segunda-feira, 30 de abril de 2007

o meu fim-de-semana

Os meus caros amigos... leitores... visitantes... terão, talvez, reparado que nos últimos dias este blog esteve um tanto ou quanto parado... O motivo, se clicarem na imagem deste post, poderão sabê-lo prontamente. Explico: reencontrei um antigo vício... Alguém (ou automáticamente) adicionou o meu blog ao índice do Blog$hare... Em conseqüência disso, alguém visitou este blog, a partir daquele site de jogo virtual na bolsa de blogs... Quando em meados de 2003 criei o meu primeiro blog - pesavam que este era o primeiro? - logo descobri esta bolsa, e passava horas a jogar... Mas não conseguia fazer dinheiro nenhum, pelo que rápidamente desisti! Nestes últimos dois dias, consegui crescer - como poderão constatar, clicando na imagem - 1,151,094,641.24% - passando dos B$500 iniciais, para B$5,755,992,643.59!!! Estou podre de rico! Se fosse real, dividia convosco... Mas é virtual... Por isso me ausentei! Isto explicado, digo que escrevi algumas palavras com uma acentuação que alguns (quiçá todos) de vós irá achar estranho... É o meu humilde protesto contra o acordo ortográfico, porque eu cá não deixarei de escrever as consoantes mudas, isso é que não. E tão pouco me importa que os Brasileiros o façam. Não deixo de os ler por causa disso! E se acaso eles não lêem os autores portugueses, não é por causa de alguns ajustamentos ridículos que vão passar a fazê-lo... Enfim, devaneios próprios das 3:33... Aproveito este post igualmente para agradecer ao Rui a referência que fez ao meu livro... A propósito de ortografia, alguns Egitanienses (habitantes da Guarda) escrevem "Viva á Liberdade" porque é como se lê "Viva a Liberdade"...

thinking blogger #2

A White Box nomeou-me para o thinking blogger award... Pela segunda vez sou chamado a nomear cinco blogs... Os primeiros cinco que nomeei podem ser vistos aqui... Bem, isto de escolher, como já disse, é um pouco complicado, mas depois da primeira... Além de mais, quem me visita já deve ter notado... Estas coisas inúteis que preenchem a internet, e a blogosfera de modo particular... Um modo de passar o tempo, como outro qualquer... Como se fosse uma conversa de café... Aqui ficam os meus cinco nomeados, nesta segunda oportunidade de votar que me foi dada... Antes disso... É também uma oportunidade para nomear amigos... Da vida real... E não só! Se alguém me quiser nomear... Já tenho mais nomes na calha! Mas... Se quiser ser nomeado por mim... Então não me nomeie... Que isso sim... Nomear quem nos nomeou é que seria totalmente punheteiro... tímido, intelectual e tudo! Ficam portanto nomeados, embora sem o terem sido, aqueles que me nomearam! Obrigado Papagueno, obrigado White Box!

sexta-feira, 27 de abril de 2007

LUGAR - IV


Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.

Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde
uma paixão bárbara, um amor.
Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
Olho minha loucura, escada
sobre escada.

Mulheres que eu amo com um des-
espero fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em quem toco levemente
levemente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão

Dentro da minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.

Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
das suas cabeças
ardentes: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.


HERBERTO HELDER, In. A Colher na Boca
VERSOS Escrito num exemplar d' As Flores do Mal [Charles Baudelaire] As flores que nossa alma descuidada Colhe na mocidade com mão casta, São belas, sim: basta aspirá-las, basta Uma vez, fica a gente enfeitiçada. Nascem num prado ou riba sossegada, Sob um céu puro e luz serena e vasta; Têm fragrância subtil, mas nunca exausta, Falam d'Amor e Bem à alma enlevada... Mas as flores nascidas sobre o asfalto Dessas ruas, no pó e entre bulício, Sem ar, sem luz, sem um sorrir do alto, Que têm elas, que assim nos endoidecem? Têm o que mais as almas apetecem... Têm o aroma irritante e acre do Vício!
ANTERO DE QUENTAL, In. Sonetos Completos [livros de bolso, da Europa-América]

quinta-feira, 26 de abril de 2007

a propósito de Revolução...

A revolução é a vida e os preconceitos encarregam-se de cavar o seu próprio túmulo.
PABLO NERUDA, In. Confesso que Vivi [Livros de Bolso Europa-América]

soneto XXII

Quantas vezes, amor, te amei sem te ver e talvez sem me lembrar 
sem reconhecer teu olhar, sem olhar-te, centáurea, 
em regiões hostis, num meio-dia ardente: 
tu eras só o aroma dos cereais que amo. 

Vi-te talvez, imaginei-te ao passar erguendo uma taça 
em Angol, à luz da lua de Junho, 
ou eras tu a cintura daquela guitarra 
que toquei nas trevas e soou como o mar desmedido. 

Amei-te sem o saber, e procurei a tua memória. 
Nas casa vazias entrei com lanterna para roubar o teu retrato. 
Mas eu já sabia como eras. De repente 

enquanto lias comigo toquei-te e a minha vida parou: 
estavas diante de mim, reinando sobre mim, e ainda reinas. 
Como fogueira dos bosques, o fogo é o teu reino.  

PABLO NERUDA, In. Cem Sonetos de Amor [Tradução de Albano Martins, Campo das Letras, Maio de 2004]
Meu coração, Estamos muito longe um do outro - mas, afinal, uma milha é tão mau como mil - o que é uma grande consolação para quem tem que viajar seiscentas antes de te encontrar de novo. - Se te traz alguma satisfação - Sinto-me tão mal como um peregrino com pedras nos sapatos - e tão frio como a Caridade - a Castidade ou qualquer outra virtude. Lorde BYRON (1788-1824)
O que é Amar? Amar é ver morrer a cada hora um sonho que o Amor crucificou e vestir-se de luto a cada aurora um desejo febril que agonizou... É lavar toda a dor, toda a amargura na fonte de piedade dum olhar e ver depois por uma noite escura que a dor é imensa e a fonte está a secar... É ver nos olhos verdes que beijamos cair a cinza vã da vida morta... E quando o tédio bate à nossa porta, erguer nas mãos as dessa que adoramos e beijá-las pedindo-lhe perdão de ter a alma morta e morto o coração... ANTÓNIO PATRÍCIO, In. Oceano
Epígrafe para a Arte de Furtar

Roubam-me Deus,
outros o Diabo
- quem cantarei?

roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubaram
- quem cantarei?

sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
todos me roubam
- quem cantarei?

roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui del-rei!


