sexta-feira, 29 de junho de 2007

pela tua vida breve*

Too proud to die, broken and blind he died The darkest way, and did not turn away, A cold kind man brave in his narrow pride On that darkest day. Oh, forever may He lie lightly, at last, on the last, crossed Hill, under the grass, in love, and there grow Young among the long flocks, and never lie lost Or still all the numberless days of his death, though Above all he longed for his mother's breast Which was rest and dust, and in the kind ground The darkest justice of death, blind and unblessed. Let him find no rest but be fathered and found, I prayed in the crouching room, by his blind bed, In the muted house, one minute before Noon, and night, and light. The rivers of the dead Veined his poor hand I held, and I saw Through his unseeing eyes to the roots of the sea. [An old tormented man three-quarters blind, I am not too proud to cry that He and he Will never never go out of my mind. All his bones crying, and poor in all but pain, Being innocent, he dreaded that he died Hating his God, but what he was was plain: An old kind man brave in his burning pride. The sticks of the house were his; his books he owned. Even as a baby he had never cried; Nor did he now, save to his secret wound. Out of his eyes I saw the last light glide. Here among the light of the lording sky An old blind man is with me where I go Walking in the meadows of his son's eye On whom a world of ills came down like snow. He cried as he died, fearing at last the spheres' Last sound, the world going out without a breath: Too proud to cry, too frail to check the tears, And caught between two nights, blindness and death. O deepest wound of all that he should die On that darkest day. Oh, he could hide The tears out of his eyes, too proud to cry. Until I die he will not leave my side. DYLAN THOMAS (1914-1953), Elegy (1953) *Via In Absentia.

três laranjas

a primeira vez que o meu pai reparou que eu ouvia
esta música ele perguntou-me,
“o que é isso?”
“chama-se Amor por Três Laranjas”,
informei-o.
“rapaz”, disse, “isso é pagá-lo
barato”.
referia-se a sexo.
ao ouvi-la
eu sempre imaginei três laranjas
sentadas ali,
vocês sabem o quanto laranja elas conseguem
ficar,
um laranja forte.
talvez Prokofiev quisesse dizer
aquilo que o meu pai
pensou.
se assim foi, eu prefiro pensar
da outra maneira
a coisa mais horrível
que eu consegui imaginar
foi parte de mim ser
ejaculado da
ponta do seu
pénis estúpido.
nunca lhe irei perdoar
por isso,
por esta vigarice a que estou
condenado,
não encontro nobreza na
paternidade.
digo mesmo matem o Pai
antes que ele faça mais
alguém parecido
comigo.


CHARLES BUKOWSKI, versão de manuel a. domingos, in o amor é um cão do inferno
As tuas mãos despidas e inesperadas
Trazem nas palmas o meu retrato.
Com a ponta dos teus dedos nus e subtis
Desenhas as feições do meu rosto
Gasto de tantas vezes o percorreres

desejo

Queria escrever um verso
Límpido claro e transparente
Como o reflexo da luz
Numa lágrima cristalina
A descer o teu rosto

Queria dizer um verso
Forte robusto e dilacerante
Que cingisse as palavras
Num voluptuoso amplexo
E te arrebatasse um beijo
Agora que os dias se acumularam
E ergueram entre nós este muro
Este silêncio que nos cerca
Que nos resta dizer ao Outro
Que outrora nos ouvia atento?

As palavras perderam o significado
Entre elas e o que representam
Um abismo enorme se interpôs
Cavado com as mãos e o suor
Que entre nós o muro ergueram

epitáfio

aqui jaz quem te entregou o coração
quem sem pensar te deu para a mão
a chave da sua vida, da felicidade,
e ficou à espera toda a eternidade.
nas tardes quentes de verão
o teu rosto alabastrino
tornava-se num doce rubi
despias a roupa suada
e eu pedia-te para vires
deitar-te a meu lado
 tu dizias que era errado
e eu calava-me até pedires
com indiferença fingida
para te entregar os lábios
para te depositar na testa
um beijo de reconciliação
Pergunto-me nos pensamentos
O que é verdade?
Olho os pequenos elementos
Na grande cidade
O que existirá?
Observo as gotas azuis caindo
Nas ruas vazias que a neblina escurece
Uma silhueta desaparece
O que permanecerá?

