chacinou e queimou, em duas enormes fogueiras acesas no Rossio e na Ribeira, cerca de 2000 pessoas suspeitas de judaísmo, naquele que terá sido, porventura, o mais brutal acontecimento singular da história da intolerância em Portugal. Recentemente, um grupo de vereadores da C.M. de Lisboa avançou com a proposta de instalar na cidade, precisamente no Largo de S.Domingos, um «Memorial às Vítimas da Intolerância», monumento que seria evocativo do massacre de 1506, bem como de "todas as vítimas que sofreram a discriminação e o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções ou ideias". A deliberação final sobre essa proposta tinha sido inicialmente agendada para 31 de Outubro passado mas foi entretanto adiada «sine die», pelo que o Memorial a que ela se refere poderá mesmo... não vir a ser edificado de todo…! Entendendo que se trata de uma iniciativa de grande alcance simbólico - e que só peca por ser tardia, já que Abril de 2006, 500 anos decorridos sobre o acontecimento, teria sido a data ideal para o assinalar... - foi disponibilizada na «Internet» a petição que aqui vos venho agora convidar a subscrever. Subscrever petição. Saudações Republicanas e Laicas. *Correio da Associação Cívica República e Laicidade.

e-mails

Nos últimos dias o número de e-mails, relacionados com o blog, que recebo têm aumentado. Dito com uma palavra que não gosto de utilizar, mas que neste contexto é útil: exponencialmente. Há e-mails mais simpáticos, outros menos simpáticos, alguns mesmo antipáticos, e uns quantos inqualificáveis. Hoje recebi cinco. Quando há poucas semanas, se recebesse cinco num mês era obra! Nem sei bem porquê, até porque o tráfego não é nada de por aí além. Talvez a autoridade no technorati (96) engane! Há alguns a divulgar blogs, posts, petições, vídeos, cartoons, livros, peças de teatro, etecetra. Há aqueles que se querem imiscuir em assuntos privados; outros apenas curiosos; alguns engraçados; também os há patéticos; ou mentecaptos... Não quero com isto dissuadir ninguém de me enviar e-mails. Enviem à vontade, que eu não vou divulgar aqui o conteúdo dos mesmos, nem a identidade das pessoas, a não ser que expressamente mo peçam! Isto tudo apenas para dizer que houve um que hoje me deixou furioso. Para além de me atirar com epítetos menos agradáveis que o minimamente civilizado, não explica porque razão o faz. Talvez seja um e-mail simplesmente absurdo, a testar a minha tolerância ao non-sense. Bem, passou. Queria aqui deixar apenas uma notinha, então: a razão de este blog se intitular apenas e tão-só André Benjamim nada tem que haver com um culto da minha pessoa. Pois nem sequer - como já referi muitas vezes - me chamo André Benjamim. André Benjamim é uma ficção como outra qualquer, boa ou má. Aliás, aqui tudo é ficção. A própria realidade é ficção. Pois como deveriam saber, tudo é realidade porque tudo é ficção. E eu, como deve saber quem me conhece, nem prezo muito a minha pessoa. Tirando duas ou três pessoas (ódios pessois, pois claro), sou até das pessoas que mais desprezo!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Se - a escravatura legal e adocicada*

(...) se o dinheiro não chega até ao fim do mês, se a casa está fria, a cair aos bocados e nem é nossa, se temos de pensar duas vzes para ir à outra banda tratar de um papel por causa do preço dos transportes, se trabalhamos doze horas por dia e mesmo assim a família nos olha de lado porque a vida há muito não corre bem, se os bancos é que mandam, nos chupam, nos chantageiam e nos mantêm num estado de medo constante ao ponto de já haver pessoas que se suicidam por causa das dívidas, se o mundo do trabalho caminha para a escravatura legal e adocicada, se nos lavam o cérebro com papões, se os EUA estão prestes a desencadear uma guerra (mais uma) nuclear contra o Irão com implicações sérias para a humanidade, se um presidente de uma República (Sarkozy) já pode dizer abertamente que agora é a vez dele de ganhar dinheiro, se andamos há cinco anos para arranjar os dentes e pôr a prótese e não podemos, se um filho da puta bem (ou até mal) instalado na vida me diz que eu falo assim porque tenho inveja, se isto tudo e muito mais...
Filipe Guerra, in. O Vermelho e o Negro. *Não resisti a citar aqui este pequeno excerto deste post de Filipe Guerra. Independentemente de concordar ou não com o resto.

os náufragos IX

Beggar Boys Eating Grapes and Melon Bartolomé Esteban Murillo Rapazes Pedintes Comendo Uvas e Melão
Beggar Boys Eating Grapes and Melon (Rapazes Pedintes Comendo Uvas e Melão), de Bartolomé Esteban Murillo (1617~1682) - Pintor Espanhol nascido em Sevilha; uma das figuras mais importantes do período Barroco em Espanha. Ficou conhecido principalmente devido aos seus trabalhos religiosos, pintava imagens de santos e da Virgem, mas tem também um vasto trabalho onde representava mulheres e crianças suas contemporâneas. outros náufragos: os náufragos I, os náufragos II, os náufragos III, os náufragos IV, os náufragos V, os náufragos VI, os náufragos VII, os náufragos VIII

rascunho encontrado num caderno abandonado #44

[ilegível] e eu desespero por alguém - que por certo, que injustamente - que já não é ninguém, como o não sou eu - por isso - também...

A poesia, bengala de palavras, é que me vai mantendo em pé, mas aquilo que até agora ruia dentro de mim, começa a ruir sobre mim. As minhas forças, anímicas e físicas, são já poucas. E eu vejo-me morrer, como se morresse a cada momento em que a sua imagem se dissolve da minha memória. A poesia é o grito de dor - dos gritos que não tenho forças para dar.

Desejo a vida - a vida real que não sei viver; a vida que imagino e não consigo criar; e não esta que sonho, e a sonhar pareço viver...