JORGE DE SENA, In. Felicidade (1958)

quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 de Abril

O PAÍS SEM MAL Um etnólogo diz ter encontrado Entre selvas e rios depois de longa busca Uma tribo de índios errantes Exaustos exauridos semimortos Pois tinham partido desde há longos anos Percorrendo florestas desertos e campinas Subindo e descendo montanhas e colinas Atravessando rios Em busca do páis sem mal - Como os revolucionários do meu tempo Nada tinham encontrado Sophia de Mello Breyner Andresen In. Ilhas (a 1.ª edição é de 1989; podem ler este poema na página 56 da edição definitiva, de Fevereiro de 2004, da Caminho)

terça-feira, 24 de abril de 2007

um poema em fúria...

Violo as entranhas da moral com luxúria
Através da concupiscência das horas
Bebo o sangue dos culpados,
Em suaves golos
Tenho gula de matar a hipocrisia...
E tudo isto é religião!!!

Rezo

Amo os deuses pederastas
A arder nas fogueiras da inquisição
Silenciosamente, mortos por padres
A sodomizar crianças...
E tudo isto é religião!!!

Grito

Em cima dos montes, das casas, dos vales
Mil imagens sonoras, num segundo
Toda a vida
Odeio tudo e amo
Furiosamente...
E tudo isto é religião!!!

ócio

O prazer que o ócio me dá! Sentar-me numa mesa do café, E passar o dia todo lá!

o caminho

versão 1 Tantos lugares percorri, Tantas vida que vivi, Quanto devia saber? Mas tudo esqueci! Tanto queria voltar a percorrer; A vida gostava outra vez de viver; Queria conhecer tudo o que vivi... Mas tudo o que tinha deixei de ter! versão 2 Tantos lugares percorri, tanto queria voltar a percorrer; Tantas vidas que vivi, a vida gostava outra vez de viver; Quanto devia saber? Queria conhecer tudo o que vivi; Mas tudo esqueci! Mas tudo o que tinha deixei de ter!

recebido por e-mail

Mário Soares: Contos proibidos...
Meus amigos, Ainda se lembram das trapalhadas do "Fax de Macau" com o Melancia, 50mil contos etc, etc..? Pelo meio havia um deputado do PS que tb foi apanhado no rol: RUI MATEUS. E no inquérito efectuado foi considerado culpado... Pois este deputado, f#d&d@ com o resultado do inquérito escreveu um livro logo a seguir, em 1995: Contos proibidos - Memórias de PS Desconhecido. Livro esse que que foi retirado de publicação!!! E nunca mais publicado! Nos Alfarrabistas, já houve quem desse 20 contos pela antiguidade. Pois esse livro está disponivel na Net. Um sujeito colocou-o lá. Para quem quiser ler o livro e fazer o download, estão em baixo as instruções e o link dado pela pessoa que o colocou na net. É um livro que conta toda a história do PS desde a sua fundação em 1973 até 1996, altura em que foi escrito. Foi escrito por Rui Mateus, que ajudou a fundar o PS com o Mário Soares e outros, mas depois foi afastado. A digitalização não está grande coisa, mas dá para ler. Aproveito para informar que o primeiro e talvez o segundo capítulo são um pouco "chatos" ou difíceis de ler, o que pode desmotivar a leitura dos restantes. No entanto, à medida que se avança, começa a haver relatos de jogos de poder e aldrabices, envolvendo as mais conhecidas personalidades do PS. Relatos esses muito bem referenciados (livros escritos por outro autores, jornais, revistas, actas de reuniões, etc.) e com cópias de documentos nos anexos do livro, que os tornam credíveis (ou pelo menos confirmáveis). E tornam o livro muito interessante. É este o link que deve seguir, para fazer o download: http://rapidshare.com/files/23967307/Livro_Contos_Proibidos.pdf - Quando a página abrir, clique na caixa "Free"; - Aguarde que a contagem decrescente chegue ao fim; - Seleccione uma das quatro opções de download (não sei qual é a diferença); - Preencha a caixa a seguir à palavra "here:" com os caracteres que vir na imagem; - Clique na caixa que diz "Download from ..."; - Inicie o download.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

post-a-pedido

Um internauta googlou até a este blog, na busca deste bilhete. Aqui se publica, para o (a)caso de cá voltar.

dia mundial do livro #4

Mas também lho sugerira o livro que acabava de retirar da gaveta. Um livro particularmente belo, feito em papel macio, de cor creme, algo amarelecido pelo tempo, de um tipo que já não se fabricava havia pelo menos quarenta anos. Winston calculava, no entanto, que o livro seria muito mais antigo do que isso. Vira-o exposto na montra de uma poeirenta loja de velharias num bairro degradado da cidade (que bairro, ao certo, já não se lembrava) e sentira-se imediatamente tomado do desejo irresístivel de o possuir. Os membros do Partido não deviam frequentar as lojas normais (chamava-se a isso «negociar no mercado livre»), mas a regra não era rigorosamente observada, pois havia várias coisas, como atacadores e lâminas de barbear, impossíveis de obter senão assim. Deitara uma olhadela rápida a um e outro lado da rua, esgueirara-se para o interior da loja e comprara o livro por dois dólares e cinquenta. Nessa altura não tinha consciência de o querer para qualquer fim determinado. Levara-o para casa na pasta, como um criminoso. Esse objecto comprometedor, mesmo sem nada escrito. Winston preparava-se para começar um diário, o que não era ilegal (nada era ilegal, uma vez que já não havia leis). Mas, caso fosse detectado, não lhe restavam dúvidas de que seria punido com a morte, ou pelo menos com vinte e cinco anos num campo de trabalhos forçados.
GEORGE ORWELL, In. 1984

encontro de Poetas Eslovenos e Portugueses

Com os poetas Brane Mozetič, Taja Kramberger, Jaime Rocha e Maria do Rosário Pedreira. Intervenção do músico esloveno Lado Jakša. Apresentação de Casimiro de Brito e Mateja Rozman. 2 de Maio - 18.30h Casa Fernando Pessoa

dia mundial do livro #3

Rui Matos faz uma simples evocação de Bison Ravi, perdão Vernon Sullivan, no dia mundial do livro. Um excelente post (mais um, do Macroscópio) a não perder. Deixa também uma outra sugestão, para este dia, o biblo dos biblos, a bíblia. Certo! Os cincos primeiros livros que compõem este livro, são no mínimo irresistíveis... Hilariantes, diria mesmo... De um refinado humor!... Com contornos de macabro... Pena que haja quem insista em os levar à letra...