quinta-feira, 28 de junho de 2007

las palabras

Las palabras, en vez de puente se convierten en muralla. Una a una como un ladrillo, los va separando. Ella cada vez mas silenciosa, ya sin esperanza de ser escuchada. Él, con un timbre de voz cada vez más nervioso, habla sin parar, al verla alejarse cada vez más, aunque sigue sentada, mirándolo fijamente con una mirada sembrada de dolor. Son dos soledades, que no se encuentran. Son un abrazo que nunca llega. Y en aquel mar de palabras, sólo se oye el silencio que los aleja cada vez más. Si sólo supiera él, que con un gesto de ternura, la ganaría. Si sólo supiera ella, que con una sola sonrisa, él sabría que lo entiende. Si ambos supieran, que en el amor no todo es recibir, sino dar, y que dando se recibe.
LILIAM MANZANERO
Irmãos mais velhos são mais inteligentes - Quando o irmão mais velho é mais inteligente do que o mais novo isso é uma mera característica individual ou corresponde a um padrão? Por muito desarmante que possa ser para os "benjamins", essa é a regra. A conclusão é de um estudo de epidemologistas noruegueses, a publicar esta semana na revista Science, que poderá esclarecer mais de um século de debate sobre a relação entre inteligência e a ordem de nascimento. A investigação de Peter Kristensen, da Universidade de Oslo, apurou que os primogénitos têm, em média, um quoficiente de inteligência (QI) três pontos acima do dos segundos filhos, um desvio que aumenta mesmo para quatro pontos em relação aos terceiros filhos. (In. DN) Mas, o que é a Inteligência?! Assim reduzida a um número, até parece real, física, mercantilizável... Como se fossemos mais ricos, ou mais felizes, ou mais bonitos, ou mais bem-sucedidos...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

O facto de ela estar comigo não significava apenas que eu não estava só, significava que eu sempre quisera estar assim com ela. Também aprendi que o grande segredo era ter prazer em proporcionar prazer. O prazer passou a ser um dádiva de vida. Eu amava-a, e disse-lho, e Aninha silenciou-me com um novo beijo (...) éramos duas mulheres que se amavam e que nunca duas pessoas poderiam ser tão iguais. (...) Aquele era o limite a que um ser humano poderia chegar. Por um instante, senti que estava longe de mim, e vi-me a mim própria a contorcer-me em espasmos de puro prazer, o meu ventre esvaziando-se em ondas.
CÍNTIA MOSCOVICH, in. Duas Iguais (Bico de Pena) - Nasceu em 1958, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (Brasil). É escritora, jornalista e mestre em Teoria Literária, tendo trabalhado como professora, tradutora, consultora literária, revisora e acessora de imprensa. Em 1996 publicou o seu primeiro livro, O Reino das Cebolas; em 1999, Duas Iguais; e em 2000, o livro de contos Durante o Incêndio.

domingo, 24 de junho de 2007

correio R&L

Na associação cívica República e Laicidade, seriamente preocupados com a expressão dos valores da laicidade e da cidadania no texto de um futuro Tratado Constitucional Europeu e com o objectivo de dar um contributo positivo para a sua elaboração, endereçámos ao Primeiro Ministro da República Portuguesa -- e próximo Presidente do Conselho Europeu -- um ofício onde remetemos a Carta Europeia da Laicidade, um documento de trabalho que tem vindo a colher um largo (e crescente) consenso entre as organizações humanistas e laicistas europeias. ver texto da carta ao PM aqui: http://www.laicidade.org/2007/06/24/rl-preocupacao-com-a-constituicao-europeia-em-carta-ao-pm-da-rp/ ou aqui (em pdf): http://www.laicidade.org/wp-content/uploads/2007/06/pm-2007-06-24-a.pdf ver texto da Carta Europeia da Laicidade aqui: http://www.laicidade.org/?page_id=1028 Saudações republicanas e laicas