26 de [ilegível] de 1993 (ou talvez 1998)


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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Adiado "Eu queria encontrar aqui ainda a terra"

O manuel a. domingos enviou-me um e-mail, que apenas li agora, com a seguinte informação:
Devido a um lamentável acidente ocorrido em ensaio, no qual um dos actores fracturou um pé, a estreia do espectáculo "Eu queria encontrar aqui ainda a terra" foi adiada para 16 de Janeiro de 2008, ficando em cena até 18 de Janeiro.
Daqui envio o desejo de rápidas melhoras para o actor.

domingo, 25 de novembro de 2007

A Cigarra e a Formiga - versão moderna*

Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra que eram muito amigas. Durante todo o Outono, a formiguinha trabalhou sem parar, a fim de armazenar comida para o período de Inverno. Não aproveitou nada do Sol, da brisa suave do fim da tarde, dos lindos pôr-do-sol do Outono nem da conversa com as amigas. Só vivia para o trabalho! Enquanto isso, a cigarra não desperdiçou um minuto sequer: cantou durante todo o Outono, dançou, aproveitou os tempos livres, sem se preocupar muito com o Inverno que estava a chegar. Então, passados alguns dias, começou a arrefecer. Era o Inverno que estava a bater à porta. A formiguinha, exausta, entrou na sua singela e aconchegante toca, repleta de comida. Entretanto, alguém chamava pelo seu nome do lado de fora da toca e, quando abriu a porta, ficou surpresa: era a sua amiga cigarra, vestida com um maravilhoso casaco de lã e com uma mala e uma guitarra nas mãos. - Olá, amiga! - cumprimentou a cigarra. - Vou passar o Inverno em Paris. Será que você podia cuidar da minha toca? - Claro! Mas o que aconteceu para você ir para Paris? A cigarra respondeu-lhe: - Imagine você que, na semana passada, eu estava a cantar num restaurante e um produtor gostou tanto da minha voz que fechei um contrato de seis meses para fazer espectáculos em Paris. A propósito, amiga, deseja algo de lá? A formiguinha respondeu: - Desejo, sim: se você encontrar por lá um tal de La Fontaine, o que escreveu a nossa história, mande-o esfregar-se em urtigas...
Moral da história: Aproveite a sua vida, saiba dosear trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício nas fábulas do La Fontaine. *Versão de Vaz Nunes, aqui.

A Cigarra e a Formiga*

Tendo a cigarra cantado durante o verão, Apavorou-se com o frio da próxima estação. Sem mosca ou verme para se alimentar, Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha, pedindo-lhe alguns grãos para agüentar Até vir uma época mais quentinha! - "Eu lhe pagarei", disse ela, - "Antes do verão, palavra de animal, Os juros e também o capital." A formiga não gosta de emprestar, É esse um de seus defeitos. "O que você fazia no calor de outrora?" Perguntou-lhe ela com certa esperteza. - "Noite e dia, eu cantava no meu posto, Sem querer dar-lhe desgosto." - "Você cantava? Que beleza! Pois, então, dance agora!"
*Fábula atribuída a Esopo, versão de Jean de La Fontaine. A mesma fábula, numa versão de Bocage:
Tendo a cigarra em cantigas Passado todo o verão Achou-se em penúria extrema Na tormentosa estação. Não lhe restando migalha Que trincasse, a tagarela Foi valer-se da formiga, Que morava perto dela. Rogou-lhe que lhe emprestasse, Pois tinha riqueza e brilho, Algum grão com que manter-se Té voltar o aceso estio. - "Amiga", diz a cigarra, - "Prometo, à fé d'animal, Pagar-vos antes d'agosto Os juros e o principal." A formiga nunca empresta, Nunca dá, por isso junta. - "No verão em que lidavas?" À pedinte ela pergunta. Responde a outra: - "Eu cantava Noite e dia, a toda a hora." - "Oh! bravo!", torna a formiga. - "Cantavas? Pois dança agora!"
Moral da história: Os que não pensam no dia de amanhã, pagam sempre um alto preço por sua imprevidência.

salários e bom senso

Ora aqui está uma história exemplar, que os empresários Portugueses e o Governo deveriam tomar em consideração: O empresário italiano Enzo Rossi (...) resolveu passar um mês a viver com os mil euros que paga aos seus operários, dando a mesma quantia à sua mulher, que também trabalha na empresa. (...) Embora Rossi e a mulher se tenham restringido ao essencial, o dinheiro acabou a 20 - e Rossi percebeu que, "se o dinheiro acabava para mim, também não dava para eles". Vai daí, deu um aumento geral de €200 aos trabalhadores. (...) O empresário diz que não quer dar lições de ética a ninguém, recusa qualquer ideia de que seja marxista e, com uma frontalidade desarmante, frisa que o aumento que concedeu é a prova de que é "um grandessíssimo egoísta". E porquê? Porque, como explica liminarmente, se o salário é insuficiente, os funcionários vivem sob stresse psicológico, com a angústia de saber se o dinheiro chega ou não ao fim do mês. Isso leva-os a ficar instáveis do ponto de vista emocional "e, consequentemente, trabalharão mal". Ora, como acrescenta, "quero que eles estejam bem, para aumentar os meus lucros". E diz mesmo que a massa que fabrica, um tipo de macarrão finíssimo muito tradicional em Itália, fica melhor e vende mais se o funcionário trabalha feliz. (itálico retirado da crónica de Nicolau Santos, no Expresso). Infelizmente, por cá anda-se mais na onda de querer reduzir os salários, através de subidas inferiores à inflação; e até há mesmo um empresário que sugeriu que se baixassem* os salários, para poder competir com a China! - um argumento destes, é realmente uma ideia da china, como se costuma dizer - não sei o nome do senhor, mas lembra-me de ter lido a notícia, a que liguei pouca importância por ter considerado a ideia tão vã e rídicula. Se alguém dos meus exelentes visitantes souber o nome do senhor, que mo comunique... Talvez possamos fazer uma campanha de envio de e-mails para o referido senhor, dando-lhe conhecimento desta história... Julgo que está ligado ao sector têxtil... *De referir que este senhor se referia ao Salário Mínimo Nacional!

sábado, 24 de novembro de 2007

Freddie Mercury (1946-1991)

Freddie Mercury Singer Queen Yellow JacketFreddie Mercury
5 de Setembro de 1946 - 24 de Novembro de 1991
We have lost the greatest and most beloved member of our family. We feel overwhelming grief that he has gone, sadness that he should be cut down at the height of his creativity, but above all great pride in the courageous way that he lived and died. It has been a privilege for us to have shared such magical times.
John Deacon, Brian May e Roger Taylor
25 de Novembro de 1991

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Mário de Sá-Carneiro!