o ópio dos intelectuais*

Post a não perder (do qual retirei este pequeno excerto, que aqui apresento): «E então um desses três Deuses, embora Deus seja só um, mas que, sendo um desses três (embora todos três sejam só um), se chamava Espírito Santo, engravidou uma mulher virgem, que ainda assim continuou virgem. «E então, talvez nove meses depois, nasceu Deus, ou seja nasceu uma criança filha dela própria, ou seja, que tinha engravidado a sua própria mãe, e que era simultaneamente pai de si próprio. «Nessa forma de homem, agora chamado Jesus, Deus cresceu e resolveu morrer por ordem de Deus, isto é, de si próprio. Por outras palavras, suicidou-se. «Depois disso, subiu ao Céu, em corpo e alma, onde está agora sentado à direita de Deus pai. Por outras palavras, está sentado à direita de si próprio, com o Espírito Santo a esvoaçar em forma de pomba por ali perto, embora todos eles sejam só um. Embora ao mesmo tempo sejam três, tudo isto, claro, sem prejuízo de serem só um». *Título blogosfericamente abduzido do blog Random Precision, que é o título da crónica publicada por João Carlos Espada no Express do último sábado.

dia mundial do livro #2

LIBERDADE (Falta uma citação de Séneca)* Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O sol doira Sem literarura. O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quando há bruma, Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca. O mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca... FERNANDO PESSOA, * Originalmente, o poema tem esta indicação: (Falta uma sitação de Séneca). Ficaremos sem saber que citação era essa, pois o poeta nunca a indicou.

domingo, 22 de abril de 2007

descontos de 50%, amanhã...

Para assinalar o Dia Mundial do Livro (23 de Abril), a livraria da Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, 1150-258 Lisboa) fará amanhã, ao longo de todo o dia, um desconto de 50% em todos os livros com mais de 18 meses de publicação.

não resisti...*

Fotografia comentada, por Why Not Now. (*Espero que o encontro de Bloggers tenha corrido conforme o esperado.) Por falar em campanha eleitoral: o regresso do populismo, por João Paulo Sousa.

excerto de "A Saudade"

São altas horas da madrugada
E eu ainda não me fui deitar.
Faço estes versos sem sentido
Para esquecer as lágrimas que choro...

Eu ainda não me fui deitar
Nem me quero ir deitar.
Tenho sono, muito sono!,
Mas não tenho vontade de dormir!

Eu ainda não me fui deitar!
Prefiro estar aqui a chorar
Sozinho...

Quero chorar sem fim
Até ficar desidratado
E ter os olhos inchados...

E quando não tiver mais lágrimas
Para chorar,
Continuarei a chorar as lágrimas-versos-sem-sentido!

São altas horas da madrugada
E eu ainda não me fui deitar;
Continuo aqui a chorar
Sem saber porquê!, talvez por nada!

São altas horas da madrugada,
E eu já devia dormir há horas!
Mas é melhor continuar aqui a chorar,
E a ouvir música que me dá vontade de chorar...

E a lembrar o tempo morto que me dá vontade de chorar
E a lembrar tudo que me faça chorar,
Porque me apetece chorar,
Agora, que não sei porque é que estou a chorar...

São altas horas da madrugada;
Se me tivesse deitado
Não podia escrever estes versos-lágrimas-sem-sentido...

Que sortudo que eu sou...
Que não me fui deitar porque choro
Sem saber porquê, com sono e sem vontade de dormir...

São altas horas da madrugada,
E tudo que me lembra é chorar;
Mas não me lembra porque é que choro!

São altas horas da madrugada,
Que raios que estou sempre a repetir
Que são altas horas da madrugada...
São duas horas e quarenta e seis minutos!

São altas horas da madrugada,
E tudo o que faço, faço-o porque sim!
Tudo o que faço parece não ter filosofia;
E ainda bem que não tem filosofia!...

Choro!, choro cada vez mais,
Ao ritmo dos meus versos
Cada vez mais sem sentido!
Coitados dos meus versos!

Tudo parece perder o sentido
A esta hora da madrugada:
Lá fora não se houve nada!

Está tudo a dormir...
Parecem todos despreocupados,
Mas mesmo a dormir, não devem estar mais descansados...

thinking blogger

O Papagueno, do blog Bairro do Amor, escolheu-me para a sua lista de thinking bloggers... Quer isto dizer que agora me cabe a mim escolher cinco blogs... Ora aí está algo inesperado que me deixou a pensar.... Agora tenho que escolher cinco blogs... É muito mais fácil ser escolhido, que escolher... Entretanto, aproveito para agradecer o prémio.... Há anos que não ganhava nada!... O último prémio que me lembro de ganhar, foi no quadro de honra do colégio, por ter tudo 4 e/ou 5, nas notas... O que não era nada fácil, porque tinha quase sempre 3, alternadamente, a música ou a educação física... Geralmente porque não conseguia afinar o Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Si-Dó... Metia dó ouvir-me cantar... Ou porque não conseguia fazer o salto em altura... Sempre gostei de ter os pés bem assentes no chão... Tentem lá meter-me dentro de um avião... O tanas é que metiam!... Voar? Só na imaginação... Se calhar é por isso que sonho tantas vezes que estou a voar... Tenho que reler os meus livros de Freud... Obviamente os livros são dele... Mas são meus porque os comprei. Ora ai está!... Com muitas reticências e tudo... Parece um texto de Louis-Ferdinand Céline... Punheteiro, tímido, intelectual e tudo...! Era o que ele dizia... E isto de ter que escolher cinco thinking bloggers também me parece um pouco punheteiro, tímido, intelectual e tudo... Masturbação intelectual, pois claro!... Que é onde acabam os excessivamente tímidos... Sem mais delongas, aqui fica... Os primeiros cincos que me vieram à cabeça... Que é para não ter que pensar muito... Antes que esturre o meu cérebro...
  1. Macroscópio
  2. Da Literatura
  3. hoje há conquilhas...
  4. In Absentia
  5. Diário Ateísta
Por mim escolhia todos... Mas a atribuição de prémios tem destas coisas!...