sábado, 23 de junho de 2007

Porque te Ausentas assim, Logo agora Que nos Amávamos? Tu sabe-lo. Talvez queiras Voltar ao que Eras... Sem que queiras Cometer o mesmo Erro fatal. Anseias-te Por aí... Sem que encontres Aquela calma Que aqui tens. E tu sabe-lo! Falta-te A força motiva-dor(a) Para que dês O passo...
jota esse, in. sobre o Amor e outras cousas. jota esse, José Sousa de seu nome, é natural do Pereiro (Pinhel). Estudou em Pinhel, no Seminário Menor do Fundão, no Seminário Maior da Guarda, e finalmente em Pinhel, de novo, onde concluiu o secundário. Ingressou então no curso de Jornalismo, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tempo durante o qual colaborou em actividades jornalísticas na rádio e jornal, tendo sido reportér fotográfico do Jornal Universitário A Cabra. Enquanto frequentava o 3.º ano do curso de jornalismo escreveu a obra sobre o Amor e outras cousas, publicada pela Editorial 100, em Junho de 2007.
uma larga faixa de cocaína atravessa Ljubljana campainhas silenciosas, e um trenó corre através das ruínas um veado negro puxa, submerge na neblina - e que importa? Ljubljana, refúgio de psicopatas que não pode passar despercebida no mapa de um lado, a sala de espera autríaca do outro, o hospital italiano da agonia por baixo, nada mais que os departamentos fechados ala B e os que se consideram heróis carros que batem em vão alguns trampolins para saltar nas profundidades crianças que vagueiam pela floresta bêbados por todos os lados, onde é que pára o comboio que os leva para trás das paredes tudo está aberto, como um prado para homens, brancos, eslovenos, com mulheres toda a cidade dança perante os nossos olhos quando, ganzados, nela vagueamos tomamos poppers e rimos de tudo o que passará como se enganaram as batas brancas e deixaram que tudo isso circule nas ruas inclinas-te, dizendo: Eu sou psicopata levanta-te, levanta-te, seguimos olha essas marionetas em frente do café e no mercado, que oferta tão variada gente feia move-se por trás das suas bancadas e deixa flutuar os seus sonhos no rio as suas esperanças de cura o vómito, o vómito por trás de uma casa estás completamente verde, como o dragão da ponte abraças-me, empurras-me de novo, como se as forças, se embatessem na tua cabeça, inapreensíveis e ouves o sábio que comanda com a sua mente esferas, maquinaria, uma multidão que avança tudo te prega os pés à terra e não sabes para onde ir. Brane Mozetič, in. Borboletas - Brane Mozetič (1958, Eslovénia) é autor de onze colectâneas de poesia e três trabalhos de prosa, dos quais quize foram traduzidos e publicados em várias línguas. A sua colectânea de poesia, Borboletas, e o livro de histórias curtas, Paixão, foram ambos publicados nos Estados Unidos. Borboletas e Poemas pelos Sonhos Mortos foram também publicados em Castelhano. Traduziu trabalhos de Rimbaud, Genet, Foulcault e de diversos poetas comtemporâneos. Editou também duas antologias de literatura homoerótica em Esloveno, bem como diversos trabalhos de literatura Eslovena contemporânea - particularmente poesia - a nível internacional. A Editorial 100 publicou a colectânea Borboletas, em Abril de 2007, o sua primeira obra publicada em Portugal.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

chegou o Verão... #3

My Summer of love” (2005), Pawel Pawlikowski
Em Yorkshire, Inglaterra, duas adolescentes conhecem-se e envolvem-se numa relação obsessiva de amizade e amor. Mona (Nathalie Press) é uma rapariga pobre que vive com o irmão, dono de um antigo bar agora reconvertido em igreja. Tamsin (Emily Blunt), rica, misteriosa e dramática trava amizade com Mona e convida-a para ir a sua casa e para passarem os últimos dias de Verão juntas. A relação das duas intensifica-se e torna-se mais sólida uma vez que Mona procura algum conforto nos braços de Tamsin e esta procura apenas divertimento e alguém que acredite no seu espírito perverso e maléfico. A ingenuidade e entrega de Mona são comoventes quando toda a perversidade que assalta a personalidade de Tamsin se começa a evidenciar. O ar sedutor desta acaba por se revelar diabólico quando percebemos o que a rapariga fez só para abalar um pouco a monotonia que é a sua vida... (via 100th window)

chegou o Verão... #2

Summer Evening Edward Hopper Verão Noite de Verão pintura
EDWARD HOPPER, Summer Evening

chegou o Verão...

Bazille Verão Summer Cena de Verão paisagem mergulhar floresta
BAZILLE, Cena de Verão (Imagem retirada do blog Memento)

o terrível mundo em que vivemos...

