quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Um jornalista italiano foi ao confessionário, inquirindo diversos padres sobre temas como a eutanásia, a homossexualidade, a reprodução medicamente assistida, o HIV e o preservativo, e o aborto. Os conselhos dos padres são diversos, recomendando, por exemplo, a continuação discreta de casos homossexuais, ou a prática de sexo sem preservativo mesmo sabendo estar infectado pelo HIV. Entretanto, «L'Osservatore romano», classificou como um «ultraje ao sentimento religioso» a reportagem publicada na revista italiana «L'Espresso» com as respostas de sacerdotes a estas falsas confissões. Pois, não será antes um ultraje à sociedade, conselhos como a prática de sexo sem preservativo, mesmo sabendo-se infectado com o HIV?

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

bem dito!

"O que há de insuportável neste debate [sobre o aborto] é a hipocrisia com que se defende a vida e se ignora a realidade social, o sofrimento, a discriminação." Teresa de Sousa, PÚBLICO, 30-01-2007

12 razões, por Vital Moreira

Podem ler, no blog de Vital Moreira, Aba da Causa, as doze razões para votar SIM no referendo, publicadas no jornal Público, na Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007.

actualização

Na barra lateral foi adicionado o link para o blog Sim no Referendo.

Gato Fedorento - A Sim Não

 

14 razões para votar SIM

Porque somos cidadãs e cidadãos responsáveis e comprometidos/as com a defesa dos direitos humanos e queremos intervir neste debate não como eleitoras/es de um ou outro partido político, ou mesmo sem partido, mas antes como pessoas conscientes dos seus deveres e direitos cívicos. [1]
Porque está em causa o respeito pela dignidade, autonomia e consciência individual de cada pessoa e pelos princípios da igualdade e da não discriminação entre mulheres e homens. [2]
Porque somos a favor de uma maternidade e paternidade plenamente assumidas e responsáveis antes e depois do nascimento. [3]
Porque o direito à maternidade consciente e à saúde reprodutiva são direitos fundamentais. [4]
Porque as mulheres, como os homens, têm direito à reserva da intimidade da vida privada e familiar. [5]
Porque somos a favor da vida em todas as suas dimensões. [6]
Porque é um elemento essencial do Estado de direito o princípio da separação entre a Igreja Católica ou qualquer outra confissão religiosa e o Estado. [7]
Porque o que está em causa não é o 'direito ao aborto', nem ‘ser a favor do aborto’, mas antes o respeito pelas mulheres que decidem interromper uma gravidez até às 10 semanas, por, em consciência, não se sentirem em condições para assumir uma maternidade. [8]
Porque a penalização do aborto dá origem à interrupção voluntária da gravidez em situação ilegal e insegura, o que tem consequências gravosas para a saúde física e psicológica das mulheres que a ela recorrem. [9]
Porque uma lei penal ineficaz e injusta é uma lei constitucionalmente ilegítima. [10]
Porque consideramos que a sujeição das mulheres a processos de investigação, acusação e julgamento pelo facto de fazerem um aborto atenta contra os valores da sua autonomia e dignidade enquanto pessoas humanas. [11]
Porque nenhuma proposta de suspensão do processo liberta as mulheres da perseguição policial e judicial que antecede o julgamento, envolvendo sempre uma devassa da sua vida privada, e deixando a pairar necessariamente sobre elas uma ameaça de sanção que pode vir a concretizar-se no futuro. [12]
Porque a proibição do aborto dá origem à gravidez forçada o que se traduz em violência institucional. [13]
Porque uma lei que despenalize o aborto não obriga nenhuma mulher a abortar. [14]
VAMOS VOTAR SIM NO PRÓXIMO REFERENDO.

Crescei e Multiplicai-vos

Excelente post, no blog Coroas de Pinho, sobre o argumento - dos defensores do Não - que, caso o SIM ganhe, isso irá conduzir a uma diminuição da taxa de natalidade. Deixo um pequeno excerto do post que podem ler na integra no blog referido:
(...) a consequência lógica a retirar é que a gravidez forçada é um método aceitável para o aumento da natalidade. Deduz-se do que dizem os defensores do «Não» que o Estado tem o direito de obrigar as mulheres a terem crianças para o bem do país, sob pena de serem presas, julgadas e condenadas se abortarem no início do período de gestação...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

ironia...

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco


...encontrar a imagem sensual de uma bela loura, quase despida, quase nua, quase real, a ilustrar este poema de Mário Cesariny...

sábado, 27 de janeiro de 2007

adopção homossexual

A igreja bufa, faz moafas, diz-se vitíma. Ainda bem para ela. Que bufe à vontade. A sociedade tem que evoluir, tem que avançar. É o que a sociedade inglesa está a fazer, e bem. A igreja? Apetece perguntar: quem tem medo do lobo mau? A Inquisição acabou, embora ainda restem alguns antros com esses vícios pelo mundo fora, e bastantes cabeças infestadas com esse vírus... (1) (2)

um conselho que todos deviam seguir

"Não queirais que o mundo viva à vossa moda; vivei vós à vossa"
As Mil e Uma Noites

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

ao que isto chega...