sábado, 21 de abril de 2007

massacre na Virginia Tech, em cartoons

Pode ver mais cartoons no blog Devaneios Desintéricos.

igreja católica elimina o limbo

Cartoon Igreja Católica Bento XVI Limbo

a questão

Perguntaram-me quantos livros já li! Não sei! Não faço a mais pequena ideia. Sei apenas que li todos os livros, que estão publicados em Português, de Franz Kafka e Yukio Mishima. Também li tudo o que há publicado de Fernando Pessoa e Mário Sá-Carneiro. Li quase todos os livros de José Saramago (falta-me ler o Levantado do Chão, e a História do Cerco de Lisboa e alguns poemas). Perguntaram-me se eram mais que mil! Com certeza, muitos mais. Mas não sei quantos...

sócrates...

Via Cartoonices, do António Santos.

The Wage

Hoje, às 19:00, concerto dos The Wage [visitem também o blog Daily Wage, e o blog do vocalista/guitarrista Thunder Road, e o blog do guitarrista Baba O'Riley] na RUC [Rádio Universitária de Coimbra]. Sintonizem-se! Reposição às 02:00 (já do dia 22/04).

que vida é esta?

E uma pessoa não tem ninguém nem nada e viaja pelo mundo fora com uma mala e uma caixa de livros e sem qualquer tipo de curiosidade. De facto, que vida é esta? Sem casa, sem coisas herdadas, sem cães. Se ao menos uma pessoa tivesse recordações! Mas quem as tem? Se houvesse infância... Mas ela está como que enterrada. Talvez seja preciso ser-se velho para alcançar tudo isso. Penso que deve ser bom ser velho. 


RAINER MARIA RILKE, In. As Anotações de Malte Laurids Brigge. [Relódio D'Água Editores, Dezembro de 2003]

Sigur Ros- vidrar vel til loftarasa (video)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

neologismos

Adoro palavras novas; acabadinhas de inventar, como se saíssem do forno, e ainda estivessem quentinhas, com o fulgor inicial, a vibração do desconhecido, ecoando através da realidade, excepto se estiver a jogar Scrabble!

carta de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz*

Ofelinha:

Gostei muito da sua carta, e realmente não vejo que a fotografia de qualquer meliante, ainda que esse meliante seja o irmão gémeo que não tenho, forme motivo para agradecimento. Então uma sombra bêbada ocupa lugar nas lembranças?
Ao meu exílio, que sou eu mesmo, a sua carta chegou como uma alegria lá de casa, e sou eu que tenho que agradecer, pequenina.
Já agora uso a ocasião e peço-lhe desculpa de três cousas, que são a mesma cousa, e de que não tive a culpa. Por três vezes a encontrei e a não cumprimentei, porque a não vi bem ou, antes, a tempo. Uma vez foi já há muito, na Rua do Ouro e à noite; ia a Ofelinha com um rapaz que supus seu noivo, ou namorado, mas realmente não sei se era o que era justo que fosse. As duas outras vezes foram recentes, e no carro em que ambos seguíamos, no sentido que acaba na Estrela. Vi-a, uma das vezes, só de soslaio, e os desgraçados que usam óculos têm um soslaio imperfeito.
Outra cousa... Não, não é nada, boca doce...

Fernando


*Carta em resposta à publicada no post anterior; posterior ao lerem este blog. A edição que tenho em casa é a de bolso, da Europa-América, de 1986: Escritos Íntimos, Cartas e Páginas Autobiográficas. Aconselho, no entanto, a quem queira ler (ou mesmo comprar) a edição da Assírio & Alvim (não sei o título).

carta de Ofélia Queiroz a Fernando Pessoa*



Fernando,

Vai decerto parecer-lhe bastante estranho receber uma carta minha, mas já que foi tão amável não hesitando confiar-me a sua fotografia, sabendo que era para mim, e tendo o Carlos confessado que, não sabendo mentir, me traiu e traiu o Fernando - porque o combinado comigo era pedir-lhe a fotografia, sem dizer para quem era, e creio que o combinado com o Fernando era não me dizer que lhe tinha dito que era para mim. - Enfim, com tanta combinação tinha por força que dar asneira, asneira essa, que só resultou em benefício para a minha pessoa. 1.º porque alcancei uma coisa que tanto desejava e tanto prazer me dá. 2.º porque me encorajou a escrever-lhe para lhe agradecer de todo o coração a sua interessante fotografia - em fragrante delitro - não tem vergonha?!...
Também, se o Carlos não conseguisse que o Fernando lha desse, estava condenado a ficar sem a dele, com a dedicatória e tudo, porque eu já tinha jurado roubar-lha. Assim gostei muito mais por ter vindo propriamente das suas mãos, com destino à minha pessoa, embora da parte do Fernando sem prazer algum...
Adeus Fernandinho, se quiser dar-me a alegria de receber notícias suas, pode fazê-lo para a Praça D. João da Câmara, que é onde tenho estado ultimamente.
Subscreve-se muito grata a
Ofélia



*Este post foi escrito a propósito do pedido de alguns leitores, após a leitura do post carta de Ofélia Queiroz a Álvaro de Campos, que também me perguntaram em que livro podiam ser encontradas as cartas. Por minha falta (meu esquecimento) olvidei-me de referir o livro, e a edição. Aqui fica, para os interessados: Cartas de Amor de Ofélia a Fernando Pessoa, Assírio & Alvim, Novembro de 1996, organização de Manuela Nogueira (meia-irmã de Fernando Pessoa) e Maria da Conceição Azevedo.
No verso da fotografia (igual áquela que coloquei neste post) que Fernando Pessoa ofereceu a Carlos Queiroz, pode ler-se: «Carlos: isto sou eu no Abel, isto é, próximo já do Paraíso Terrestre, aliás perdido. Fernando» No verso da fotografia que ofereceu a Ofélia Queiroz escreveu: «Fernando Pessoa em flagrante delitro