Amarradas a berços imundos, amontoadas sobre as estruturas de camas sem colchões, cobertas por um manto negro de insectos, desidratadas, em pele e osso, 24 crianças iraquianas esperavam apenas a hora da morte quando foram descobertas há 11 dias num orfanato de Bagdad. (Continua aqui: Diário de Notícias)
Aqui podem ver a reportagem da Sky News.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

the hardest words

"Se não ficares aqui, nunca mais nos voltamos a ver!" (14h49m, 12/07/1997)

brain damage irreversible

Nos últimos cinco dias dormi cerca de 10 horas; o que resulta numa média de 2 horas por dia. Suponho que seja o sintoma de algo [suponham que eu não sei, e que estou realmente a supor]. Não sei o quê, mas deve ser grave.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

desistir...

Há 5 anos que não me apetecia desistir como me apetece hoje. E o pior é que eu até desistia se soubesse como o fazer.

MDA

domingo, 17 de junho de 2007

tinky winky polaco

Depois de o Governo Polaco ter suscitado a homossexualidade de Tinky Winky, propondo-se constituir processo de investigação dos "comportamentos desviantes" daquela personagem do programa infantil britânico "Teletubbies", eis que pela Internet já circula a versão moralmente correcta para as impressionáveis criancinhas polacas. (via Devaneios Desintéricos)

teletubbies*

No Devaneios Desintéricos podem encontrar a versão polaca do Tinky Winky...

convite

Apresentação do livro O Boneco de Papel e outros textos Autora: Gabriela de Sousa (1992) Data: 22 de Junho Hora: 21h30 Local: Academia de Música de Vilar do Paraíso - Vila Nova de Gaia A leitura de alguns textos será feita pelos Jornalistas Luis Henrique Pereira e Alberto Serra. A apresentação será acompanhada pela Orquestra de Câmara da Academia de Música de Vilar do Paraíso dirigida pelo Maestro João Pedro Fernandes.

sábado, 16 de junho de 2007

a personagem

Entretanto uma mesa vagou e pudemos sentarmo-nos. Foi quando apareceu aquela que foi sem dúvida a minha "personagem" preferida. Uma caricatura que se definia a si mesmo como "a antítese de mim mesmo", sem nunca explicar o que queria dizer com isso. Um homem sem expectativas. "Cada dia é um dia; e eu vivo cada dia de sua vez" - a sua máxima. Máxima que nunca se cansou de repetir. Era também a mais céptica de todas as pessoas que conheci. - Não acredito em nada! - repetia até à exaustão. - Deus não existe, a amizade é uma treta, o amor uma mentira e a família uma contingência. Estamos cada um por si, meus caros, não tenhamos ilusões! Calcorreava as ruas sem rumo. Por vezes parecia que ia parar e exclamar "encontrei!", mas nunca parou. Além de mais, como nos confirmava vezes sem conta: - Não procuro nada! Vivia a vida a ver o que dava. Fumava cigarros incessantes e bebia uns copos se ainda tinha dinheiro; o resto do mês passava-o em "contenção de custos". Nunca aceitou que lhe emprestassem dinheiro. Quando o víamos com um ar mais abatido sabíamos que era o aperto financeiro que o preocupava, e então organizávamos jantares em casa. -Não sei porque é que se preocupam comigo, acho que estou a ficar em dívida!... -ficava em silêncio alguns segundos. - Tenho que começar a declinar os vossos convites. Mas quando a fome apertava, esquecia a ameaça. Além de não acreditar em nada, nada lhe despertava interesse, a não ser no sentido em que odiava tudo: política, futebol, livros, mulheres, homens, crianças, velhos, operários, burgueses, capitalistas, brancos, pretos, chineses, americanos, europeus, cubanos, russos... - O que fazes na vida, afinal? - O mesmo que toda a gente: espero a morte!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