Parece que a Virgem voltou a conceber, pela sexta(?) vez. Além dos cinco filhos, que teve há cerca de 2000 anos, esta velha senhora apareceu grávida aos fiéis de Pataias. Haja milagres!
“Se é para pôr uma barriga de grávida na imagem da nossa padroeira, não acho bem", disse uma senhora de idade e meia.
- O melhor será que a padroeira aborte!... - digo eu.

quadra popular 6

Dei um tiro ao Jafo, Mas o Jafo não morreu, Ainda agora me estou rindo Das voltas que o Jafo deu

quadra popular 5

Há amoreiras que dão amoras Há outras que o não dão Há amores que são fiéis Há outros que o não são

quadra popular 4

O meu amor é de nó E o teu é de lançada O meu dura toda a vida E o teu logo se acaba

petição pela acessibilidade electrónica portuguesa

Assine a petição pela acessibilidade electrónica portuguesa!

Para assinar a petição clique aqui: http://www.lerparaver.com/acessibilidade

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

pela liberdade de expressão; pelo direito a rir

Sube, através do blog Diário Ateísta, que o director do semanário marroquino Nichane, e o responsável por um dossier de anedotas, foram condenados a três anos de prisão (suspensa) e a uma multa de 80 000 dirhams (7 200 euros) por «atentar contra a religião islâmica» e por «publicação e distribuição de escritos contrários à moral».
A Associação República e Laicidade participa numa campanha de solidariedade para com os jornalistas, que lutam pela liberdade de expressão, contra a censura, e pelo direito a rir de tudo, incluindo o Islão e o rei de Marrocos. Pode-se assinar uma petição electrónica de solidariedade, ou escrever uma carta ao embaixador de Marrocos em Portugal.

Pinhel - Feira das Tradições

Pinhel - Feira das Tradições - Programa

Clique na imagem para ampliar.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

síndrome monárquico-religioso

A República Polaca quer "eleger" Jesus Cristo para o cargo de Rei, ocupando assim o cargo ao lado de sua mãe, Virgem Maria, que reina há 350 anos.
A piedosa decisão parlamentar transforma a Polónia numa república para lamentar. Aquilo não é um País, é um santuário; não é uma república é um sucursal do Vaticano; as pessoas não vivem de pé, viajam de joelhos; os deputados não legislam, rezam; não procuram resolver os problemas do país, procuram a salvação da alma.
(...)
Ter à frente do país um pregador de feiras e mercados, morto há dois mil anos e pregado num sinal mais, não é fruto de uma eleição é o resultado de uma alucinação. Não é um caso político é um problema de psiquiatria.
(...)
Pode ler este post completo no Diário Ateísta.

marcelo faz campanha pelo incomprimento das leis

É aquilo que depreendo das palavras de alguém que defende, em simultâneo, a manutenção de uma lei que criminaliza as mulheres, e a não penalização das mesmas.
Quem quiser saber mais, procure o vídeo no YouTube, que eu recuso-me a publicá-lo aqui.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

a compra

Hoje fiz a minha maior compra de livros, de uma só vez, por 150€. A vermelho, o livros que já tinha: não se vendiam em separado. Eis a lista:

Ana Karenine, Leo Tolstoi;
D. Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes;
Ivanhoe, Walter Scott;
Madame Bovary; e Salammbô, Gustave Flaubert;
Os Maias, Eça de Queiroz;
Lendas e Narrativas, Alexandre Herculano;
Nossa Senhora de Paris, Victor Hugo;
As Mil e Uma Noites, Antoine Galland (tradutor);
Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas;
O Idiota, Fiódor Dostoiévski;
Quo Vadis?, Henryk Sienkiewicz;
Ilusões Perdidas, Honoré de Balzac;
Viagens na Minha Terra; e Romanceiro, Almeida Garrett;
Contos, Hoffmann;
A Cartuxa de Parma, Stendhal;
Germinal, Émile Zola;
O Fantasma de Canterville, Oscar Wilde;
Contos, Edgar Allan Pöe;
Fausto, J. W. Von Goethe;
David Copperfield, Charles Dickens;
Tom Jones, Henry Fielding;
Moby Dick, Herman Melville;
Amor de Perdição; e Livro Negro de Padre Dinis, Camilo Castelo Branco;
Contos de Cantuária, Geoffrey Chaucer;
Céu em Fogo; e A Confissão de Lúcio, Mário de Sá-Carneiro;
Romeu e Julieta; Hamlet; e Macbeth, William Shakespeare;
Aventuras do Brigadeiro Gérard, Arthur Conan Doyle;
A Divina Comédia, Dante Alighieri;
O Moinho à Beira do Rio, George Eliot;
Viagem ao Centro da Terra; e Da Terra à Lua, Julio Verne.