agenda das comemorações do 25 de Abril de 1974, em Pinhel

9.00h Hastear da bandeira (Largo dos Combatentes da Grande Guerra) Hino Nacional, pela Banda Filarmónica de Pinhel Guarda de Honra, pelos Bombeiros Voluntários Pinhelenses Sessão Solene Intervenção do Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Pinhel Intervenção do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Pinhel 9.45h Partida do 3º Passeio da Liberdade (encontro de utilizadores de bicicletas e atletas nacionais) Organização: Alvip – Associação de Cicloturismo 9.50h Corrida da Liberdade 10.30h Início do IX Torneio de Voleibol Major Ramalho (Pavilhão da Escola Secundária c/ 3º Ciclo de Pinhel) 11.00h Inauguração da exposição de fotografia “Naquele lugar sem nome pra qualquer fim”, de Danilo Pavone (Castelo de Pinhel) 15.00h Continuação do IX Torneio de Voleibol Major Ramalho (Pavilhão da Escola Secundária c/ 3º Ciclo de Pinhel) 17.30h Entrega de prémios aos participantes da Corrida da Liberdade e do IX Torneio de Voleibol Major Ramalho (Falcão E.M.) 21.30h Recital Sophia – o Poema é a Liberdade pela Dois Pontos – Associação Cultural (Cine-Teatro São Luís – Pinhel)

novas oportunidades?

Novo cartaz das Novas Oportunidades, recebido por e-mail.

cinco perguntas e um convite

Correio da Associação Cívica República e Laicidade
Em véspera das eleições presidenciais francesas, divulgamos (em versão original e tradução portuguesa) um texto com as cinco questões que, em carta aberta, Henry Pena-Ruiz achou por bem colocar ao candidato Nicolas Sarkozy, ex-ministro do interior (e dos «cultos») e autor de um livro em que preconiza alterações de fundo ao regime da laicidade daquele país. ver o texto aqui: http://www.laicidade.org/2007/04/20/eleicoes-presidenciais-francesas-5-perguntas-a-sarkozy/ Aproveitamos para recordar que, amanhã, sábado, 21 de Abril, pode assistir a uma palestra sobre a implantação da República (18:00 horas), visitar uma exposição sobre a história do CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ALMIRANTE REIS e participar de um jantar-convívio republicano (20:00 horas) -- tudo nas instalações do Centro, na Rua do Benformoso, nº 50, à Mouraria. ver convite aqui: http://www.laicidade.org/2007/04/17/cerar-aniv-2007/ [Inscrições prévias (ou pedidos de mais informações) para Ricardo Alves em: rjgalves2001@yahoo.com] Saudações republicanas e laicas

quinta-feira, 19 de abril de 2007

diz o Diabo:

«Dato do princípio do mundo, e desde então tenho sido sempre um ironista. Ora, como deve saber, todos os ironistas são inofensivos, excepto se querem usar da ironia para insinuar qualquer verdade. Ora eu nunca pretendi dizer a verdade a ninguém - em parte porque de nada serve, e em parte porque não a conheço. Meu irmão mais velho, Deus todo poderoso, creio que também a não sabe. Isso, porém, são questões de família. (...)» «Minha senhora, todas as religiões são verdadeiras, por mais opostas que pareçam entre si. São símbolos diferentes da mesma realidade, são como uma frase dita em várias línguas; de sorte que se não entendem uns aos outros os que estão dizendo a mesma coisa. Quando um pagão diz Júpiter e um cristão diz Deus estão pondo a mesma emoção em termos diversos da inteligência: estão pensando diferentemente a mesma intuição. O repouso de um gato ao sol é a mesma coisa que a leitura de um livro. Um selvagem olha para a tormenta do mesmo modo que um judeu para Jeová, um selvagem olha para o sol do mesmo modo que um cristão para o Cristo. E porquê, minha senhora? Porque trovão e Jeová, sol e cristão, são símbolos diversos da mesma coisa. (...)» FERNANDO PESSOA, In. A Hora do Diabo (Edição de TERESA RITA LOPES, Assírio & Alvim, 1997)

diz Abu Hassã:

(...) todo aquele que é pobre, é olhado, mesmo pelos parentes e amigos, como um estrangeiro.


In. As Mil e Uma Noites (tradução de ANTOINE GALLAND)

modern times

Vêem-se todos os dias, mas não se falam. Na internet conversam horas a fio.

sessões de leitura

Do livro de poesia "Borboletas" (Editorial 100), de Brane Mozetič, no mês de Maio, nas seguintes datas e locais (ainda não sei a hora): 02/05 - Lisboa, Casa Fernando Pessoa; 03/05 - Évora, Universidade; 04/05 - Porto, Fundação Eugénio de Andrade.

excerto de carta, de Franz Kafka a Felice Bauer

Escreve-me apenas uma vez por semana, para que a tua carta chegue ao domingo - pois não consigo resistir às tuas cartas diárias. Sou incapaz de lhes resistir. Por exemplo, respondo a uma das tuas cartas, depois deito-me na cama, numa calma aparente, mas o bater do meu coração ecoa em todo o meu corpo e só tem consciência de ti. Pertenço-te; não há, na verdade, outro modo de o expressar, e não é suficientemente forte. Mas, por essa mesma razão, não quero saber o que trazes vestido; faz-me tanta confusão eu não ser capaz de lidar com a vida...
FRANZ KAFKA (1883-1924)

amêndoas de Páscoa todo o ano...

Já vos aconteceu comer uma amêndoa de Páscoa e, quando chegam à amêndoa propriamente dita, ela ser amarga e depois, na tentativa de tirar o sabor da boca comerem outra amêndoa de seguida e ela ser também amarga?
MDA, In. Thunder Road.

