quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #19

O Amor que tenho e o Amor que não tenho, ambos por igual me prendem. Um porque o tenho, o outro porque o não tenho. Um porque me oprime a sua presença, outro porque me oprime a sua falta.

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Um leitor deste "meu" blog enviou-me um e-mail, começando por "Não sei se devia ou não mandar-te este e-mail, mas..."
Enviem-me e-mails à vontade. Tentarei responder. Para quem ainda não sabe o meu e-mail, aqui fica uma vez mais: andrebenjamim[arroba]gmail.com

poluição

Do novo blog da minha lista de Blinks: A Rosa.
Do novo blog da minha lista de Blinks: Blog de Caricaturas.

o meu grande português #2

Alberto Caeiro, Alexander Search, Barão de Teive, Bernardo Soares, Chevalier de Pas, Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Pêro Botelho, Charles Search, Thomas Crosse, António Mora, Adolph Moscow, Vicente Guedes, Jean Seul de Méluret, A. A. Crosse, Charles Robert Anon, H. M. F. Lecher, Marvell Kisch, Maria, Torquato Mendes da Cunha Rey, C. Pacheco, Frederico Reis, Dr. Pancrácio, Raphael Baldaya, Pantaleão, David Merrick e Ricardo Reis - 27! Faltava-me um; inadvertidamente apagara o nome de Ricardo Reis, e portanto só podia contar 26...
O Tribunal da Relação de Lisboa acabou de proferir o acórdão do recurso interposto pela Teresa e pela Lena do despacho do Conservador do Registo Civil e da sentença do Tribunal Cível de Lisboa que indeferiram o seu processo de casamento. (Leia este post no Random Precision)

comunicação

Por: Raim

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

por falar em gajas nuas...

Pablo Picasso, retirado do blog hoje há conquilhas...
Do novo blog na minha lista de blinks: anterozóide.

inquérito

Inquérito realizado pela revista USA Today/Gallup: Se o seu partido nomear um candidato, devidamente qualificado, para as eleições, e que seja ____, votaria nessa pessoa? Católico: 95% Sim 4% Não Negro: 94% Sim 5% Não Judeu: 92% Sim 7% Não Mulher: 88% Sim 11% Não Hispânico: 87% Sim 12% Não Mormon: 72% Sim 24% Não Casado pela terceira vez: 67% Sim 30% Não Com 72 anos de idade: 57% Sim 42% Não Homossexual: 55% Sim 43% Não Ateu: 45% Sim 53% Não Via: Diário Ateísta.
Qualquer dia, começo a duvidar da existência dos Americanos! Começo a acreditar que são uma criação cinematográfica, uma comédia para fazer rir o resto do mundo. Eu nunca vi um Americano. Mas, se o meu partido nomear um candidato, devidamente qualificado, para as eleições, e que seja americano, dificilmente votaria nele. E pensar que o Walt Whitman era americano, o Michael Cunningham é americano, o Herman Melville era americano, o Mark Twain era americano, e o Clark Kent é americano... Bem, eu nunca vi nenhum, será que existem mesmo?

rascunho encontrado num caderno abandonado #18

É quarta-feira, e eu não penso nisso. Existe em mim uma pulsão para abandonar toda a minha vida, todos os meus conhecidos, e partir para outro local, onde também haja quartas-feiras para não pensar nelas. (...) Algo como um suicídio existencial: matar-me sem me matar. Uma transfiguração: deixar de ser Eu, sem mudar. Ideação suicída? Sim, sempre tive esta tendência para não pensar nas quartas-feiras. Desde quando? (...) Ainda não sei. Hoje à tarde tenho uma reunião, e estou farto de reuniões. Queria apenas uma casa modesta, mas confortável, num local sem gente por perto. Misantropo? Verde, muito verde em volta. Um prado enorme, limitado por um renque de ciprestes. Um alpendre à frente, aberto para o horizonte; e um nas traseiras, envidraçado, para me espreguiçar nos dias de Inverno. Apenas as divisões do rés-do-chão, e um sótão amplo, com muita luz natural, a entrar pelo tecto: uma divisão preenchida por estantes; estantes repletas de livros, álbuns, e filmes. E no meio, perto das escadas que descem para a sala-de-estar, uma secretária. (...) Tudo isto porque hoje é quarta-feira, e tenho uma reunião. Raios partam as reuniões!...

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smile*

*the pre-Queen group, formed by Roger Taylor and Brian May

love of my life

Love of my life - you've hurt me, You've broken my heart and now you leave me, Love of my life can't you see, Bring it back, bring it back, Don't take it away from me, because you don't know -, what it means to me. Love of my life don't leave me, You've taken my love, you now desert me, Love of my life can't you see, Bring it back, bring it back, Don't take it away from me because you don't know - what it means to me. You won't remember - When this is blown over And everything's all by the way - When I get older I will be there at your side to remind you how I still love you - still love you. Back - hurry back, Please bring it back home to me, because you don't know what it means to me - Love of my life Love of my life... By: Freddie Mercury, QUEEN, In. A Night at the Opera, track number 9

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

cavalos em fuga

Alguém veio parar ao meu blog, procurando no Google "Cavalos em Fuga de Yukio Mishima". Na possibilidade de cá voltar, informo que "Cavalos em Fuga" é o 2.º volume da tetralogia "Mar da Fertilidade", que inclui "Neve de Primavera", "Cavalos em Fuga", "O Templo da Aurora" e "A Ruína do Anjo". Foram os quatro volumes publicados em Portugal pela Editorial Presença. No entanto, "Cavalos em Fuga" está esgotado há anos [numa ocasião, enviei um e-mail para a Editorial Presença a reclamar o facto de vender os outros três volumes, tendo o segundo esgotado; como resposta, disseram-me aquilo que eu já sabia, que de facto "Cavalos em Fuga" estava esgotado, pelo que não me podiam enviar nenhum exemplar, nem sabiam quando seria (ou se algum dia seria) reeditado; e que pelo facto lamentavam! Eu também lamento!]
O "meu" leitor deve, se deveras interessado nessa obra, procurá-la numa biblioteca. Mais: sei de certeza que existe um exemplar na Biblioteca Municipal de Coimbra (Casa da Cultura). Mais não posso fazer...