novo blog

O António Santos criou um blog, onde publica os cartoons da sua autoria. Quem visita este blog, ou o Pissarolim, já teve oportunidade de ver algumas das suas criações. Agora poderá visitar o blog do próprio autor, em http://cartoonices.wordpress.com/.

domingo, 21 de janeiro de 2007

as hipocrisias do não

Se o aborto é uma questão de consciência, como afirmam muitos dos defensores do Não, icar incluída, então porque razão querem impor uma consciência?
Se querem que, em vez da despenalização do aborto, se criem condições para que "todas as mulheres possam ter os seus filhos", em que é que a despenalização do aborto impede a criação dessas condições?
Se não querem que as mulheres sejam penalizadas, porque querem manter uma lei que as penaliza?
Talvez haja muita gente que fica a perder, milhões, com o fim das clínicas clandestinas, sem condições mínimas, e com preços máximos...
Talvez haja muita gente para quem este referendo não seja uma questão de racionalidade e lógica, mas apenas uma luta partidária...
hipocrisia, (do grego hypocrisia, forma poética de hypócrisis, desempenho de um papel no teatro, dissimulação), substantivo feminino, Impostura, fingimento; manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente se não têm.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

uma história como outra qualquer

Maria Eugénia, chamemos-lhe assim, para não termos que lhe dar outro nome, que este não é o seu, o do registo civil, tem agora 46 anos de idade. Teve o primeiro filho já tarde, numa época em que era habitual terem-se mais cedo, aos 26 anos. Casou com um rapaz licenciado, ou doutor, como lhes chamavam, àqueles que antes tinham o futuro garantido, e agora garantido só tem o desemprego. Sem outras palavras, sempre teve uma boa vida. Escolheu o rapaz certo, disseram-lhe os pais. E para os sogros ela era isso mesmo: a rapariga certa.
Feita que está a apresentação desta personagem, que aqui, nestas linha o é, nada mais que isso, continuemos com esta pequena narrativa. Depois do primeiro filho, mais três viriam. Dois rapazes e duas raparigas, no total. Encontrei-a há domingos atrás, toda aperaltada, devia ter saído da missa, com uns papéis na mão, facto que estranhei, mas a que não liguei importância. Chamando-me, fingi não ouvir. Insistiu, não quis ser rude. Fui ao seu encontro. Atacou cerce:
- Não quer assinar aqui? É para um movimento pelo Não... - Pelo Não?, pensei.
Como pelo não? - Fluiu-me o pensamento. Ora, é do conhecimento tácito daqueles que privam com ela, que abortou não uma, mas duas vezes. Ou as subitas férias a meio de Janeiro, que há cinco anos foi passar a Espanha, e a barriga subitamente menos farta com que regressou, foram para quê?
- Não, disse-lhe, não quero assinar; e nem que quisesse, pois já assinei por um movimento... Pelo Sim! - Olhou-me desanimada.
Despedimo-nos com um cumprimento seco.
Não haja ilusões, quem vota Não, não são tanto aqueles que não suportam a liberdade dos outros, são também aqueles que não convivem bem com a sua.
Ou a ida a Espanha foi a um nutricionista?
 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

surgias e partias como um ténue sonho
um aroma uma brisa uma palavra alada
dizias palavras delicadas imperceptíveis
notas murmuradas como se contivessem
segredos bem guardados envergonhados
escondidos na algibeira vazia rasgada
onde guardavas a flauta e partias

ias e vinhas como as notas da tua flauta
tocando com ternura e delicadeza a melodia
com que me aconchegavas nas noites frias
soprando segredos que escorriam suaves
pelo meu rosto como gotas de orvalho
até que um dia não voltaste e aquela melodia
tornou-se numa memória triste que persiste



ias e vinhas até que um dia partiste
guardando para sempre a velha flauta
na algibeira vazia, apertaste o sobretudo
e partiste indiferente ao meu pedido:

– toca uma vez mais aquela melodia triste

da flauta saíam notas aladas que depois de tocadas
voltavam à pauta como se fossem segredos
eram palavras delicadas que eram murmuradas
enquanto trauteavas a tua melodia ao meu ouvido
nas tardes quentes de verão
o teu rosto alabastrino
tornava-se num doce rubi
despias a roupa suada
e eu pedia-te para vires
deitar-te a meu lado

tu dizias que era errado
e eu calava-me até pedires
com indiferença fingida
para te entregar os lábios
para te depositar na testa
um beijo de reconciliação

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

quero partir e chegar
ao mesmo lugar
o de partida quero esperar
com saudades ao chegar
o de chegada quero desejar
sem nunca o alcançar
entre um e outro, sonhar
com o que desejo encontrar
o que perdi e o que teria
o que amei e o que amaria

sábado, 6 de janeiro de 2007

a amor é tão perfeito
que só tem um defeito
por mais que abrace ao peito
quem me pôs o coração desfeito

e lhe diga com todo o amor
- nós somos um só, meu amor
continuaremos a ser dois
e podemo-nos separar depois

The Vatican Goes Wilde

Todo o impulso que esforçadamente asfixiamos fica a fermentar no nosso espírito, e envenena-nos.