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cartoon via anterozóide.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

contra o fanatismo

Contra o Fanatismo Amos Oz Jornal Público
Hoje lembro-me de uma velha história em que um dos personagens - de Jerusalém, está claro, de que outro sítio poderia ser? - está sentado num café em frente de um velho com quem entabula conversa. Ora, o velho é Deus em pessoa. Bem, o personagem não acredita logo, mas, após alguns sinais inconfundíveis, convence-se de que quem se senta do outro lado da mesa é Deus. E tem uma pergunta a fazer-Lhe, uma pergunta crucial, sem dúvida. «Querido Deus, por favor, diz-me de uma vez por todas: Qual é a fé verdadeira? A católica romana, a protestante, talvez a judaica, acaso a muçulmana? Qual fé a verdadeira?» E, nesta história, Deus responde: «Para te dizer a verdade, meu filho, não sou religioso, nunca o fui, nem sequer estou interessado na religião.» AMOS OZ, In. contra o fanatismo (livro-oferta, com o Público de)

video da sessão de apresentação de "Ali"

palestra sobre a Implantação da República

O Centro Escolar Republicano Almirante Reis (CERAR) faz 96 anos de actividade. No próximo sábado, 21 de Abril, venha assistir a uma palestra sobre a implantação da República (18:00 horas), acompanhe-nos num jantar-convívio (20:00 horas) e visite a exposição sobre a história do CERAR. 96 anos é uma longa vida para uma associação republicana portuguesa, já que muito poucas foram as que conseguiram sobreviver às perseguições que lhes foram movidas durante o período da ditadura do Estado Novo e chegar ao 25 de Abril. Acresce que o CERAR teve, em diversas ocasiões da sua/nossa história, um papel relevante nos combates da Oposição ao regime corporativo e clerical (de inspiração fascista) de Salazar, designadamente, nos anos 40's, ao ter cedido as suas instalações (na Rua do Benformoso, à Mouraria) para muitas das reuniões de trabalho do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Este convite é aberto (extensivo) a todos os republicanos e, designadamente, a todos os associados, amigos e simpatizantes da associação cívica República e Laicidade. Mais informação no site da R&L, aqui: http://www.laicidade.org/2007/04/17/cerar-aniv-2007/ Inscrições prévias (ou pedidos de mais informações) para Ricardo Alves em: rjgalves2001@yahoo.com

terça-feira, 17 de abril de 2007

Parabéns!

Ao blog Filho do 25 de Abril, pelos 3 anos.

tiroteio na Universidade Técnica de Virginia #2

Afinal, parece que o tiroteio foi provocado por razões amorosas.
Coloco o Cd do Freddie Mercury no Leitor, Love Kills, som no máximo.

Tiroteio na Universidade Técnica de Vírginia

Novo tiroteio nos Estados Unidos; desta vez numa universidade, a Universidade Técnica de Vírginia (Virginia Tech), em Blacksburg, provocando o maior número de mortos num atentado deste género: para cima de 30 (32, 33)... Este é um vídeo, feito a partir de um telemóvel, por um estudante da universidade, e que já foi visto, no momento em que este post é escrito, por mais de 25.000 pessoas.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

os múltiplos

- Isto vai na mecha - disse o interno, levantando os olhos do livro, que pôs de lado. Tirou outro do bolso. - Pois vai - disse Manjamanga. Trazia uma camisa amarela que brilhava alegremente ao sol; o sol batia-lhe de chapa. - Chegamos ainda esta noite - disse o interno, folheando por alto o novo livro. - Vamos lá a ver... - respondeu Manjamanga. - Ainda estamos a caminho. Pode haver múltiplas emboscadas. - Múltiplas de quê? - perguntou o interno. - De nada - respondeu Manjamanga. - Então deixam de haver emboscadas, porque qualquer múltiplo de nada é sempre nada. - Não me aborreça. Onde é que aprendeu isso? - Neste livro. Eram as lições de aritmética de Brachet e Dumarqué. Manjamanga arrancou-lhe o livro das mãos e deitou-o pela janela fora. BORIS VIAN, In. O Outono em Pequim

o cartoon vencedor do World Press Cartoon

imagem via Devaneios Desintéricos.

domingo, 15 de abril de 2007

pergunta retórica...

"Quem, dos que concorremos é mais forte e determinado para fazer frente a um primeiro-ministro que se apresenta como forte e determinado?" Pegunta Paulo Portas - logo de seguida, quase me convence que está preocupado com o facto de os portugueses pagarem mais pelos empréstimos - Paulo Portas, que com tanta argúcia reparou nos empréstimos dos portugueses, ainda não se deu conta que a única personagem da política portuguesa actual, forte e determinada, que tem feito frente a José Sócrates, é o próprio José Sócrates...

supersticioso, eu?

O Jumento julga-me supersticioso: Identificado e retribuído o link do supersticioso "André Benjamim" [Link] que numa sexta-feira dia 13 vês acrescentado à récua da coluna da direita. Tenho que esclarecer os meus leitores que não sou nada supersticioso! Ser linkado, numa sexta-feira, 13, por um blog que tem uma ferradura, dá sorte ou azar?!

sábado, 14 de abril de 2007

novas oportunidades?!?

A propósito desta imagem (via irmaolucia), da licenciatura de Sócrates, da corrupção que grassa, da campanha publicitária que decorre, lembrei-me desta frase de Assad ["O Felicíssimo", uma das muitas personagens d' As Mil e Uma Noites]: "O ignorante eleva-se às dignidades por meio de discursos que nada valem; o sábio permanece na poeira com a sua eloquência."

Sábado, 14

Your Luck Quotient: 61%
You have a high luck quotient. More often than not, you've felt very lucky in your life. You may be randomly lucky, but it's probably more than that. Optimistic and open minded, you take advantage of all the luck that comes your way.
How Lucky Are You?
Agora que o dia do azar, ou da sorte, passou...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Sexta-Feira, 13

Quem ler este post e não comentar, Condenado a treze anos de azar!

money

¥€$*
*¥énes, €uros, Dólare$

novas oportunidades

via Arrastão. Clicar na imagem para aumentar e ler o texto.

não percam, amanhã, sessão de lançamento

LOCAL: Auditório da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia (na Rua General Torres, por detrás do Edifício da Câmara Municipal) DATA: 14 de Abril - 2007 HORA: 16h30

69,999

ArcigayMarco, a sus 16 años, se quitó la vida hace apenas unas días en Turín. Atrás quedaban meses de acoso escolar, motivados en gran medida por su homosexualidad. Como ocurrió en España con el caso de Jokin, esta muerte y el ‘bullying’ están centrando la atención de los medios de comunicación.

El colectivo Arcigay, el más importante del país, ha asegurado que la muerte de Marco es sólo “la punta del iceberg” y que son muchos más los suicidios de adolescentes motivados por el ‘bullying’ homófobo, en un país en el que la homosexualidad aún es frecuentemente atacada desde la omnipresente Iglesia Católica y las fuerzas más reaccionarias, tanto de derechas como incluso dentro de la coalición de centro-izquierda, actualmente en el poder.