5.ª Feira do Livro de Pinhel

De 19 a 24 de Junho, o Largo dos Combatentes volta a ser o local escolhido para a realização da Feira do Livro de Pinhel. Trata-se da quinta edição desta iniciativa que tem como objectivo divulgar os livros e promover a leitura. Organização: Município de Pinhel / Biblioteca Municipal de Pinhel / Falcão E.M. Programa 3ª feira, 19 Junho 21.00h: Inauguração da 5ª Feira do Livro 21.30h: Grupo de Bombos Os Beirões de Maçainhas 4ª feira, 20 Junho 10.00h e 14.00h: “Simão conta um conto” (S.A. Marionetas) 15.00h: Entrega de Prémios do Concurso “Tenha bom ambiente com Dias Verdes sempre presente” 21.30h: “Ti Manel e o Burro” (Levados da Breca) 5ª feira, 21 Junho 10.00h e 14.00h: “Simão conta um conto” (S.A. Marionetas) 15.00h e 21.30h: Sessão de Autógrafos com Cláudia Semedo, autora do livro infantil “Adormecer Se(m) Medo” (Plátano Editora) 22.00h: “Livros à la minute” (Levados da Breca) 6ª feira, 22 Junho 14.00h: Abertura da Feira 21.30h: Concerto de lançamento do CD “Zéthoven e Percussão” Sábado, 23 Junho 14.00h: Abertura da Feira 16.00h: Apresentação do livro “sobre o Amor e outras cousas”, de jota esse (Cine-Teatro São Luís) 21.30h: “Palavra dos Poetas”, por Nuno Miguel Henriques (Teatro Azul) 22.30h: Noite de São João com o organista Daniel Saraiva (Org.: Bairro do Marco) Domingo, 24 Junho 16.30h: Banda Filarmónica de Pinhel 17.30h: “Tão Longe” – performance poética (Teatro do Imaginário - Manigoto) 21.30h: “Camões é um Poeta Rap” (Arte Pública) 22.30h: Noite de São João com o organista Fernando Monteiro (Org.: Bairro do Marco) Animação de rua permanente Editoras presentes Asa Bertrand Caminho Civilização Cunha Simões Gailivro Oficina do Livro Pergaminho Plátano Texto Editora Terramar Principia Alfarrabista

Benfica entra na OPAmania

A empresa de gestão Metalgest, do empresário Joe Berardo, lançou uma oferta pública parcial de aquisição sobre 60 por cento do capital da Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, respeitante a 9.000.001 acções da categoria B. O empresário oferece 3,5 euros por cada acção. (via Público)
As acções da Sport Lisboa e Benfica SAD fecharam o dia de hoje a valerem 4,15 euros, contra os 2,69 que se registavam na abertura da Bolsa de Lisboa nesta quinta-feira, o que representa uma valorização de 54,28%. A meio da tarde os «papéis» do Benfica chegaram a atingir os 4,95 euros. (via A Bola)
Depois do fracasso da OPA lançada pela Sonae sobre a PT, e da OPA lançada pelo BCP pelo BPI, à terceira será de vez? Por agora, apenas se pode concluir que Joe Berardo terá que rever os valores em alta. Até onde subirão os valores das acções do Benfica? Progonósticos...
(clique na imagem para ampliar)
A 26 de Janeiro de 2006 em Perth, na Austrália, uma multidão juntou-se numa praia local para testemunhar um espectáculo de fogo-de-artifício.Entretanto, uma trovoada começou a aparecer do lado direito.Mas o mais inesperado, foi entre estas duas manifestações de luz aparecer uma terceira, o Cometa McNaught, actualmente visível no hemisfério sul.Um autêntico três-em-um que resultou nesta foto fantástica. O cometa é visivel do lado direito do fogo de artificio.

no comments #8

quinta-feira, 14 de junho de 2007

teste de masculinidade

Havia nesses tempos um teste de masculinidade muito popular, que consistia em três perguntas: (1) Olhe para as suas unhas (uma rapariga estende os dedos, um rapaz dobra os dedos sobre a palma da mão); (2) Olhe para cima (uma rapariga limita-se a erguer os olhos, um rapaz inclina a cabeça toda para trás); (3) Acenda um fósforo (uma rapariga afasta o fósforo do corpo, um rapaz aproxima - ou talvez fosse o contrário, não me lembro). Mas havia sinais menos esotéricos. Um homem cruza as pernas, fazendo descansar um tornozelo sobre o joelho; um maricas suspende uma perna em cima da outra. Um homem nunca se mostra efusivo, não desata a tagarelar por dá cá aquela palha; ou é silencioso ou então fala bem alto e claro e sem excessos. Eu não sabia dizer palavrões: dizia sempre o g final de fucking e nunca sabia em que sítio da frase devia meter damn ou hell. EDMUND WHITE, in. A Vida Privada de um Rapaz

Lê o texto antes de olhares para a fotografia

ENCONTRE O HOMEM NO CAFÉ... Consegues encontrar o homem nesta foto em três segundos? De acordo com experiências médicas: - Se conseguires encontrar o homem em três segundos, o teu cérebro é mais desenvolvido que o cérebro de pessoas normais; - Se conseguires encontrar o homem em 1 minuto, o teu cérebro é normalmente desenvolvido; - Se conseguires encontrar o homem entre 1 a 3 minutos, o teu cérebro está a reagir lentamente, e deves ingerir mais proteínas; - Se conseguires encontrar o homem após 3 minutos, o teu cérebro é um desastre, extremamente lento, e a única sugestão é: visiona mais desenhos para desenvolveres o teu cérebro! Isto não é nenhuma piada, o homem está realmente lá!