o meu grande português

domingo, 25 de fevereiro de 2007

ban(g), ban(g), ban(g)

Remember when you were young
You shone like the sun
Shine on you crazy diamond
Now there's a look in your eyes
Like black holes in the sky
Shine on you crazy diamond
You were caught in the crossfire of childhood and stardom
Blown on the steel breeze
Come on you stranger, you legend, you martyr and shine
You reached for the secret too soon
You cried for the moon
Shine on you crazy diamond
Threatened by shadows at night
And exposed in the light
Shine on you crazy diamond
Well you wore out your welcome
With random precision, rode on the steel breeze
Come on you raver, you seer of visions
Come on you painter, you piper, you prisioner and shine
Nobody knows where you are
How near or how far
Shine on you crazy diamond
Pile on many more years and i'll be joining you there
Shine on you crazy diamond
And we'll bask in the shadow of yesterday's triumph
Sail on the steel breeze
Come on you boy child, you winner and loser,
Come on you miner for truth and delusion and shine
Shine on you Crazy Diamond (Parts 1-7)
Lyric: David Gilmor, Roger Waters, Richard Wright
Vocal: Roger Waters
Saxophone: Dick Parry
Backing Vocals: Venetta Fields and Carlena Williams
From WISH YOU WERE HERE (1975)

rascunho encontrado num caderno abandonado #17

raparigas de olhos azuis rapazes morenos meninos levantando as saias às meninas, fugindo envergonhadas
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rascunho encontrado num caderno abandonado #16

estou só no teu coração que invadi sem saberes estou só na minha ilusão
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um pouco de psicologia social

Dilema do Sedutor: quanto mais intensos são os motivos que me levam a aliciar o Outro, maior é a probabilidade de que ele se questione sobre as verdadeiras razões do meu comportamento.
De acordo com JONAS & PITTMAN (1982), os comportamentos de sedução são determinados por três factores principais:
- Valor do Incentivo ou importância atribuida ao facto de o Outro vir a gostar de mim;
- Probabilidade Subjectiva de que as minhas acções sejam bem sucedidas na indução das atribuições esperadas:
- Legitimidade Percebida ou apreciação individual de que tais acções são compatíveis com os padrões morais do actor.
Espero que este pequeno momento científico vos ajude nas incursões amorosas...

sábado, 24 de fevereiro de 2007

e agora, já sabem quem é o autor?

Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, Conhece o vento e o sol E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar. Toda a paz da Natureza sem gente Vem sentar-se a meu lado. Mas eu fico triste com um pôr do Sol Para a nossa imaginação, Quando esfria no fundo da planície E se sente a noite entrada Como uma borbuleta pela janela. Ver também este post.

rascunho encontrado num caderno abandonado #15

Não percebo porque é que as pessoas prometem amar para sempre... Deviam antes prometer amar durante um determinado período de tempo, com direito a prorrogação...

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rascunho encontrado num caderno abandonado #14

Ontem fui às compras. E quando me preparava para esperar, aborrecido, junto à caixa, para pagar, o inesperado aconteceu: à minha frente uma senhora, aparentando cinquenta anos, o cabelo despenteado, e um vestido negro que arrastava no chão, remexia na carteira. Não fosse o seu aspecto bizarro, o cabelo despenteado, com os óculos seguros no queixo, sem uma haste - só algum tempo depois percebi que estavam atados à orelha com uma linha de costura - não teria reparado nela. Todavia, tendo-me chamado à atenção, fixei todos os seus movimentos. Como disse, a senhora remexia, nervosamente, na carteira. Primeiro pensei que procurasse dinheiro, mas depois reparei que a carteira dos trocos estava sobre a caixa; talvez se tenha olvidado, pensava ainda, no momento em que a senhora retira alguns sacos de plástico de dentro da carteira, e os começa a desembrulhar (estavam todos engelhados, e uns dentro dos outros). Muito ecológica, reflecti, e eu que começava a achá-la louca. Começava a melhorar a ideia que criara sobre a senhora, quando de repente a vejo retirar de dentro de um saco limpo, um outro, imundo, de dentro do qual tirou um mais pequeno e transparente, que tinha lá dentro duas sardinhas que, pelo aspecto, deviam estar putrefactas... Meteu o saco das sardinhas dentro do saco limpo, e as compras dentro do saco sujo...

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

advinhem o autor... é fácil!

Eu não tenho filosofia: tenho sentido... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe porque ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência é não pensar...

rascunho encontrado num caderno abandonado #13

Qual é o momento em que a coragem para nos enfrentarmos surge? Quando direi convictamente que não vou passar disto: do meu sonho de mim?

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rascunho encontrado num caderno abandonado #12

30 de Abril de 1994

Talvez fosse preciso que todo o mundo deixasse de existir, para trocarmos uma palavra inteligível... 02 de Julho de 1996

...Vou ser velho e, pior que isso, serei velho sem ti. Sem te ter dito as palavras certas. Porque há palavras que acalmam, e há outras que ferem; há palavras que dão vida e outras que nos matam... Há palavras que custam a pronunciar, por carregarem consigo os medos e os desejos profundos da alma...