Como ninguém arriscou, eu dou a resposta: o autor deste poema é Mário de Sá-Carneiro! E...
Mário de Sá-Carneiro Ginginha do Rossio Poesia Literatura
...Pensa-se que terá sido escrito a pensar nesta taberna. (notícia aqui; uma opinião de Francisco José Viegas aqui).

o bolo-rei

Enquanto lanchava dei comigo a pensar É a terceira vez que te calha a fava do bolo-rei, que pouca sorte que tu tens! Ainda este pensamento não se completara, já outro surgia nas encruzilhadas da mente Pudera, ou não tivesses tu comido os três sozinho...

rascunho encontrado num caderno abandonado #43

Era Julho, época das ceifas
Quando os sorrisos percorrem
Alegres, os campos e cearas,
De boca em boca, e o voar
Das borboletas vai de flor em flor
Beijar as faces das ceifeiras.
Ouvia-se o seu límpido cantar
Vozes rumorejando pelo ar
O murmúrio estival do amor.
Sussurei baixinho o teu nome
Por entre o trigo e o centeio
- Ainda ouves a brisa fresca,
O lento gorgolejar da ribeira? -
E fiquei quietinho à espera,
A imaginar as tuas carícias,
O teu olhar e os teus beijos...

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Adenda: depois de corrigir este post pela quinta vez - cinco erros encontrados e pode haver mais - tenho que dizer que a minha grande dificuldade na correcta utilização do Português foram sempre os acentos - e os sons: a troca dos pre pelos per e vice versa, a troca do f pelo v e vice-versa, a troca do o pelo u e vice-versa, a troca do v pelo b e vice-versa, e a troca de mais não sei quantas letras por outras com sons parecidos! Posso afirmar que nem as reguadas que as professoras me deram - sim, levei muitas reguadas por causa destes erros! - nem a minha irritação presente conseguiram corrigir a dislexia! O pior é que - tenho constatado! - tende a piorar... E não fosse o facto de, literalmente, ser eu um decorador de palavras - não conseguiria escrever um texto com menos de um erro por cada duas palavras... Estou com uma irritação tão grande, que apetecia-me chicotear-me a mim mesmo!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

problema de comunicação

A Galp dá os parabéns a Portugal. Tudo bem, merecido ou não, estamos de facto entre as 16 equipas que irão disputar a fase final do Euro 2008 na Áustria-Suiça. A Galp pergunta E agora, quem é que nos pára? (Terá este discurso alguma coisa a ver com o discurso de alguns Portistas e Sportinguistas meus conhecidos que afirmam que a selecção parece o Benfica* a jogar?)... Será que não há ninguém dentro da Galp que informe o departamento de Marketing e Publicidade dos preços do barril de petróleo e do preço da gasolina e do gasóleo nos postos de combustível? Pelo sim pelo não /jogue os pontos do seu cartão... *Sim, sou benfiquista, mas não sou cego.

os náufragos VIII*

Boys in a Pasture, de Winslow Homer (1836-1910) - Pintor Norte-Americano, nascido em Boston, conhecido principalmente por pintar paisagens campestres e marítimas. Para saber mais sobre este pintor, leia o artigo wikipédia. *Um leitor ou leitora, não se identificou e tem um daqueles e-mails que parecem spam, com letras e números que parecem ao acaso - enviou-me um e-mail questionando-me sobre a série de posts intitulada Os Náufragos; queria saber o porquê da escolha deste quadros em particular. Eu limitei-me a esta resposta (que consta do primeiro post da série): Os Sete Mares navegámos Nos Sete Mares naufragámos Sempre nos salvámos, Porque nos separámos? outros náufragos: os náufragos I, os náufragos II, os náufragos III, os náufragos IV, os náufragos V, os náufragos VI, os náufragos VII Não está tudo dito? - Então vou dizer mais umas coisitas, para quem não tiver mais onde perder o tempo e possa estar para aqui a ler os meus devaneios - Quem quiser saber mais, saiba ler (ver) o que é que todos os quadros têm em comum, e aquilo que é específico de cada um... Mais não posso dizer, caro leitor ou leitora, mais não posso dizer: houve um dia em que a minha médica de família quis à força que eu fosse ao psiquiatra; porque eu não conseguia dormir - ainda hoje não consigo - e eu queria à força comprimidos para dormir! Eu não fui ao psiquiatra; a médica não me receitou ao comprimidos! Obviamente, não consegui dormir. Ainda hoje não consigo, embora a minha média de horas por noite tenha vindo - em certos períodos - a melhorar. E queres saber o porquê de contar esta história? Porque mais não podia, não posso, dizer... Os comprimidos ajudar-me-iam a dormir; mas o psiquiatra, se não tinha nenhuma máquina do tempo, de que me valia? Que lhe poderia dizer? Jurei a mim próprio que nunca iria a nenhum psiquiatra enquanto não me provarem que algum tem uma máquina do tempo! Enfim, o último quadro da série, o número 12, já está escolhido. Intitula-se "Brothers"; é de uma pintora actual, viva, americana e não me consta que seja conhecida - contudo posso estar enganado, não sou nenhum especialista em arte. Talvez a série termine com um número extra, o número 13 - especialmente concebido para o caso de haver quem não compreenda ... Querido leitor ou leitora, acima de tudo não leves os meus devaneios muito a sério; para tal já basto eu... Abraço ou Beijinho - Escolhe, mas não te estiques...