terça-feira, 12 de junho de 2007

penalty no último minuto*

- É preciso ter azar!... Bastava que uma coisa tivesse acontecido, para que todos os meus sonhos se tivessem realizado... - O quê?! - Bastava que não tivesse nascido... - Realmente, que azar! E saber que tinhas todas as probabilidades a teu favor...
*do tempo de compensação, é óbvio!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

informação

Todos os livros do catálogo da Editorial 100 estão à venda no El Corte Inglés, de Lisboa e Gaia. Quem quiser adquirir algum destes livros, mas que não se encontre numa destas localidades (ou perto) pode fazê-lo enviando um e-mail para o editor: diego@editorial100.pt
Boas leituras!

Adão e Eva

Cartoon Adão e Eva

A luz surge onde nenhum sol brilha…

A luz surge onde nenhum sol brilha; Onde nenhum mar se agita, as águas do coração Fazem avançar as suas marés; E, fantasmas destruídos com vermes nas suas cabeças, Esses objectos de luz Percorrem a carne onde nenhuma carne esconde os ossos. Uma candeia junto às coxas Aquece a semente da juventude e queima a da idade; Onde nenhuma semente cresce, O fruto do homem mostra o seu vigor nas estrelas, Brilhante como um figo; Onde nenhuma cera existe, a vela apenas mostra os seus cabelos. A manhã surge por detrás dos olhos; E o sangue agita-se como um mar Da cabeça aos pés; Sem defesa nem protecção, as nascentes do céu Irrompem dos seus limites Ao darem-se conta de um sorriso no óleo das lágrimas. Como uma lua a noite cerca Com sua órbita os limites do mundo; O dia nasce nos ossos; Onde nenhum frio existe, a tempestade destrói As roupas do inverno; E a primavera surge nas pálpebras. A luz surge em lugares secretos, Nos limites do pensamento, onde o seu aroma surge sob a chuva; Quando a lógica morre, O segredo da terra cresce através dos olhos, E o sangue jorra do sol; Sobre os campos destruídos, a madrugada detém-se. DYLAN THOMAS (Versão de manuel a. domingos)

domingo, 10 de junho de 2007

10 de Junho

LEGENDA Ó pátria mil vezes Santa - Meu Portugal, minha terra Onde vivo e onde nasci! Na tua História me perco, E nela tudo aprendi. Mesmo que fosses pequena E eu te visse pobre ou nua -Ninguém ama a sua Pátria por ser grande, Mas sim por ser sua! ANTÓNIO BOTTO, in. Canções

Correio R&L

Por iniciativa da Embaixada de Portugal em França - e para não fugir ao que já constitui uma «tradição» -, em Paris, o dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas (10 de junho) foi unicamente assinalado com uma missa solene (e oficial) de acção de graças na Igreja de Notre Dame... Do facto, como é óbvio, a associação cívica República e Laicidade apressou-se a reclamar junto do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. A carta enviada pode ser lida aqui: http://www.laicidade.org/2007/06/10/10-junho-comemoracao-oficial-em-paris/ Saudações republicanas e laicas

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Inês, diz «Sim!»...

Pode assinar a original petição do António aqui: http://www.petitiononline.com/inessim/petition.html

pornografia

Imagem retirada do blog casa de osso.