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

velhos são os trapos

O jornal El País dá a conhecer Maria Amelia, que tem sido notícia por ser a blogger mais velha do mundo, com 95 anos! Publica este blogue. Não sei se é de facto a blogger mais velha do mundo, pois com tantos bloggers anónimos neste pontinho minusculo do universo, a maioria anónimos, não sabemos as surpresas que nos guardam. No blog de Maria Amelia existem links para outros bloggers da sua geração...

as tentações de José e Javi

(Las tentaciones de José y Javi, acrílico sobre tela).

rascunho encontrado num caderno abandonado #11

...Almejo escrever o teu nome, bem junto ao meu. Gritá-lo para que se ouvir límpido do outro lado do mundo; para que toda a gente saiba o óbvio; o óbvio que nós não ousámos; o óbvio que deixámos fugir das nossas parcas vidas. O óbvio que obscurece os nossos dias cinzentos; o óbvio que nos teus olhos tem um brilho profundo... ...Que me venha perguntar se estou bem! Que me venha dizer que não lhe telefono! Que me venha perguntar se vou ou não!... Mandá-la à merda! Retirá-la da minha mente - apagá-la da minha memória... ...Sim, estou mal, muito mal - olha, muito doente! Tenho sofrido imenso nos últimos anos; mas, isso, que te importa? Estou farto de não saber de ti; de todos os dias ter que imaginar - e imagino o pior - sabes o quanto isso me dói? Sabes o quanto isso me destrói?...

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fura cão jardim

a taxa de desemprego

o fim dos sites pornográficos pagos?

Quem quiser partilhar os seus vídeos caseiros... PornoTube.com

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #10

Mais uma vez cruzei-me contigo, e o meu coração entrou em tumulto. Talvez por essa razão, em tempos idos tenham atribuído ao coração os sentimentos humanos (que, como tudo o que é humano, estão no cérebro)... (...) Dizem que a beleza está nos olhos de quem ama; talvez!, mas quando olho para ti, questiono-me como pode estar tanta beleza concentrada numa só pessoa?! (...) Sei que nunca te poderei ter. Porém, sinto que existe entre nós o mal-estar de duas pessoas que se conhecem, que se cruzam frequentemente nas ruas, mas não se falam...

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post a não perder

O que virá depois? o resultado eleitoral de dia 11 foi apenas um passo; muitos mais ainda há que dar por forma a construir um portugal de e do futuro. um aspecto que gostava de salientar, relativo ao passo dado no domingo passado, é que se tratou de uma decisão apartidária, no sentido que a despenalização da IVG até às 10 semanas não se trata de uma política "de esquerda" ou "de direita" (independentemente das posições oficiais dos diversos partidos de esquerda ou de direita), mas antes de uma decisão social colectiva em prol de toda a sociedade. (Leia o post compleno no blog Esquerda Republicana).
Misfire Don't you misfire Fill me up With the desire To carry on Dont't you know honey, that love's a game It's always hit or miss, so take your aim Got to hold on tight, shoot me out of sight Don't you misfire... Don't you misfire... Your gun is loaded, and pointing my way There's only one bullet, so don't delay Got to time it right, fire me through the night Come on, take a shot Fire me higher Don't you miss this time Please don't misfire Written By: John Deacon, bass guitar of Queen. QUEEN, In. Sheer Heart Attack, Trak number 10

nada que não soubessemos já

"Portugal tem o pior resultado da UE [ 20 por cento de pobres entre a população portuguesa] num outro indicador, o dos trabalhadores pobres, o que significa que o salário não protege contra a precariedade: segundo os mesmos dados, 14 por cento dos portugueses com um emprego vivem abaixo do limiar de pobreza, contra 8 por cento no conjunto dos Vinte e Sete."
In. Público (via Portugal dos Pequeninos)

rascunho encontrado num caderno abandonado #9

A semana vai a meio e o meu ócio foi interrompido por estas actividades que chamam humanas. Por estas coisas a que damos um sentido, ignorando que nada tem um sentido. Porque tudo se perde, tudo se diluiu. E não me venham com teorias químicas nem misticismos. Para mim valem o mesmo. Que os átomos que constituem o meu corpo não se percam, que se transformem - tudo bem!, Mas que para surgir o Segundo do Primeiro, o Primeiro tem que se perder... Não! Nada tem sentido! Tudo é ilusão! Agora trabalhar! Que perca de tempo inadmissível! (Sim, eu sei que também eu o perco; mas não é por convicção: é por sobrevivência! Pois o nosso lugar não é entre prédios a perder de vista, numa selva de betão e aço; o nosso lugar é na savana. Vagabundos perdidos, criámos mentiras, pensando que criávamos casas!)

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rascunho encontrado num caderno abandonado #8

...Poderei comparar-me comigo mesmo? Então, se fizesse tal comparação, quem seria melhor, Eu ou Eu? Ah! comparando um Eu que fui com um Eu que sou? Camparando algo que já não é com algo que ainda não é?! Aquilo que somos é o interstício entre duas coisas que não são! Existir é caminhar numa vereda entre duas não-existências... Assim, de entre dois não-objectos, qual dos dois é mais objecto?... Enfim, para quê comparar duas coisas para saber qual delas dói menos, se ambas doem?

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esta imagem faz-me rir

rascunho encontrado num caderno abandonado #7

12 de Abril de 1995 Cada livro tem um destino; aquele era o destino de algo demasiado incipiente e projectivo - talvez, se eu algum dia fosse um escritor reconhecido, talvez aquele livro que não chegou a existir fosse o delírio de críticos voyeuristas; talvez! (...) Depois continuei os meus dias, como se aquilo não tivesse sido mais que uma alucinação... Acordava, levantava-me e voltava a deitar-me como se nada tivesse acontecido. Mas o crime não se deixava derrotar... Outra manhã, um Domingo, de Setembro. Era uma tarde quente de fim de Verão. Apaixonei-me. E escrevi um poema com a declaração que não lhe podia fazer: lá estava o meu coração despedaçado. Guardei o papel com o poema algum tempo, até que o rasguei em mil pedaços: despedaçei-o para o fazer parecer-se mais com o meu coração em estilhaços... (...) Até que me apaixonei de novo. Escrevi novos poemas; cadernos inteiros. Mas era impossível. Os poemas eram maus e às vezes rimavam...

