terça-feira, 27 de novembro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #44

[ilegível] e eu desespero por alguém - que por certo, que injustamente - que já não é ninguém, como o não sou eu - por isso - também...

A poesia, bengala de palavras, é que me vai mantendo em pé, mas aquilo que até agora ruia dentro de mim, começa a ruir sobre mim. As minhas forças, anímicas e físicas, são já poucas. E eu vejo-me morrer, como se morresse a cada momento em que a sua imagem se dissolve da minha memória. A poesia é o grito de dor - dos gritos que não tenho forças para dar.

Desejo a vida - a vida real que não sei viver; a vida que imagino e não consigo criar; e não esta que sonho, e a sonhar pareço viver...

26 de [ilegível] de 1993 (ou talvez 1998)


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