Control, de Anton Corbijn

Control Anton Corbijn Poster Movie Ian Curtis Joy DivisionO amor voltará a destruir-nos Quando a rotina castiga de forma severa, E já são curtas as ambições, E um forte ressentimento prospera, Sem que irrompam as emoções. E vamos mudando os nossos caminhos, Percorrendo estradas diferentes. Então o amor, o amor voltará a destruir-nos. Por que está o quarto tão frio? Viraste-te na cama para o outro lado. Falhei o momento correcto? Esgotou-se o nosso respeito. Porém ainda resiste esta atracção Que guardámos nas nossas vidas. Mas o amor, o amor voltará a destruir-nos. Choras durante o sono, Expões todos os meus fracassos. Na minha boca forma-se um gosto, Sempre que o desespero aperta. Apenas isto, algo tão bom Que já não pode funcionar. Enquanto o amor, o amor voltará a destruir-nos. Versão de AMC. Love will tear us apart, música escrita por Ian Curtis, dos Joy Division (1980). Love will tear us apart (letra daqui) When the routine bites hard And ambitions are low And the resentment rides high But emotions won't grow And we're changing our ways, Taking different roads Then love will tear us apart again Why is the bedroom so cold You've turned away on your side Is my timing that flawed? Our respect run so dry Yet there's still this appeal That we've kept through our lives But love will tear us apart again Do you cry out in your sleep All my failings expose There's a taste in my mouth As desperation takes hold Is it something so good Just can't function no more When love will tear us apart again

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

nota futebolística

UEFA Euro 2008 Austria Switzerland Áustria Suiça official ball bola oficial football futebol
Daqui a pouco mais de uma hora joga a nossa selecção. Andei todo o dia a pensar em deixar aqui uma nota, mas não sei bem o que dizer. O adversário é a Finlândia e não podemos perder. Essa é a única certeza, nesta equipa. Pessoalmente tenho outra certeza: desde o já célebre jogo Portugal-França do Europeu de 2000, na Bélgica-Holanda, que não vejo a selecção fazer um jogo decente! O Mundial de 2002 na Coreia-do-Sul-Japão, foi o desastre que todos recordam, com a cereja das expulsões no topo do bolo. O Europeu de 2004, cá em Portugal, trouxe-me a ideia de que no binómio jogar mal-chegar longe, só a Itália nos consegue bater. Vinte ou trinta minutos de bom futebol, contra a Holanda, não chegam: derrota contra a Grécia; vitórias sofridas, tangenciais e empolgadas pelo público contra a Rússia e a Espanha; eliminada a Inglaterra nos penalties, e nova derrota frente à Grécia diz tudo aquilo que os cegos não querem ver. O Mundial de 2006, na Alemanha, confirmou a minha ideia, que se tornou convicção: no binómio jogar mal-chegar longe só mesmo a Itália nos consegue bater! A Itália que se tornou Campeã do Mundo pela quarta vez. Agora, esta campanha para o Europeu, o de 2008, na Áustria-Suiça, nem merece comentários, embora haja cegos que para todas as asneiras parecem ter justificação! Vai para 8 anos que Portugal não faz um jogo decente! E depois querem que uma pessoa ande por aí empolgada, feita bacoca, com cachecol e camisola a condizer, nos estádios, ruas e cafés? Venha a cerveja!

a ler

A minha postura relativamente ao mundo editorial é muito simples de entender se tivermos em conta o facto, não fatídico mas real, de vivermos num país onde toda a gente conhece toda a gente, onde toda a gente que conhece toda a gente nada sabe sobre a gente que conhece, onde toda a gente que conhece toda a gente se arroga no direito de censurar, opinar, julgar sobre o nada que sabe de toda a gente que conhece. O país é, de facto, pequeno; o mercado dos livros é, de facto, pequeno; as pessoas, na generalidade, são, de facto, pequenas. É provável que sejamos um país de anões com grandes ideias, mas as grandes ideias, perdoem-me o realismo, não pagam as contas domésticas.
HMBF, no blog Insónia. Negrito da responsabildade da direcção editorial deste blog onde se encontram. Terei que pagar alguma taxa?

terça-feira, 20 de novembro de 2007

a minha vida numa palavra (2)

absent *absent (to) - v. intr. ausentar-se; retirar-se. (1)

o significado dos nomes*

Conheces o nome que te deram, não conheces o nome que tens. José Saramago, no Livro das Evidências - epígrafe de Todos os Nomes.
Vincenzo Gemito Sculpture Italian Design Il Pescatore The Fisherboy O Pescador André: Significa viril e robusto e indica uma pessoa intuitiva e extrovertida. Tem sempre idéias originais e brilhantes a respeito de tudo e gosta de debatê-las com os amigos. Dá-se muito bem em informática, pedagogia, teatro e circo. Do grego "másculo, varão". Benjamim: Significa filho da felicidade e indica uma pessoa que está sempre analisando seus sentimentos. Por isso mesmo, cultiva poucas amizades e não se apaixona com facilidade. Os pais devem lhe ensinar a liberar as emoções, enfatizando, naturalmente, as positivas. Do hebraico "filho da mão direita". E o meu verdadeiro nome: X: Significa moreno, escuro e indica uma pessoa calma e diplomática, que consegue tudo o que deseja pela capacidade de convencer, nunca pela força. a liderança que revela vem mais da sua capacidade de analisar corretamente cada situação do que de um talento inato. Do germânico "luminoso, brilhante". Y: Hebraico: significa "Quem é Como Deus". Imagem: Estudo para O Pescador, de Vincenzo Gemito (1852-1929) - Escultor Italiano. Artigo wikipédia em Inglês e Italiano. *Significado dos nomes visto no blog Os Nomes e seus significados.

o cartaz...

...desta peça: Eu queria encontrar aqui ainda a terra. Textos de António Godinho e manuel a. domingos, sobre os universos de Vergílio Ferreira. Dias 28, 29 e 30 de Novembro de 2007, no Teatro Municipal da Guarda. Clique na imagem para ampliar.