NOTA: Na realidade, estes textos que tenho vindo a publicar aqui, e que pretendo continuar, fazem parte de sete cadernos, e não um; assim, a partícula "num" no título desta série de posts, deve ser entendida como a aglutinação da preposição designativa de lugar "em", com o artigo indefinido "um", em que um são sete... Mas não posso garantir que os cadernos sejam todos do mesmo autor; eles foram encontrados numa casa abandonada. A data da última entrada é 12 de Julho de 1997...

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #6

Grito eufórico e bestial

Quero desfazer-me em sangue, nas tuas mãos
Ser lavado em lágrimas dolorosas, dos teus olhos
Cair no abismo do pecado, na tua alma
Enforcar o meu coração desfeito, aos teus pés

Possuir-te completamente até à alvorada
Pela noite dentro, trespassar-me do teu suor
Agarrar-te! Apertar-te! Desfazer-te em mim
Digerir-te absolutamente, desfazer-te...

Quero gritar nas colinas a tua morte
Ao vento apregoar até à exaustão a tua morte
Bradar ferino o meu ódio à tua morte
Quero-te viva! Quero matar-te...

Matar-te de forma bestial! Matar-te!
Rasgar-te! Abrir-te! Desventrar-te!
Entrar dentro do teu corpo em sangue
E urrar aterrorizado a tua morte sanguínea...

Desfazer-te e ao teu amante, no leito
Perverso, inundar-me dos vossos rostos
Quebrar irado os vossos crânios
Engolir o vosso cérebro, carnivoramente

Desfazer o vosso corpo nos meus dentes
Engolir as vossas tripas, deliciar-me...
Com a vossa morte grito eufórico
E bestial anuncio-me ao vento!

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carnaval

Pode encontrar mais cartoons do António Ferreira Santos no seu blog: Cartoonices.

Sexo, Padres e Códigos Secretos

O livro que chocou o mundo ao revelar como a Igreja escondeu a pedofilia chegou. «Sexo, Padres e Códigos Secretos - 2000 anos de abuso sexual na Igreja Católica» já pode ser lido em português. O livro é um ensaio que relata a forma como a igreja tratou o tema durante a toda sua história e já está à venda nas livrarias portuguesas. Foi publicado nos Estados Unidos em 2006 e levou mesmo à fuga de alguns padres para o Vaticano. Inspirou ainda a realização de um documentário chamado «Deliver Us From Evil», que está na lista dos nomeados aos Óscares deste ano. Pode ler a notícia completa no Portugal Diário.

rascunho encontrado num caderno abandonado #5

- Só faltam dois arretos! - disseste, sorrindo, esperando uma palavra. - Sim... - respondi timidamente, dando-te uma palavra. Mas tu esperavas mais; eu apenas disse o óbvio: - Amanhã acabam depressa... Continuámos lado a lado, ao longo da vinha. Separámos-nos sem mais nenhuma palavra. As que dissémos, não valeram nada: eram outras as que queriamos dizer.

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2 Nem sequer podia Ouvir falar no teu nome. E se fixava o teu vulto, Irritava-me, sofria Por não poder insultar-te... Até que nos encontrámos! Choviscava, anoitecia. - Uma chuvinha Impertinente e gelada Como sorriso de ironia Numa boca desejada. Já não sei o que disseste; Nem me lembro do que eu disse... A chuva continuava. Atravessámos um jardim E à luz fosca Dum candeeiro, Segredaste ao meu ouvido: - Quero entregar-te o meu corpo. E eu acrescentei: - Pois sim. A chuva tornou-se densa. Eu ia todo encharcado. Por fim, chegámos; entrei... Um marinheiro descia Ajeitando a camisola E compondo os caracóis. Era uma casa vulgar Aonde o amor - Oculto a todos os Sóis Se dava e prostituía A troco da real mola. Arrependi-me. Blasfemei; Mas quando abandonei os teus braços Senti que tinha mais alma! E nunca mais te encontrei!
ANTÓNIO BOTTO, In. Canções [Livro Sexto - Ciúmes]

este post é dirigido a alguém em especial. a pessoa em questão sabe quem.

2:00. Cheguei a casa, vindo da Feira das Tradições, que terminou, ao fim de três dias e três noites, as noites, essas, sempre iguais; valha-nos o alcoól para aguentar. Por fim, Desfile de Máscaras (?, Mascarados!), para acabar. Mais três ou quatro finos. E nem uma palavra. É tudo. Não é nada. Ah, e os carrinhos-de-choque...

rascunho encontrado num caderno abandonado #4

Imagino o que será a imaginação para além desta Nuvem de pensamento Imagino o que será para todos poder ver essa Infanta Adormecida
Este pequeno rascunho fará parte do meu próximo romance "Sonhos Secundários: Prisioneiros num Desenho de Escher" (é epígrafe de um dos capítulos). Se por acaso dos acasos (um acaso semelhante àquele que me levou a encontrar um caderno abandonado, com desenhos, poemas, reflexões, apontamentos, etc) o autor passar por este blog, que entre em contacto comigo: andrebenjamim[arroba]gmail.com
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rascunho encontrado num caderno abandonado #3

Os meus dias são isto: agora que já nem ler livros consigo, entre duas três páginas do diário, outros tantos cafés, um Red Label ou um JB, vou fugindo à grande náusea que é a minha vida... E nos dias em que, como hoje, chove, a minha existência torna-se mais dolorosa. Nestes dias, nem o consolo das memórias dos corpos que percorri com a ponta dos dedos, ou que beijei calmamente, me acalmam... Estou só. Tudo o que penso, digo, escrevo ou leio, afigura-se-me desarrazoado e inútil.