Ceder a uma tentação é a única maneira de nos libertar-mos dela.
OSCAR WILDE, O Retrato de Dorian Gray


O Vaticano enlouqueceu? Saiu do armário? Ou, como sempre, tenta passar em branco sobre o seu passado (e presente) negro?

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

desejo

queria escrever um verso
límpido claro transparente
como o reflexo da luz
numa lágrima cristalina
a descer pelo teu rosto

queria dizer um verso
forte robusto dilacerante
que cingisse as palavras
num voluptuoso amplexo
e te arrebatasse um beijo

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Agora, que os dias se acumularam
e ergueram, entre nós, este muro
(este silêncio) que nos rodeia
que nos resta? Para dizer
ao Outro que, atento, nos ouvia

As palavras perderam. O significado
entre elas, e o que representam
um enorme abismo. Foi cavado,
entre nós, com as mãos e o suor
que este muro (este silêncio) deixaram

No Tempo do Colégio

(dedicado ao Marco José Lobão Paula)


No tempo do colégio, dizíamos
com crueldade, das freiras,
que caminhavam aos pares,
cabisbaixas, cochichando
que um amante as abandonara, ou
um noivo da terra as deixara
prostradas frente ao altar.

A euforia da vida latejava-nos
nos pulsos. Entrelaçada nas mãos
estava a inocência. Ainda
não tínhamos a grande dor
das desilusões, que viriam depois,
nem sabíamos das contradições, da vida.

Mas isso era no tempo
em que a vida não tinha
obstáculos. Em que a existência
caminhava, inconsciente e livre.
No tempo em que teríamos
uma casa confortável
nos subúrbios, e viveríamos
felizes para sempre, como
nas histórias de encantar

Não tínhamos, ainda, gozado
as experiências, ingénuas, do sexo
nem suportado, o tédio
as noites pejadas de desejo

Tínhamos a paz, de quem se deitava
e calmamente, adormecia
para quem, entre o deitar e o erguer havia
apenas o sonho. Porém, a vida se interpôs

Não tínhamos, ainda, vivido
o primeiro amor, aquele que
ansiosamente esperámos. Aquele que
desperdicámos. Aquele que
Para sempre, nos podia ter salvado.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

O tempo seca a saudade
Seca as lembranças e as lágrimas
Deixa algum retrato, apenas,
Vagando seco e vazio
Como estas conchas das praias.

CECÍLIA MEIRELES

PENA SUSPENSA

Abre as páginas, vá, não tenhas medo.
Nelas encontrarás unicamente
palavras
e, por mais que procures, a tua vida
já não respira ali - todo esse lume
que um dia te queimou agora é cinza
pouco a pouco mais fria enquanto o fim da tarde
cai sobre o mar que ainda te seduz.
Folheia essas memórias, sim, mas nunca te esqueças
que livros "são papéis pintados com tinta"
e que tudo o que amaste, o gozo, a dor, pessoas ou lugares outrora irresistíveis,
são hoje silhuetas abstractas,
perfis que sepultaste para sempre
sob o peso de tantas palavras

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

o inevitável

não atrases
o inevitável
é da sua natureza acontecer
a paixão, o amor, a morte
são dores
que terás que suportar
entrega-te nos seus braços
eu abrirei os meus
para te receber

Parabéns

Ao Blog Da Literatura, pelos dois anos de vida.

Segundo Soneto da Morte

Este longo cansaço irá ser grande um dia
e a alma dirá ao corpo que não quer
arrastar o seu peso ao longo desta via
por onde os homens vão, felizes por viver.

Sentirás que ao teu lado cavam brutalmente,
que outro hóspede chega à serena cidade.
Vou esperar que alguém me cubra completamente
e depois falaremos uma eternidade!

Só então saberás porque é que, ainda imaturo,
para as profundas fossas o teu corpo iria
aí dormir tranquilo, aí permanecer.

E então far-se-á luz no campanário escuro.
Saberás que entre nós sinais de astros havia
e que, quebrado o pacto, tinhas de morrer.


GABRIELA MISTRAL, Antologia Poética (Teorema)