O Que Me Dói

Beggar Bartolomé Esteban Murillo Spanish painter baroque boy child rapaz criança pintura O Pedinte
O que me dói são os silêncios nas horas pardas as solidões profundas pelos segundos acossadas as ausências, as memórias e os nadas. O que me dói são as alegrias de todas as chegadas e as pulsações descompassadas, esvaídas em idas alvoradas. O que me dói são praias de areia fina embrumadas e as afeições parafinadas e as ausências e as memórias e os nadas.
Luis Eusébio, no blog Porto Croft. Imagem: O Pedinte, de Bartolomé Esteban Murillo (1617 -1682) - Pintor Espanhol, nascido em Sevilha. Para saber mais, leia o artigo wikipédia. Tomei conhecimento do poema, e do blog, através do blog Cãocompulgas que, apercebi-me agora, voltou ao activo; eu bem sabia que havia alguma razão para não o apagar da minha lista de blinks - ora, pouco depois de o ter apagado, constato que voltou ao activo... Já vou tratar disso... O Porto Croft têm na descrição estas palavras de William Shakespeare: Cowards die many times before their deaths, the valiant never taste of death but once. (Os cobardes morrem muitas vezes antes de morrerem, os corajosos apenas provam a morte uma vez.) Tenho que reler o William; e tenho que ler o que ainda não li - o pior é o preço dos livros; mas pior ainda são as edições que apenas têm o texto em Português; será que as editoras não compreendem que há autores em que é indispensável que a edição seja bilíngue?!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

petição contra o Vírus da Ignorância Humana*

To: EC President, Portuguese President and Prime-Minister
VIH HIV AIDS SIDA Um chefe de cozinha do grupo Sana Hotel foi despedido em Portugal, devido ao facto de ser VIH positivo. O chefe ficou adoeceu (tuberculose), tirou uma licença de cerca de um ano para tratamento, e voltou depois ao posto de trabalho, em perfeitas condições de saúde. A gestão do hotel não lhe permitiu que continuasse a cozinhar, após ter sido informada pelo médico do trabalho do hotel que o cozinheiro era VIH positivo. A gestão despediu, então, o cozinheiro, que trabalhava no grupo à sete anos. O trabalhador recorreu para a Justiça Portuguesa (Tribunal do Trabalho), que confirmou o direito do hotel a despedir o trabalhador, com o argumento que ele poderia colocar em risco a saúde dos clientes, no exercício da sua função, ao manipular a comida. O cozinheiro recorreu depois num tribunal superior (Tribunal da Relação), onde a sentença foi confirmada por três juízes, apesar das declarações de dois médicos especialistas, que excluiram a possibilidade de contágio, bem como de uma declaração oficial do US Center for Decease Control, no mesmo sentido. O trabalhador recorreu agora para o Supremo Tribunal de Justiça. Esta discriminação de pessoas VIH positivas não é apenas doentia, mas intolerável do ponto de vista da Constituição Portuguesa. Vai também contra todas as linhas orientadoras com vista à não-discriminação da Comissão Europeia. Assim, apelo a todas as pessoas a insurgirem-se contra esta decisão, assinando a petição que será enviada a Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Aníbal Cavaco Silva, ao Primeiro Ministro José Sócrates, e ao Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Lembre-se, amanhã poderá tocar-lhe a si! Obrigado pelo apoio, Dr. M. Rodrigues Pereira (pode assinar a petição aqui). A kitchen chef at one of the SANA HOTEL group in Portugal has been fired due to the fact that he is HIV POSITIVE!!! The chef got ill with Tuberculosis, took a leave of about one year for treatment, and then got back to work, in perfect health conditions. The hotel's management didn't allow him to continue cooking when it was informed by the hotels MD that the man was HIV POSITIVE. The management then fired the chef, who had been working there for the past seven years. The worker complained to the Portuguese Justice (Labor Court) and they confirmed that the hotel had every right to fire its employee, due to the fact that he could endanger guests when manipulating the food. The chef submitted an appeal to the higher court (Tribunal da Relação) and the three judges confirmed the previous sentence, in spite of two medical expert advices that ruled out the possibility of contagion, as well as an official statement from the US Center for Decease Control. The worker has now an on-going appeal at the Supreme Court. This type of ridiculous discrimination against any HIV POSITIVE person is not only silly, but absolutely intolerable under the Portuguese constitutional law. It is also against every guideline regarding non-discrimination by the European Commission. I therefore stress everybody to insurge [sic] against it by signing this petition that will be sent to His Excellencies President Anibal Cavaco Silva, Prime-Minister Jose Socrates and Jose Manuel Durão Barroso, President of the European Commission. Remember, it can be YOU tomorrow! Thank you for your support. DR. M. Rodrigues Pereira (HIV activist, founder and former President of ABRAÇO (Portugal's first HIV/AIDS NGO) ... and HIV POSITIVE for the past 16 years) Sincerely, (Pode assinar a petição aqui.) *Título copiado do blog Para lá de Bagdade: O VIH - Vírus da Ignorância Humana atinge toda a gente que ignora a ciência e com frequência atinge quem mais formação académica diz ter. Desta vez, somos confrontados com a decisão do colectivo de juízes do Tribunal de Relação que considerou que um cozinheiro portador do VIH - o vírus da imunodeficiência humana - não pode continuar a exercer a sua profissão. Sobre este tema, leia também o post de Eduardo Pitta, no blog Da Literatura: O acórdão colide com a razão científica. Há mesmo um parecer, do Centro de Direito Biomédico, que desmente categoricamente o propalado risco: «Não está provado que um empregado de uma cozinha possa, no exercício das suas funções e por causa delas, transmitir o vírus HIV.»