#1, #2,

rascunho encontrado num caderno abandonado #2

Estou outra vez apaixonado. Mas não escrevo poesia. Porque se antes necessitava do coração em tumulto, hoje preciso da alma em paz. Preciso de um equílibrio interior que me permita perscrutar os sons que vêm de dentro. Por isso não escrevo. Porque vivo numa ansiedade diária. Vivo para ver aqueles olhos. Aquele cabelo. Aquela face. Aquele corpo, que não conheço... As palavras vão-se repetindo; vão sendo outra e outra vez as mesmas; como é a mesma a dor. É uma repetição monótona como monótona é a vida. É dizer sempre o mesmo de maneira diferente com as mesmas palavras. É entediante. E cansativo... É a mesma, a silenciosa agonia. É a mesma a monstruosa opressão. São as mesmas as palavras. E de maneira diferente volto a dizer a mesma dor.

#1

rascunho encontrado num caderno abandonado

Sei-te tão perto, e nem longe te tenho. Ali, a dois metros, e a que distância estavas! Sinto que a cada dia que passa te perco... Mas, mentira, quem me dera perder-te! Quando sinto que te perco, é o meu desejo frustrado de te ter que sinto. Porque sei-te tão perto, e nem longe te tenho.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

estados amorosos alternativos

Andava a passear pela blogosfera, como faço quase todos os dias, quando encontrei este post no blog Ante & Post. Como um polícia dos costumes me enviou um e-mail revoltado, por causa do poema homoerótico de Brane Mozetic, decidi postar aqui esta imagem. Pedindo ao meu caro leitor que passe por aqui mais vezes, a ver se cura essa homofobia mesquinha, que tanto transtorno lhe provoca, que até se dá ao desplante de me enviar e-mails a dizer aquilo que devo fazer e aquilo que não devo fazer: como se isso tivesse algum interesse para mim, ou como se eu fizesse ou deixasse de fazer aquilo que quero, em função das suas fobias... Dedico este post a todos aqueles que fogem dos temas a que dão o epíteto "fracturantes", como se as fracturas não existissem já, e há muito tempo; e que tapam as fracturas com um tapete, como se assim, por eles as esconderem, elas deixassem de existir... É que o desenvolvimento cognitivo de certos políticos deste jardim à beira-mar cravado é tão reduzido, que ainda não adquiriram a noção de permanência dos objectos, coisa que as crianças adquirem com alguns meses de idade: apetece-me mandá-los chorar para os colos das mães!

doador de esperama Americano encontra filhos

Um doador de esperma dos EUA encontrou recentemente alguns dos seus filhos; não sabe ao certo quantos tem, mas são muitos, decerto. A imagem é do blog Raim. Pode ler a notícia n' O Globo on Line.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

começa amanhã, a 12.ª feira de tradições

Clique na imagem para ampliar.
Amanhã começa a 12.ª edição da Feira das Tradições, em Pinhel; por essa razão, aqui deixo, uma vez mais o programa. Visitem Pinhel, visitem a feira, divirtam-se.

cartilha liberal*

- liberdade religiosa, porque estabelece (ou não) uma relação entre um indivíduo e o sagrado;
- liberdade de opinião, porque depende exclusivamente do modo como um cidadão vê a cidade e o mundo que o rodeia;
- liberdade de participação política, porque a «res publica» é pertença de todos os indivíduos que a compõem e não apenas de alguns;
- liberdade sexual, porque dispõe exclusivamente do corpo de quem a determina;
- liberdade desportiva, porque a bola é redonda e são onze de cada lado.
*autoria de Rui, do blog Blasfémias.

esperitadela aos blogs #2*

O Jornal de Notícias informa que a Juventude Socialista se prepara para reapresentar um projecto de lei que permita o casamento homossexual. O Renas e Veados deu conta desta gaffe: «O Código Civil, tal como está, refere que o casamento é entre pessoas do mesmo sexo. Os jovens socialistas propõem agora que seja retirada a menção ao "mesmo sexo".»
O Jornal de Negócios apresenta um estudo que conclui que para se ser feliz em Portugal são necessários no mínimo 10000 euros anuais. A média mundial é de 11500 euros. Eu sou infeliz. Pronto! Já está, não o queria dizer. Não quero passar um discurso de vitimização. Mas temos que ser frontais: sou infeliz!
Cavaco Silva pede «soluções de bom senso» na regulamentação do aborto! Sempre me intrigou isto de "bom senso": e qual é o bom senso? É o dele?
Nestas voltas pela blogosofera descobri alguns blogs, já adicionados à barra de links. Três de Trinta, por exemplo, para não estar aqui a escrever uma lista enorme. No Diário Ateísta, que visito diariamente, volta a falar-se do país dividido, num post interesantíssimo (curioso, esta palavra que agora aqui veio parar, para o meio de ateus, terminada em -santíssimo). Para lá de Bagdade fala-se de salazar, dos grande portugueses, e da infantilidade (ou será imbecilidade) de muitos portugueses (as letras minúsculas, onde supostamente deveriam estar maiúsculas, é para estar assim mesmo! porque há gente muito reles, ao nível do sub-solo). Por falar em gente rasca, no Pópulo, conta-se o seguinte: Um senhor que era director da REFER, foi «despedido» há menos de um ano e portanto recebeu uma indemnização de 210 mil euros; dois meses depois é contratado para o mesmo grupo. Há gente que se sabe governar, não haja dúvidas quanto a isso. Por fim, no Random Precision leia A Obra do Demónio, onde se fala dos idiotas que andam por aí a apregoar o criacionismo, e outras farsas do mesmo género. Antes de ir embora, passa ainda pelo Da Literatura, para uma última opinião.
*e jornais