correio R&L

Responsáveis pela assistência religiosa a doentes internados em hospitais do Serviço Nacional de Saúde, as (sempre, sempre e ainda sempre católicas) capelanias hospitalares foram, muito recentemente, objecto de um projecto de regulamentação elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde; iniciativa que colheu parecer favorável da Comissão de Liberdade Religiosa (voto contra do representante da Aliança Evangélica) e da Coordenação (católica) da Capelanias Hospitalares... Que vai acontecer então? Vão ser mantidas em actividade - e até regulamentadas - as actuais capelanias hospitalares (católicas) «funcionalizadas» e assalariadas pelo Estado ??? É que, embora a Constituição da República Portuguesa determine que "ninguém pode ser (...) privado de direitos (...) por causa das suas convicções ou prática religiosa" e a Lei da Liberdade Religiosa também estabeleça idêntico direito de acesso de todas as confissões a prestar essa assistência espiritual, ao especificar que "o internamento em hospitais (...) não impede o exercício da liberdade religiosa e, nomeadamente, do direito à assistência religiosa e à prática dos actos de culto", a Concordata de 2004 só compromete a República Portuguesa a "garantir à Igreja Católica o livre exercício da assistência religiosa católica às pessoas que, por motivo de internamento em estabelecimento de saúde (...), estejam impedidas de exercer, em condições normais, o direito de liberdade religiosa e assim o solicitem" - não a pagar essa assistência como se da prestação de um «serviço público» se tratasse !!! Paralelamente a essa situação de manifesta - e ilegal - disparidade na prestação de apoio espiritual a doentes católicos e não católicos dos Serviços Públicos de Saúde, existem ainda, no âmbito desses mesmos serviços, duas outras situações aberrantes sob o ponto de vista da Laicidade do Estado e do Direito à Liberdade Religiosa dos Cidadãos, a saber: (1) as «decorações confessionais» (também católicas) que marcam muitos espaços das instalações dependentes do Ministério da Saúde (hospitais e centros de saúde) e (2) os locais hospitalares destinados ao recolhimento espiritual dos doentes internados (e seus próximos) que, de espaços «confessionalmente neutros», frequentemente acabaram transfigurados em «capelas católicas» assumidas em exclusividade confessional. Foi por esses motivos que a associação cívica República e Laicidade entendeu por bem endereçar ao Ministro da Saúde da República Portuguesa a carta/exposição que se pode ler aqui: http://www.laicidade.org/2007/06/07/rl-capelas-decoracoes-carta-ministro-saude/ ou aqui (em pdf): http://www.laicidade.org/wp-content/uploads/2007/06/ms-2007-06-07-a.pdf Saudações republicanas e laicas

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Fotografia de Jorge Filipe.

rascunho encontrado num caderno abandonado #40

Pela primeira vez na vida senti-me invejoso. Nunca desejei, nunca quis, nada de ninguém. Nunca quis ser Outro. Mas hoje ao final do dia, enquanto passeava à beira-rio, gargalhadas sonoras esvoaçaram por entre a verde ramagem dos salgueiros como gorjeios de belas aves. E então, pela primeira vez, senti inveja: inveja das pessoas que são felizes, que conseguem ser felizes, nem que apenas um momento, um instante, o instante de um gorjeio espalhando-se pelo espaço, como o som de uma explosão, que num momento se mostra e depois se silencia. Eu nunca fui feliz. Ou talvez tenha sido. Num tempo que a minha memória já não vislumbra. Onde, nos espíritos das outras pessoas faz alegria, no meu faz silêncio, do mesmo modo que nuns lugares faz sol e noutros chove. Se ao menos nevasse...
#1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38, #39,

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Cock Tale Party - Estreia amanhã*

*Mapa com referência ao maria Lisboa, onde o espectáculo terá lugar.

reposição*

No tempo do colégio, dizíamos
com crueldade, das freiras,
que caminhavam aos pares,
cabisbaixas, cochichando
que um amante as abandonara, ou
um noivo da terra as deixara
prostradas frente ao altar.

A euforia da vida latejava-nos
nos pulsos. Entrelaçada nas mãos
estava a inocência. Ainda
não tínhamos a grande dor
das desilusões, que viriam depois,
nem sabíamos das contradições, da vida.

Mas isso era no tempo
em que a vida não tinha
obstáculos. Em que a existência
caminhava, inconsciente e livre.
No tempo em que teríamos
uma casa confortável
nos subúrbios, e viveríamos
felizes para sempre, como
nas histórias de encantar

Não tínhamos, ainda, gozado
as experiências, ingénuas, do sexo
nem suportado, o tédio
as noites pejadas de desejo

Tínhamos a paz, de quem se deitava
e calmamente, adormecia
para quem, entre o deitar e o erguer havia
apenas o sonho. Porém, a vida se interpôs

Não tínhamos, ainda, vivido
o primeiro amor, aquele que
ansiosamente esperámos. Aquele que
desperdicámos. Aquele que
Para sempre, nos podia ter salvado.