Eu queria encontrar aqui a terra

Em Novembro estreia a nova peça do Projéc~, desta vez numa produção do TMG para a Câmara Municipal da Guarda e o Centro de Estudos Ibéricos . O quinto trabalho da estrutura de produção teatral do TMG intitula-se Eu queria encontrar aqui ainda a terra, e tem por base o texto de António Godinho e manuel a. domingos sobre os universos de Vergílio Ferreira e Eduardo Lourenço. A peça, para maiores de 12 anos e com encenação, dramaturgia, cenografia e figurinos de Luciano Amarelo, estreia a 28 de Novembro no TMG, ficando em cena no Pequeno Auditório até dia 30 de Novembro.
Texto recebido por e-mail, para divulgação. Foto de Tiago Rodrigues, retirada do blog do Teatro Municipal da Guarda.

domingo, 18 de novembro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #42

Quando as nossas mãos
Se apertaram
Apartaram medos
Dissémos
Sem o dizermos
O quanto nos amávamos

Quando as nossas mãos
Se apertaram
Já não era segredo
Para ninguém
O quanto nos amávamos
Sem o dizermos

rascunhos encontrados num caderno abandonado anteriores:
#1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38, #39, #40, #41,

dia de novas linkagens

Diana und Aktäon Lucas Cranach the Elder painting women naked art pintura mulheres nuas
A página do meu caderninho voltou a encher-se e, assim sendo, calha ser hoje dia de novas linkagens. Pensei em escrever este post a propósito de um e-mail que um certo blogger me enviou há uns dias; perguntava-me, chateado, porque é que tinha apagado o link para o blog dele. Não lhe respondi - habitualmente respondo a todos os e-mails que me enviam - porque achei que não merecia o trabalho e, muito menos, a consideração... Então aqui fica a resposta agora, para aviso futuro; reservo-me, como considero que faça qualquer pessoa que escreva um blog, o direito a linkar e a deslinkar quem me apetecer. E neste contexto, reservo-me o direito a deslinkar todo e qualquer blog com conteúdo rascista, xenófobo, sexista, homofóbico, de extrema-direita, etc... Reservo-me ainda o direito a linkar e deslinkar porque sim. A pintura acima intitula-se Diana und Aktäon, é uma obra de Lucas Cranach, the Elder (1472-1553)- Lucas Cranach, pintor alemão nascido em Kronach. Para saber mais sobre este pintor, leia o artigo wikipédia. A imagem foi escolhida para o caso de o leitor que fez a pesquisa "melhor site de gajas nuas" (conforme se pode confirmar na imagem abaixo; se quiserem cliquem nela para ampliar) aqui voltar; é que não gosto de desapontar ninguém...
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sábado, 17 de novembro de 2007

os náufragos VII

Ruby Gold and Malachite Henry Scott Tuke painter landscape boat nude boys gay painture pintura barcos paisagem sea mar barco
Ruby, Gold and Malachite (1902), de Henry Scott Tuke. Henry Scott Tuke (1858 - 1929) nasceu em Cornwall. As suas duas grandes paixões, que expressou na pintura, eram o mar e os rapazes. Estes amores, e a sua arte, causaram grande celeuma na Inglaterra Vitoriana e Edwardiana, mas apesar disso Henry Scott Tuke foi membro da the Royal Academy. Nos últimos anos da década de 1880, Henry Scott Tuke conheceu Oscar Wilde e tornou-se membro do grupo The Uranian, um conjunto de poetas, escritores e artistas que celebravam os rapazes adolescentes. Suavemente homoeróticos, habitualmente os seus quadros retratavam jovens a nadar, a mergulhar, a pescar, muitas vezes rindo, quase sempre nus, em barcos ou na praia. Apesar de hoje em dia ser mais conhecido por esta faceta da sua obra, Henry Scott Tuke pintava também retratos e paisagens, nomeadamente de grandes navios am alto mar, tanto em telas pintadas a óleo, como em aguarelas. Nos anos que antecederam a I Grande Guerra, Henry Scott Tuke era dos pintores mais requisitados para executar retratos de figuras proeminentes da sociedade, nobres e burgueses ricos. Henry Scott Tuke tinha apenas vinte e um anos quando a sua primeira obra foi exibida na Royal Academy, e desde aí que as suas obras estiveram presentes em algumas das mais importantes exposições, na Grosvenor Gallery, na New Gallery, no Paris Salon, e em Munich. Foi eleito membro da Academia em 1900. Para saber mais sobre este pintor, leia este post. outros náufragos: os náufragos I, os náufragos II, os náufragos III, os náufragos IV, os náufragos V, os náufragos VI obs: o meu leitor predilecto não voltou aqui? ou não se quer denunciar? continuo à espera que se mostre! vá lá, força! não tenhas medo, que ainda não pedi nenhuma ordem restritiva junto de nenhum tribunal...

My Wildest Dream

Henry Tuke The Lemon Tree pintura painter
A minha amiga Finlandesa, Leena, puxou-me para mais uma corrente na blogosfera; consiste em revelar um sonho arrojado, impetuoso, difícil, enfim, não sei como traduzir o wild, selvagem. Julgo que percebem a ideia. Não tenho grandes sonhos; para meu grande mal, há muito que os perdi. Porque os meus sonhos envolveram terceiros; terceiros que fizeram as suas opções - felizmente para os terceiros, puderam optar - eu não, tive que me sujeitar; sujeitar-me a adaptar-me em função das opções que terceiros tomaram - julgo que seja assim na vida de todas as pessoas... Na vida de umas mais, na vida de outras, menos... Portanto, tudo o que tenho hoje são aquilo a que chamo sonhos secundários... Enfim, um dia talvez tenha tempo para explicar o que quero dizer com sonhos secundários; basicamente, são sonhos que não levam a lado nenhum; são sonhos que perseguem outros sonhos (os principais), mas que nunca os conseguem alcançar; são ilusões com que dizemos a nos próprios que seguimos um sonho, quando sabemos demasiado bem que aquilo que era realmente importante para nós, ficou para trás; escadas que conduzem a si mesmas, como num desenho de Escher. Esta introdução feita, e dizendo de antemão que não tenho qualquer sonho selvagem, os meus sonhos são antes difíceis, ou melhor, dispendiosos, e pode ser lido no post sonhos partilhados; retiro apenas o principal dele:
Gostava de ter uma quinta isolada com um riacho... onde pudesse ter os meus livros, uma máquina de escrever, um cão e um sótão... um perdigueiro... e a sombra de um salgueiro... um pôr-do-sol arroxeado... uma brisa estival... um pintassilgo e um pardal... e um horizonte prateado...
Aqui vão as regras; não estou com disposição para estar a fazer uma tradução para português; julgo que melhor ou pior, quase cem por cento das pessoas que lê blogs compreende inglês; se estiver errado corrijam-me... The Rules 1. Reveal your dream for the world to see, either on your blog (if you’re a blogger) or in the comments of a blog (like this one). 2. Remember, it’s a dream - so aim high! If your inner critic tells you that your dream isn’t “realistic”, tell your inner critic to take a hike. State one of your wildest dreams AS IS. 3. Tag some other bloggers, or friends. Don’t forget this step! 4. Links back to this post are appreciated, but not essential. You could just mention that you’re responding to the Reveal Your Dream challenge on NeilSattin.com. 5. That’s it - start manifesting 6. One last thing You’re allowed to have many dreams, but you don’t have to reveal EVERYTHING for the world to see - just pick one of them for this challenge. Also, the beauty of being human and having the freedom of choice is that you can always change your mind - and by setting the wheels in motion for the dream you mention you’ll be able to make an informed choice. Reveal your dream for the world to see. It’s risky, but I promise you’ll thank me down the road. Oh, and please keep in touch - I want to hear how it all goes! Tcharam! E os meus nomeados são: pôrrrrrrrra, detesto este momento! Acho que vou desistir das correntes blogosféricas por causa disto; deixa-me pensar em pessoas que nunca tenha nomeado para os óscares; espero que aceitem... manuel a. domingos, do blog meia-noite todo o dia; mda, do blog thunder road; dário nemésio, do blog i'm at the point of no return; josuué, do blog os meus bitaites; e special k, do blog o melhor dos dois mundos. Imagem: The Lemon Tree, de Henry Scott Tuke (1858 - 1929) - Pintor e e fotógrafo britânico. Artigo wikipédia; pode ver a obra de Henry Tuke aqui.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Pumuckl