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

sonhos

os sonhos trazem sonhos que sós lembramos sonhos que esquecemos quando acordamos sonhos a que não nos atrevemos sonhos que negamos sonhos que desperdicámos 
não levantes as persianas, querido para que a luz não penetre até nós e o dia não destrua os sonhos aninha-te em silêncio junto a mim para que o sol não ouça, não note o tempo como nos perdemos em beijos e talvez passe sem nos ver o velho predador que sempre transforma tudo em poeiras mostra-me os teus pensamentos só com toques só com mordiscos dos teus desejos e se alguma vez quiseres gritar lembra-te que tudo ao nosso redor espreita para enrugar a pele, para que o fogo arrefeça na cinza e o sangue que lambes se endureça.
Brane Mozetič. Tradução de Raul Ferreira. Em breve, "Borboletas", publicado pela Editorial 100. A Primeira obra do autor Esloveno traduzida e publicada em Português.

dia dos namorados

Desejo a todos um feliz dia dos namorados. Junto daquele ou daquela que amam. Ou junto de um copo de whisky, se não amam ninguém, ou se não são correspondidos. Para este dia recomendo a leitura de "O Tumulto da Ondas" de Yukio Mishima, uma das mais belas novelas sobre o Amor jamais escritas. "O Banquete" de Platão, é também uma excelente leitura. Ofereçam uma rosa vermelha, e deixem-se de lamechices e palavras reditas. Olhem directamente nos olhos, com um sorriso, e todas as palavras do mundo serão vãs.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

o próximo passo rumo à civilização

Entre 20 a 40 anos (conforme o país que tomemos como referência) foi quanto tempo levámos a sintonizarmo-nos (na questão da Interrupção Voluntária da Gravidez) com a civilização europeia, ocidental, livre e laica. Quantos anos vamos levar até entrarmos no mesmo comprimento de onda da Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Islândia, Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, etc... Vinte anos (tomando por referência a Dinamarca) já passaram. Temos que esperar mais vinte? Gostamos muito de andar na cauda da civilização, para onde, aparentemente, avançamos não por vontade, mas por arrastão... Assim continuamos, atrasados, atávicos, mesquinhos, ao lado da Polónia, da intolerância, do Vaticano, da Inquisição...
(imagem retirada do blog Random Precision; clique nela para aumentar)

o carácter não vinculativo do referendo

Antes de mais, leia este post, no blog A Destreza das Dúvidas. Andam por aí alguns defensores do Não, entredentes, a medo, periclitantemente, como miúdos que tiveram uma ideia que acham brilhante, a querer realçar o carácter não vinculativo do referendo. É óbvio que o referendo não foi vinculativo, em termos legais; o que quer dizer que não obriga o Parlamento a mudar a lei. Não quer dizer que o impede de a mudar. Ou queriam que dois resultados diferentes (o de 1998, em que ganhou o Não, e o de 2007, em que ganhou o SIM, o primeiro com escassa vantagem, o segundo com larga margem de avanço) produzissem exactamente o mesmo efeito: a manutenção da lei!?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

A Nau Catrineta


Lá vem a nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora, senhores,
Uma história de pasmar.
Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não poderam tragar.
Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.
- "Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal."
- "Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar."
- "Acima, acima, gajeiro,
Acima, ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal."
- "Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal.
Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar."
- "Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar."
- "A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar."
- "Dar-te-ei tanto dinheiro,
Que o não possas contar."
- "Não quero o vosso dinheiro,
Pois vos custou a ganhar."
- "Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual."
- "Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar."
- "Dar-te-ei a nau Catrineta,
Para nela navegar."
- "Não quero a nau Catrineta,
Que a não sei governar."
- "Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíssaras te hei-de dar?"
- "Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar."
- "Renego de ti, demónio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar."
Tomou-o um anjo nos braços,
Não o deixou afogar.
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.

Retirado do Romanceiro, de Almeida Garrett. Este post é dedicado ao José Sargento e ao seu avô.

espreitadelas aos blogs

Daedalus anuncia a entrada na modernidade, salientando aquilo que ainda é preciso fazer, quando alguns já falam de Pós-Modernismo. O Coroas de Pinho dá as boas vindas ao século XXI, e o Sim no Referendo dá vivas à dissolução dos costumes, embora haja ainda muitos costumes para dissolver. Uma tal de Mafalda diz que venceu a cultura da morte: tem razão, mas não foi ela que a venceu. O Sim venceu a cultura que permitia que em pleno século XXI, ainda morressem mulheres em vãos de escada... Jorge Nande mostra a imagem do dia (de ontem, aquela que serve de enfeite a este post) e Daniel Oliveira fala daqueles que sobem, e daqueles que desceram; será que é desta que a igreja é colocada no seu lugar? Do Portugal Profundo vêm ecos dos resultados finais (de 1998, e de 2007), analisando-os. Henrique Fialho publica o 56º post sobre a IVG, declarando que é o último. O Musicólogo agradece aos Portugueses. N' O Farol das Artes, vê-se a imagem de um Portugal dividido. Para lá de Bagdade diz-se que não se gosta dos referendos. Eu também não (SIM, fui votar); e pelos resultados da abstenção, não me parece que haja muitos Portugueses que gostem... Keep it Simple, apela o Renas e Veados. Para descomprimir, leia esta cantiga de maldizer.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Faz também a tua lista, com os dois critérios: 1) livros que já leste; 2) um livro por autor.

SIM!!!