*A pedido de um amigo. Havia sido publicado aqui.

terça-feira, 5 de junho de 2007

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Não mintas dessa maneira. Vê-se - Muito claramente, Que é mentira quanto dizes, E a mentira, muitas vezes, - Quando não tem convicção, Em vez de afirmar destrói Toda a ilusão. Mente com outro sorriso - Mas mente!, Porque mentir, Infelizmente, é preciso. Essas palavras de amor Doidamente construídas, São necessárias À comédia sempre igual Das nossas vidas. - E a mentira do teu corpo Tem o sabor venenoso De uma laranja madura Numa paisagem lunar. - Se deixasses de mentir, Eu deixava de te amar. ANTÓNIO BOTTO, In. Canções
Chora a amante esquecida, Chora quem vai barra fora; - Quem não chorou nesta vida Se o próprio mar tembém chora? Sim; tudo acaba num ai, Num silêncio, num olhar, Ou numa lágrima triste! - Nem já sei se te beijei, Nem me lembro se me vistes... É isto, apenas. O mais, É mentira e fantasia... - Se a vida não fosse choro, O que é que a vida seria? ANTÓNIO BOTTO, In. Canções
Apesar disso, sou teoricamente a favor de que os seres humanos façam amor às direitas ou às avessas, sozinhos ou aos pares ou em promíscuos contubérnios colectivos (aiiii), de que os homens copulem com homens e as mulheres com mulheres e ambos com patos, cães, melancias, bananas ou melões e todas as asquerosidades imagináveis se as fizerem de comum acordo e me busca do prazer, não da reprodução, acidente do sexo ao qual cabe resignar-se como a um mal menor, mas de maneira nenhuma santificar como justificação da festa carnal (esta imbecilidade da Igreja exaspera-me tanto como um desafio de básquete).


MÁRIO VARGAS LLOSA, In. Os Cadernos de Dom Rigoberto

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Cock Tale

“Cock Tale” é uma comédia politicamente incorrecta, cuja acção tem lugar em plena década de 80 e que promete arrebatar o público, através da história subversiva de três amigas que dividem um apartamento e que passam uma noite alucinante na companhia de um misterioso convidado. Trata-se de uma sátira perversa e mordaz, com um humor bastante acutilante, que se define através de tons de blush e batons, que vão traçando ironicamente a ponte entre o sexo e a religião. Este espectáculo com uma linha realista (embora por vezes absurda), pretende renovar o estilo de comédia que se faz em Portugal, podendo eventualmente chocar ou ser alvo de alguma censura, devido à sua linguagem crua e aos seus conteúdos provocadores em relação à instituição da igreja católica. Cock Tale vai estar em cena em: LISBOA De 07 de Junho a 30 de Junho (à excepção dos dias 14 e 15) Quintas, Sextas e Sábados, 21h30m Auditório Carlos Paredes (Benfica) Classificação: M/ 16 Preço: 8 Euros Descontos: Estudantes, Maiores de 65 anos, Grupos de 10 ou mais pessoas: 5 Euros 5ª feira: 5 Euros (preço especial) Contactos e Informações: 21 421 31 88 / 96 637 71 72/ 93 628 81 54 Reservas: 21 712 30 00 www.myspace.com/cocktaleteatro

Amizade

A amizade é o mais belo afluente do amor, ela ajuda a resolver, com paciência, as complicadas equações da convivência humana. A amizade é tão forte quanto o amor, ela educa o amor, sinalizando o caminho da coerência, apontando as veredas da justiça, controlando os excessos da paixão. A amizade é um forte elo que une pessoas na corrente do querer. Amizade é cola divina, cola demais, pode doer. A amizade tem muito mais juízo que o amor, quando ele se esgota e cisma de ir embora, ela se propõe a ficar, vigiando o sentimento que sobrou. IVONE BOECHAT

Mas o melhor do mundo são as crianças*

Poema Pial Toda a gente que tem as mãos frias Deve metê-las dentro das pias. Pia número UM, Para quem mexe as orelhas em jejum. Pia número DOIS, Para quem bebe bifes de bois. Pia número TRÊS, Para quem espirra só uma vez. Pia número QUATRO, Para quem manda as ventas ao teatro. Pia número CINCO, Para quem come a chave do trinco. Pia número SEIS, Para quem se penteia com bolos-reis. Pia número SETE, Para quem canta até que o telhado se derrete. Pia número OITO, Para quem parte nozes quando é afoito. Pia número NOVE, Para quem se parece com uma couve. Pia número DEZ, Para quem cola selos nas unhas dos pés. E, como as mãos já não estão frias, Tampa nas pias! FERNANDO PESSOA *Verso do poema "Liberdade" de Fernando Pessoa.