Pumuckl Pumucky Desenho Animado Série AlemãO boneco que referi aqui chama-se Pumuckl. Era uma série alemã com um boneco animado, o Pumuckl, e com pessoas reais. Pumuckl era um kobold, uma espécie de duende, ou diabrete, em forma de desenho animado, muito traquina, e que fazia as maiores tropelias ao seu dono, um velhote muito simpático, Master Eder; Eder é um artesão que vive numa casa modesta numa pacata cidade alemã. Dedica-se a fazer estatuetas, carrinhos, mesinhas... Pumuckl Pumucky Desenho Animado Série Alemã Até que um dia descobre Pumuckl, escondido na cave. Pumuckl decide então entrar na vida de Master Eder... E começa a meter-se em todos os afazeres do mestre, estando sempre pronto a ajudar: entorna o leite; desarruma tudo aquilo em que toca; mete-se com os vizinhos; e quando por algum motivo não anda contente, transforma-se numa verdadeira fera...Além disso, Pamuckl tem alguns poderes que lhe permitem fazer as suas diabruras: torna-se invisível, para se esconder quando alguém aparece em casa do Master Eder, ou quando lhe apetece assustar os vizinhos... (texto apressadamente elaborado após leitura de diversos textos - e descrições de dvd - na internet...) Um vídeo do youtube que mostra o genérico da série:

I really feel that I'm losing my best friend* - Don't Speak - No Doubt

Tu e eu, Nós costumávamos andar juntos Todos os dias juntos, sempre... Sinto verdadeiramente Que estou a perder o meu melhor amigo. Eu não consigo acreditar Que seja o fim... Até parece que tu queres ir embora E se isso é verdade, Então, eu não quero saber. Não fales Eu sei o que estás a pensar Não preciso das tuas razões... Não me contes, que isso magoa. (excerto traduzido, versão AB) You and me We used to be together Everyday together always I really feel That I'm losing my best friend I can't believe This could be the end It looks as though you're letting go And if it's real Well I don't want to know Don't speak I know just what you're saying So please stop explaining Don't tell me cause it hurts Don't speak I know what you're thinking I don't need your reasons Don't tell me cause it hurts Our memories Well, they can be inviting But some are altogether Mighty frightening As we die, both you and I With my head in my hands I sit and cry Don't speak I know just what you're saying So please stop explaining Don't tell me cause it hurts (no, no, no) Don't speak I know what you're thinking I don't need your reasons Don't tell me cause it hurts It's all ending I gotta stop pretending who we are... You and me I can see us dying...are we? Don't speak I know just what you're saying So please stop explaining Don't tell me cause it hurts (no, no, no) Don't speak I know what you're thinking I don't need your reasons Don't tell me cause it hurts Don't tell me cause it hurts! I know what you're saying So please stop explaining Don't speak, don't speak, don't speak, oh I know what you're thinking And I don't need your reasons I know you're good, I know you're good, I know you're real good Oh, la la la la la la La la la la la la Don't, Don't, uh-huh Hush, hush darlin' Hush, hush darlin' Hush, hush don't tell me tell me cause it hurts Hush, hush darlin' Hush, hush darlin' Hush, hush don't tell me tell me cause it hurts *Recordo-me de ouvir esta música, corria o ano de 1997 ou 1998, não posso precisar, e de sentir, de cada vez que a ouvia, que uma faca me era espetada no coração. Não sou fã dos No Doubt; conheço duas ou três músicas, de que nem sequer posso dizer que gosto. Mas nunca nenhuma música foi tão directa ao meu coração como esta. Até o timing foi perfeito; há perfeição mesmo na imperfeição. De cada vez que a oiço sinto-me implodir. E mais uma faca é espetada no meu pobre coração. Tantos anos passaram, e ainda não posso, ainda não consigo, acreditar...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