Tal como afirmava às 20:00, antes de sairem as projecções, extrapolando (de modo não científico) os resultados da minha Freguesia!

resultados eleitorais referendo - Freguesia de Sorval,

Eis os Resultados finais da minha Freguesia: Eleitores - 109 Votantes - 51 Abstenção - 53,2% Sim - 39,2% (20 votos) Não - 60,8% (31 votos) Nulos e/ou Brancos - 0

Tendo em consideração estes resultados; e tomando em conta a cultura local, estou tentado a afirmar que a vitória do SIM é muito provável. A ver vamos...

primeira foto da sessão de lançamento. em breve: sessão de apresentação no Porto

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

dia 11 de Fevereiro

101 livros

Nos últimos tempos tenho-me deparado, por diversas vezes, com listas de livros, filmes, álbuns... Os melhores de sempre, os melhores do último século, os melhores autores portugueses, etc. Assim, aqui deixo a minha lista de 101 livros [dois critérios na elaboração: livros que já li; apenas um livro por autor, para que a lista seja mais diversificada. A ordem é aleatória] que considero imprescindíveis:

1- Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
2- Poesia, Álvaro de Campos
3- A Confissão de Lúcio, Mário de Sá-Carneiro
4- A Reliquia, Eça de Queiroz
5- O Terceiro Homem, Graham Greene
6- As Pupilas do Sr. Reitor, Julio Dinis
7- manhã submersa, Vergílio Ferreira
8- Diário, Anne Frank
9- Hamlet, William Shakespeare
10- O Principezinho, Antoine de Saint Exupéry
11- O Banquete, Platão
12- Édipo Rei, Sófocles
13- As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift
14- Contos, Franz Kafka
15- Contos, Oscar Wilde
16- Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
17- Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
18- O Barão Trepador, Italo Calvino
19- Dom Casmurro, Machado de Assis
20- Trópico de Capricórnio, Henry Miller
21- Lolita, Vladimir Nabokov
22- A Cidade e o Pilar, Gore Vidal
23- Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, Sigmund Freud
24- Harry Potter, J. K. Rowling
25- A Honra Perdida de Katharina Blum, Heinrich Boll
26- A Ilha do Tesouro, Robert Louis Stevenson
27- A Terceira Rosa, Manuel Alegre
28- As Aventuras de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle
29- A Sangue Frio, Truman Capote
30- As Aranhas Douradas, Rex Stout
31- A Clínica do Terror, Mary H. Clark
32- Crime no Expresso do Oriente, Agatha Christie
33- O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien
34- Sinais de Fogo, Jorge de Sena
35- Grandes Esperanças, Charles Dickens
36- A Casa dos Espíritos, Isabel Allende
37- O Anticristo, Friedrich Nietzsche
38- As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain
39- Capitães da Areia, Jorge Amado
40- O Nosso Jogo, John Le Carré
41- Os Cadernos de Dom Rigoberto, Mário Vargas Llosa
42- Folhas de Erva, Walt Whitman
43- O Nome da Rosa, Umberto Eco
44- O Velho e o Mar, Ernest Hemingway
45- As Vinhas da Ira, John Steinbeck
46- Maurice, Edward Morgan Forster
47- 1984, George Orwell
48- A Peste, Albert Camus
49- Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas
50- Morte em Veneza, Thomas Mann
51- O Amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence
52- Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham
53- A Criação do Mundo, Miguel Torga
54- Coral, Sophia de Mello Breyner Andresen
55- A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, Júlio Verne
56- Retrato do Artista quando Jovem Cão, Dylan Thomas
57- Retrato do Artista quando Jovem, James Joyce
58- Um, Ninguém e Cem Mil, Luigi Pirandello
59- Confesso que Vivi, Pablo Neruda
60- Dom Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes
61- Spleen de Paris, Charles Baudelaire
62- O Outono em Pequim, Boris Vian
63- O Matricídio, Géza Csáth
64- Confissões de uma Máscara, Yukio Mishima
65- Uma Vida Violenta, Pier Paolo Pasolini
66- Contos, Edgar Allan Pöe
67- A Vida Privada de um Rapaz, Edmund White
68- Pena Capital, Mário Cesariny
69- O Ser e o Nada, Jean-Paul Sartre
70- Morte a Crédito, Louis Ferdinand Céline
71- Queer, William Burroughs
72- O Perfume, Patrick Suskind
73- Mulheres, Charles Bukowsky
74- Ivanhoe, Walter Scott
75- As Mil e Uma Noites, autor desconhecido (trad. Antoine Galland)
76- Tom Jones, Henry Fielding
77- O Romance da Raposa, Aquilino Ribeiro
78- Quando Hitler me Roubou o Coelho Cor-de-Rosa, Judith Kerr
79- No Reino da Dinamarca, Alexandre O´Neill
80- Os Possessos, Fiódor Dostoievsky
81- Anne Karenine, Leo Tolstoi
82- O Talentoso Mr. Ripley, Patrícia Highsmith
83- O Chão que Ela Pisa, Salman Rushdie
84- República dos Corvos, José Cardoso Pires
85- O Deus das Moscas, William Golding
86- O Som e a Fúria, William Faulkner
87- O Jovem Törless, Robert Musil
88- As Anotações de Malte Laurids Brigge, Rainer Maria Rilke
89- A Casa das Belas Adormecidas, Yasunary Kawabata
90- O Amor é Fodido, Miguel Esteves Cardoso
91- Os Miseráveis, Victor Hugo
92- O Homem Invisível, H. G. Wells
93- O Livro da Selva, Rudyard Kipling
94- The Forsyte Saga, John Galsworthy
95- A Lua e as Fogueiras, Cesare Pavese
96- Ficções, Jorge Luis Borges
97- A Lição de Alemão, Siegfried Lenz
98- Mafalda, Quino
99- Clavin & Hobbes, Bill Watterson
100- Contos, Hoffmann
101- Ilusões Perdidas, Honoré de Balzac