Marco escribió una carta antes de saltar por la ventana de su apartamento. “En el colegio no me aceptan porque me ven diferente, no me siento integrado“, escribió. Su madre, preocupada por los problemas de su hijo, había alertado del acoso a la directora de sus instituto, pero nada había cambiado. (via Dos manzanas)

manifesto

"Exmo Sr Embaixador da Polónia,

Ciente do árduo percurso do Povo do seu país rumo a uma Democracia expurgada de totalitarismos como os que historicamente se abateram sobre a Polónia, é com genuína inquietação que assisto à implementação de medidas governativas tendentes a instaurar um clima de desrespeito pelos mais basilares Direitos Humanos. As soluções propugnadas pelo executivo de Varsóvia, ao terem como consequência o desrespeito pela liberdade de não prossecução de um dado credo, a perseguição de minorias sexuais e modelos familiares atípicos, assim como as sugestões vindas a público de uma proibição total do aborto ou, por outro lado, a apologia da pena de morte feita por alguns membros do Executivo que representa, traduzem uma divergência inaceitável com os valores que assumimos comuns nesta União Europeia.

Ciente que o Povo polaco, como outrora, saberá levantar-se contra a instauração da intolerância e do desrespeito pela dignidade humana, junto de vós lavro o presente protesto."

Enviem um e-mail com este texto para: politica.embpol@mail.telepac.pt

quinta-feira, 12 de abril de 2007

carta de Ofélia Queiroz a Álvaro de Campos

Ex.mo Senhor Engenheiro Álvaro de Campos Permita-me que discorde por completo com a primeira parte da sua carta, porque, nem posso consentir que Vª Exª trate o Ex.mo Sr. Fernando Pessoa, pessoa que muito prezo, por abjecto e miserável indivíduo nem compreendo que, sendo seu particular e querido amigo o possa tratar tão desprimosamente. Como vê estamos sempre em completa desarmonia, nem podia deixar de ser, pedindo-lhe por especial fineza, que não volte a escrever-me. Quanto às observações que me faz, como foram ditadas pelo Sr. Fernando Pessoa, farei quanto em mim caiba por lhe ser agradável. Agradeço o conselho que me dá, mas já que me puxa pela língua, deixe-me dizer-lhe que quem eu de boa vontade há muito tempo teria, não deitado na pia, mas debaixo dum comboio, era Vª Exª. Esperando não o tornar a ler, subscreve-se com respeito a 26-09-1929 Ofélia Queiroz

excerto de carta, de Dylan a Caitlin

Esqueceste-te de mim? Sou o homem que costumavas dizer que amavas. Costumava dormir nos teus braços - lembras-te? Mas tu nunca escreves. Talvez tenhas uma imemória de mim. Eu não tenho de ti. Amo-te. Não há um único momento em qualquer horrendo dia em que não diga a mim próprio: «Vai dar tudo certo. Eu irei para casa. Caitlin ama-me. Eu amo Caitlin.» Mas talvez tu tenhas esquecido. Se esqueceste ou perdeste a tua afeição por mim, por favor, minha Cat, diz-me. Amo-te. Dylan.
DYLAN THOMAS

crina ao vento

Fotografia de Jorge Filipe.

foderam o meu anankê!*

não posso ouvir
o teu nome
e saber-te distante
como a distância
de uma palavra
amo-te! serviria?
tanta ânsia
de amar-te! poderia?
e saber a possibilidade
da desilusão
tanta como
tão grande o
desespero
estou doido? seria
mais fácil, mas
é como quando passas
ao meu lado
um discurso
disfragmentado
porque me olhas?
porquê? poderei
algum dia
perguntar-te, e depois
esquecer?
como este cigarro
que acendo, e depois
apago
(ou seja, amanhã
quando acordar...)


*Este post é dedicado a todos os meus amigos de Coimbra (2000/2005)
copyright da fotografia: João Calado.

rascunho encontrado num caderno abandonado #30

O único ideal dos políticos é o poder - tudo o resto mais não é que uma arenga, uma canção de embalar o povo - de modo que, uma vez alcançado o poder, se julgam no paraíso - o lugar onde tudo lhes é permitido.
#1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29,

a amizade

A amizade rejubila como um raio de Sol; cativa como uma bonita história; inspira como um líder forte; prende como uma corrente dourada; guia como uma visão divina. NEWELL HILLIS
Podem ler gratuitamente uma obra deste autor, disponível na internet, no Project Gutenberg. Em inglês... The Battle of Principles.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Lover of Life, Singer of Songs

Freddie Mercury! Palavras para quê? I Can Hear Music... Site Oficial: Lover of Life, Singer of Songs Site Oficial QUEEN
A Comissão Europeia pedirá à Espanha que explique uma isenção fiscal de que goza a ICAR (em causa, um imposto municipal do qual as escolas, hospitais e emissoras de rádio da ICAR estão isentas). O mesmo se poderia pedir a Portugal. (in. Diário Ateísta)

quanto à licenciatura de José Sócrates...

"Há aqui um nítido conflito de interesses. Aos media interessa informar, a despeito de eventuais consequências. Ao governo importa governar, no pressuposto de que faz o melhor. Não se pode comer o bolo e ficar com o bolo. Portanto, uma de duas. Ou a entrevista de logo à noite do primeiro-ministro põe termo ao folhetim (entendendo por «termo» a extinção nas próximas 72 horas), ou ele deve apresentar a sua imediata demissão ao Presidente da República. (...) Acredito que Sócrates ganharia essas eleições." Eduardo Pitta, in. Da Literatura.

V Feira das Ciências

Feira de Orientação Escolar e Profissional

Feira de Orientação Escolar e Profissional
De: 12/4/2007 a 13/4/2007
Centro de Congressos Desportivos e Exposições de Pinhel
Ciente da importância do planeamento de uma carreira académica e profissional, a Escola Secundária com 3º Ciclo de Pinhel, em parceria com o Município e a Falcão E.M., vai levar a efeito uma Feira de Orientação Escolar e Profissional.Paralelamente, será também realizada uma Feira da Ciência, no intuito de proporcionar aos jovens a participação em actividades experimentais ligadas às ciências.
Ver mais, no blog da Escola Secundária de Pinhel.