em memória do meu pai

Já era noite. Talvez sete, ou oito, ou mesmo nove horas da noite. Talvez fosse mais tarde. Na memória resta-me apenas o frio, o escuro e o último olhar. Agarrei-lhe o tecido das calças, e abraçei-o pela cintura. Tocou-me na cabeça e disse que não podia ficar. Nunca fui pessoa de insistir. Mas insisti. Uma, duas ou três vezes. Talvez mais. Voltei para junto da minha mãe, e da minha tia. Ele afastou-se alguns passos. Olhou para nós, aquele último olhar que me resta na memória. Ou talvez já nem seja esse último olhar, não sei. Virou-se e caminhou lentamente, subindo a rua empedrada. Uma lágrima queria sair-me dos olhos, mas eu não deixei. Queria que ele ficasse, a minha mãe insistira. Eu também. A minha tia aconselhara-o igualmente a ficar. Ele disse que não, que não podia ficar. Já era noite.
Acordei, à pressa vesti-me, empurrei os cadernos, os lápis e borrachas, os livros, a tralha para dentro da mochila vermelha. Ainda anda aí por um canto. Uma prima minha oferecera-ma. Era vermelha e branca, e no bolso de fora tinha escrito, a letras garrafais, vermelhas e maiúsculas, QUEEN. O nome da banda de Freddie Mercury, Roger Taylor, Brian May e John Deacon. Comi pão migado em leite com café. Era sempre o meu pequeno-almoço. Por nada deste mundo aceitava outro. Tinha que ser pão migado em leite com café, na minha tigela preferida. A tigela partiu-se meses, ou anos, depois. Anos depois a minha avó, que me dera aquela, deu-me outra igual. Ela não sabia, mas tinha pintado o desenho de um boneco animado de uma série alemã, ou talvez austríaca, que eu via todos os dias na televisão. A televisão era a preto-e-branco, comprada pouco tempo depois de eu ter nascido. Mas ali o boneco era a cores. O cabelo e o nariz são vermelhos, a t-shirt é amarela e as calças são verdes. Não sei se na televisão as cores do boneco eram as mesmas, mas a tigela está aqui para comprovar a minha memória. Acabei de comer, despedi-me da minha mãe e corri para a escola. Não era que tivesse muita vontade de ir para a escola; fugia do frio da rua. dog farrusco lassie cão paisagem criança boy rapaz preto e branco infância memória Ia a manhã a meio quando a minha vizinha veio ter comigo à escola. Bateu à porta, a professora calou-se, a sala ficou imersa no nosso silêncio. A professora foi abrir a porta. O silêncio dera lugar ao barulho. A professora conversava com a minha vizinha. Ela apontava para mim, queria falar comigo, mas não queria dizer o que se passava. A professora não a queria deixar entrar, mas ela insistia. E quando a minha vizinha insistia, não havia nada que a demovesse. A professora teve que aceitar, resignada. Ela chegou-se à minha beira e disse-me, depois de me agarrar, me fazer uma festa na cabeça, com os olhos vermelhos de lágrimas que tentava segurar nos olhos, directa ao assunto, sem meias palavras, que ela não sabia muitas, havia quem a achasse louca, porque era gaga e tinha dificuldades em exprimir-se: o teu pai morreu. Levou-me com ela para fora da sala. Foi falar à professora, trouxe a minha mochila, e fomos para minha casa. A minha mãe não estava. Aos poucos chegaram alguns familiares. Ninguém sabia como dizer-me; houve até quem tentasse mentir-me, dizendo-me que o meu pai estava muito mal no hospital, que ainda não se sabia nada, que estavam à espera que a minha mãe chegasse. Eu até queria acreditar nisso, mas eu já sabia. Não chorei. Nunca, em toda a minha vida, chorei no momento, na hora. Às vezes choro uma semana depois, outras meses, algumas anos depois. Nunca chorei de dor, de saudade, de pena ou alegria. Há quem me ache frio por isso. Quando choro é raiva. Raiva por me sentir impotente. Choro de raiva, quando finalmente admito que nada posso fazer, nem mesmo chorar, por isso choro, mas choro pouco. Depois chorei, sozinho. Dois ou três dias após o meu pai estar enterrado. De raiva, como quem dá um murro decima de uma mesa. Ele subiu a rua empedrada. Estava uma noite escura e fria. Ainda olhou para trás uma última vez, o último olhar que recordo, subiu para o tractor e partiu. Dez, ou quinze, ou mesmo vinte minutos depois estava morto. Estávamos no dia 14 de Novembro de 1988. Passaram dezanove anos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #41*

Relatividade Maurits Cornelis Escher desenho Relativity
Os sonhos são
paraísos infinitos
mares por navegar
portos imaginários
cais onde atracam
barcos perdidos
marinheiros solitários
vozes que procuram
amigos e amantes
para confidenciar

que os sonhos são...

*Este rascunho faz parte da série "os sonhos são /sonhos que foram /sonhos que serão" - quando conseguir decifrar os manuscritos aqui publicarei mais...

Imagem: Relatividade, de Maurits Cornelis Escher - artigo wikipédia.

rascunhos encontrados num caderno abandonado anteriores:
#1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38, #39, #40,

ADENDA (17:34): Encontrei, entretanto, uma versão menos antiga do mesmo poema, ao folhear outro caderno; substitui os versos "que apenas procuram /amigos, amantes /a quem confidenciar" por "vozes que procuram /amigos e amantes /para confidenciar"

The Platters - Only You - música original... o vídeo também!...

Platters - Smoke Gets In Your Eyes*

Para quem não conhece... ...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

os náufragos VI

The Little Boat Albert Edelfelt Finnish painter pintura
Descobri hoje, através duma poderosíssima ferramenta da Google (google rocks!) que além desta visita, alguém chegou ao meu blog pesquisando "andré benjamim lamego xxxxx", em que xxxxx representa o nome da minha irmã. Começo a considerar a hipótese que exista alguém chamado André Benjamim, em Lamego, que tenha uma irmã com o mesmo nome que a minha. Devo reler O Homem Duplicado? Uma ficção (o pseudónimo André Benjamim) que se tornou realidade!, mas ainda por cima em Lamego?!... É que no meio desta brincadeira, não percebo porque é que o/a artista não faz a pesquisa com o meu verdadeiro nome?... Quer dizer, aquele que consta do Bilhete de Identidade... Ai se eu descubro quem é! - Bem, pensando bem, se fizesse a pesquisa com o meu verdadeiro nome, provavelmente não viria aqui parar! Se sabe o nome da minha irmã, provavelmente conhece-me! Anda a gozar comigo! - Ah, se te ponho as mãos, eu... Imagem: The Little Boat, de Albert Edelfelt. Para saber mais sobre este pintor, leia os náufragos II. os náufragos I, os náufragos II, os náufragos III, os náufragos IV, os náufragos V