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

conferência de imprensa. Vital Moreira

mensagem da Associação Cívica República e Laicidade

Recebi esta mensagem, que reencaminhei e aqui publico. Faça o mesmo, por uma sociedade secular, laica e livre.
Face às posições publica e notoriamente assumidas por algumas confissões religiosas portuguesas -- e, designadamente, pela Igreja Católica -- perante a questão que será objecto do próximo referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, a associação cívica República e Laicidade (R&L) levantou, oportunamente, junto da Comissão nacional de Eleições (CNE), a questão da eventual existência de símbolos religiosos em instalações (escolas, autarquias, salões paroquiais, etc.) onde serão instaladas assembleias de voto para aquela consulta popular. Essa questão afigura-se bastante relevante -- como alguns estudos realizados nos EUA expressivamente comprovam -- e, assim sendo, em estrito respeito pela Lei Orgânica do Regime de Referendo, a CNE deliberou recomendar às câmaras municipais e juntas de freguesia que não coloquem mesas de voto em locais onde existam outros símbolos para além daqueles ligados à República. Conhecedores deste país em que vivemos, não imaginamos que tal recomendação da CNE seja cabal e integralmente seguida em toda a parte e que, em conformidade com a Lei, todas as assembleias de voto do próximo referendo venham a estar isentas de símbolos religiosos. Para reagir a essa eventualidade, a associação República e Laicidade (R&L) coloca à disposição dos interessados um modelo de documento de participação dos factos considerados irregulares, documento esse que, devidamente preenchido e assinado (em duplicado, para guardar recibo), deverá ser apresentado aos presidentes das mesas de voto em causa, durante o período em que esteja a decorrer o próprio acto de sufrágio. Ver detalhes da notícia aqui: http://www.laicidade.org/2007/02/05/e-se-houver-simbolos-religiosos-na-assembleia-de-voto/ Saudações republicanas e laicas

sábado, 3 de fevereiro de 2007

noticía funesta

A senhora que está neste cartaz morreu hoje. Não sei que idade tinha, não sei onde nasceu, sei que morreu na cama de um hospital, mas não sei qual. São assim, as noticías funestas, correm depressa, e consigo trazem apenas os detalhes funestos...

recebi este e-mail, que aqui publico

à atenção de André Benjamim, Caro/a amigo/a, O voto, tal como muito bem o entende o sistema democrático da República Portuguesa, é individual e secreto; e é assim que a posição tomada por cada cidadão, em qualquer sufrágio, pode ficar completamente desconhecida dos demais e assim permanecer definitivamente, se essa for a sua vontade. Com a chamada intenção de voto tudo se passa do mesmo modo e ninguém pode ser forçado a desvendá-la a quem quer que seja, sob que pretexto for. No momento actual, afigura-se-me contudo importante tornar público que a minha intenção de voto para o próximo referendo vai claramente no sentido da resposta favorável à questão que aí nos vai ser perguntada, nos exactos temos em que ela será formulada, ou seja, à interpelação "concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" assinalarei, sem qualquer hesitação, a resposta «sim» ! Das muitas razões que eu poderia aduzir em abono daquela minha posição deixo aqui apenas dois, por se terem tornado fáceis de ilustrar: (1) a manifesta inoperância da actual legislação que regula a IVG, leia-se a sua completa desarticulação com a sensibilidade e a vivência da actual sociedade portuguesa; (2) os altos riscos que acarreta a interrupção voluntária da gravidez quando, por força da clandestinidade a que está legalmente obrigada, é feita em condições precárias e envolvendo grandes riscos. O primeiro argumento foi excelentemente ilustrado na charla (do «Gato Fedorento») que se pode ver/ouvir aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Rf-9SqZ6V80 O segundo mereceu a notável e dramática ilustração (realização de Joana Seixas) que se pode encontrar aqui:

No próximo dia 11, de acordo com a minha consciência livre, vou votar pela liberdade de consciência dos meus concidadãos. Aqui, deixo o meu apelo para que, nesse mesmo dia, faça como eu e vote de acordo com a sua consciência. Saudações do Luis Mateus

sem comentários 2

«A mulher que aborta ou é fútil ou é adultera.» Rita Ferro

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

sem comentários

«Uma mulher violada não deve ser obrigada a educar aquele filho. Mas matar aquela criança só porque a sua origem não é a desejada não é uma coisa aceitável. A adopção é a solução razoável.» João César das Neves, mandatário do Movimento Diz que Não, TSF, 31 de Janeiro.
Se é para isto que o Estado financia as IPSS, talvez seja chegada a altura de o Estado deixar de se demitir das suas responsabilidades, e criar uma rede de instituições de solidariedade públicas (laicas e apartidárias). Instituições como a Igreja, passam a imagem de andar a fazer caridade (conceito, diga-se, horripilante), e ficam bem vistas socialmente; mas no fundo não fazem caridade nenhuma: vivem dos fundos do Estado, que sugam ao máximo, para se banquetearem a si mesmas, e não para realmente servirem os utentes, que são apenas um peão indispensável neste jogo sujo...

sinais

imagem retirada do blog 2+2=5, da autoria de Maturino Galvão.
imagem retirado do blog SIM no Referendo
Um dos repetidos, falsos e sensacionalistas argumentos para votar "não", é o argumento que a despenalização do aborto conduzirá a um aumento do número de abortos praticados. Dizem os profetas do "não" que isso será inevitável, com tanta certeza e convicção, que se com tamanha certeza e convicção dissessem a chave do próximo sorteio do Euromilhões, eu correria a jogar nessa chave. Quando falam, parece que tem o dom da ubiquidade. Eles são omnicientes. Sabem o passado, o presente, o futuro, e estão em todos ao mesmo tempo, e em todo o lado. Têm, dizem eles, as estatísticas do seu lado (como se pode ver na tabela é mentira); além demais, eles sabem o número de abortos praticados anualmente em Portugal: sim, porque as mulheres que abortam, clandestinamente, em condições desumanas de insegurança e falta de higiene, vão a correr dizer-lhes! Sim! O número de abortos praticados por ano em Portugal é extremamente fiável. Mas, convenhamos, o "receio" que os defensores do "não" têm de que o número de abortos aumente em Portugal, tem que ver com aqueles que deixarão de ser praticados em Espanha e Inglaterra. Aliás, assim o aumento que se verifica no Reino Unido (ver tabela acima) deixará de se verificar...