25 de Abril de 1974

Um Blog que este mês não podem deixar de visitar: Pópulo.

capitalista

Tornei-me num arraigado capitalista. Tão capitalista, que só me falta um pequeno pormenor para ser um perfeito capitalista. Sou um capitalista sem dinheiro, pois claro, mas capitalista.

terça-feira, 10 de abril de 2007

BICHUS

BICHUS é uma ópera que não é ópera que é uma opera.
BICHUS foi escrita por Jorge Vaz Nande, um seu criado.
BICHUS homenageia Miguel Torga, um homem livre, e, ao mesmo tempo, tudo faz para se libertar do autor que homenageia.
BICHUS gostaria muito de contar com a sua presença e ajuda na divulgação.
E eu também.
Mais informação aqui.

quanto vale o teu blog, em dólares? (actualização)

My blog is worth $31,614.24. How much is your blog worth?

Dia 07/04/2007 valia $19,194.36, hoje, dia 10/04/2007 vale $31,641.24. Está a valorizar. Portanto, se alguém quiser investir, está na altura certa! Ainda não vale tanto como o Arrastão, mas está a caminho... Se algum Casino não tiver mais onde gastar dinheiro... Arredondando, vendo por $30,000.00...

curiosidade literária

Charles Lutwidge Dodgson, reverendo e professor de matemática, publicou no Natal de 1865, Alice no País das Maravilhas, ficando desde então, e para a posterioridade, conhecido como Lewis Carroll. A popularidade do seu livro foi imediata, venderam-se milhares de exemplares, tendo sido a rainha Vitória uma das suas admiradoras, facto que a levou a chamar o escritor à sua presença. Declara ter gostado muito do seu livro, e pergunta-lhe se já escrevera mais algum. Lewis Carroll responde que sim, que já escrevera mais alguns. Sua majestade declara que pretende lê-los a todos, e pede-lhe que lhe envie um exemplar de cada. No dia senguinte chegou ao Palácio de Buckingham uma enorme encomenda, com todos os tratados de matemática escritos até então pelo reverendo e professor de matemática Charles Lutwidge Dodgson. Lewis Carroll, que explorou nas suas obras o non-sense, teve neste episódio, o seu auge. Se a rainha tinha algum sentido de humor, deve ter dado uma enorme gargalhada. Se não, deve-lhe ter apetecido cortar algumas cabeças, como faziam as rainhas das obras de Lewis Carroll.
As amizades nunca passam de alianças que o interesse, na hora inquieta da defesa ou na hora sôfrega do assalto, ata apressadamente com um cordel apressado, e que estalam ao menor embate da rivalidade ou do orgulho.
JOSÉ MARIA EÇA DE QUEIROZ, In. A Cidade e as Serras

28% de hipóteses de ser multimilionário

Your Chances of Being a Multimillionaire: 28%
It's not likely you'll become a multimillionaire, though could happen. You sometimes save money and work hard - but you don't like to do it!

segunda-feira, 9 de abril de 2007

spyware terminator - grátis

Spyware Terminator 1.8.3.951
O “Spyware Terminator” remove spywares, adwares, trojans, keyloggers, modificadores de navegador e outros softwares maliciosos do seu computador. Ele elimina alguns perigos da Internet como WebRebates, Look2Me, BetterInternet, VX2 e CWS. O software requer o mínimo do seu sistema e é muito rápido a fazer scans. Ele oferece protecção em tempo real, scan avançado e um sistema de quarentena para os spywares encontrados. Faça pesquisas manuais ou agendadas ao seu disco rígido, memória, processos, registro e cookies. O “Spyware Terminator” consegue detectar e remover a maioria dos spywares antes mesmo que eles sejam instalados no seu PC! O programa trabalha monitorizando constantemente a actividade de 50 pontos chave do seu sistema. (via 4 DiScOvErY)
Experimentei e recomendo. Tem também um anti-virus grátis associado (deve-se fazer o download durante a instalação do Spyware).
Podem fazer download seguindo este link.

o dia de não-aniversário

- Ofereceram-ma - continuou Humpty Dumpty com ar pensativo, cruzando as pernas e segurando um dos joelhos com as mãos -, ofereceram-ma... como presente por não fazer anos. - Perdão? - perguntou Alice, confusa. - Não estou ofendido - respondeu Humpty Dumpty. - O que eu queria saber é o que é um presente por não fazer anos. - É um presente oferecido num dia em que não fazemos anos, é claro. Alice ficou uns instantes a pensar. Por fim, disse: - Eu prefiro os presentes no dia em que faço anos. - Não sabes o que estás a dizer! - exclamou Humpty Dumpty. - Quantos dias tem um ano? - Trezentos e sessenta e cinco - respondeu Alice. - E quantas vezes fazes anos? - Uma. - E se tirares um a trezentos e sessenta e cinco, quantos ficam? - Trezentos e sessenta e quatro, é claro. Humpty Dumpty parecia desconfiado.
LEWIS CARROLL, In. Alice do Outro Lado do Espelho.

rascunho encontrado num caderno abandonado #29

...mas tenho medo. Medo de estar doente, e medo de não estar - isto é, tenho medo que me vejam apenas como mais um hipocondríaco. (...) Isto parece paixão, parece amor, parece ridículo. E é isso tudo. E é desespero. E é nada. E sou Eu e a minha solidão aqui abandonada, à minha porta, sem-abrigo, pedindo para entrar. Insiste, insiste, demónio!, insiste, insiste, insiste! Que eu não fico nem me vou embora. Sou teu!... Apenas teu... E sou de ninguém... (...) E posso ficar aqui às escuras, a escrever tudo o que me vier à cabeça, sempre o mesmo, e a decidir se vou ou não vou fumar um cigarro, e a mandar o mundo à merda em pensamento, e na forma destas palavras de caligrafia de traço largo (não porque eu seja extrovertido, ou possessivo, mas porque estou furioso, e talvez isto me acalme)...
#1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28,

o instante

Se duas pessoas que se amam deixam um instante que seja instalar-se entre elas, esse instante cresce - fica um mês, um ano, um século, fica tarde de mais.
JEAN GIRAUDOUX (1882-1944)