sábado, 13 de outubro de 2007

quebra o padrão

Assim que é iniciado o processo de produção, cada um de nós, produtos sociais, padronizados e manipulados, seguimos por um extenso tapete rolante, ao qual insistimos em chamar de “nossa” vida, passando por várias etapas as quais vão controlando e garantido o certificado de qualidade até ao ponto de juízo crucial que decide por fim o estatuto de produto em que nos tornamos, com o rótulo correspondente e com o derradeiro carimbo de validade.” Perante uma sociedade ocidental, desde cedo que começamos a cumprir padrões estabelecidos por ela própria. Com uma fé maioritariamente cristã, logo à nascença se é provado a purificação católica que trará acesso a novas portas, só abertas no tal sentido. Cumprimos vinte anos de análise através de critérios apertados pelo o que eu chamo de “filtros sociais” para finalmente podermos dar inicio à fase mais requintada e mais madura da “nossa” existência. ”Filtros sociais” o sinónimo para a “escola” e todo o processo de aprendizagem que após batalharmos ano após ano sem nexo nenhum e inseguros sobre cada passo que damos saberemos no fim qual será o estatuto e orgulho que nos é reservado perante a pirâmide social. Se completarmos com sucesso, ao nosso nome próprio irá automaticamente anexar-se um sufixo como Doutor ou Engenheiro que trará consigo uma respeitabilidade inabalável. Caso contrário, além de não recebermos um qualquer sufixo de consolação teremos também direito a uma completa “varredela” para debaixo da pirâmide, independentemente da pessoa que somos ou do talento que temos. É a partir daqui que tudo se encaminha da forma mais adequada à condição que temos, e cada vez mais objectivos a atingir são impostos no caminho. Com o início da vida independente e com toda a envolvente bem disposta ao redor, os primeiros padrões a serem cumpridos na autonomia serão um carro, um namoro e uma escravatura laboral ao qual chamam com todo o gosto de “o meu emprego”. Uma vez tudo enraizado, o tempo urge para selar o dito “matrimónio” que muitas das vezes é a palavra fachada para junção de património! E é com juras de amor eterno até que a morte (ou uma traição) os separe, que se estreia a “vida de casados”, e como quem casa, não quer casa mas tem que ter uma, junta-se o enxoval entra-se na rotina adorada, até dar à luz mais um produto social, e enquanto se o vê a cumprir cada padrão conforme o estipulado resta ficar numa luta mental com a data que o carimbo determinou. ”Somos produtos, meros produtos sociais que muitas das vezes deixamos de lado a bênção que nos foi concedida para nos agarrarmos a um costume, religião ou padrão só para que sejamos sempre bem vistos aos olhos do resto de uma sociedade que nos torna em marionetas sociais e nos aprisiona o nosso verdadeiro ser.”
título e texto do meu amigo Trëk. Também podem ler o texto intitulado «Infância»

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