sábado, 8 de setembro de 2007

Toda a arte é completamente inútil*

Visto não me terem convidado, eu junto-me discretamente à discussão do momento na blogosfera (haja algo que nos afaste da novela [macabra(?)] dos McCann!) Os 10 livros que não mudaram a minha vida, uma "corrente" iniciada por manuel a. domingos. Aqui fica a minha lista:
  • Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago;
  • Os Maias, de José Maria Eça de Queiroz;
  • O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar, de Yukio Mishima;
  • Os Possessos, de Fiódor Dostoiévski;
  • Um Diabo no Paraíso, de Henry Miller;
  • O Livro da Selva, de Rudyard Kipling;
  • As Filhas de Rebeca, de Dylan Thomas;
  • Sylvie e Bruno, de Lewis Carroll;
  • Vagão «J», de Vergílio Ferreira;
  • Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen.
O mais provável é esta ser uma lista de livros que defraudaram as minhas expectativas, pois dei "prioridade" a autores de que gosto muito, e dos quais li toda, ou praticamente toda, a obra publicada (em Português, no caso dos autores estrangeiros)... *O título que escolhi para este post, é a frase com que Oscar Wilde termina o prefácio de O Retrato de Dorian Gray... Post-Scriptum: Tendo lido por aí acusações de que A ou B não gosta de literatura, porque o livro X ou Z faz parte da sua lista de escolhidos, não resisto a deixar aqui, em jeito de provocação, uma pequena citação (de Henry Fielding, in. Tom Jones): "(...) O mundo tem venerado exageradamente os críticos, imaginando-os homens de muito maior profundidade do que realmente são. Esta complacência inspirou aos críticos a audácia de assumir um poder editorial, e de tal modo foram bem sucedidos, que se tornaram agora os senhores e se atrevem a dar aos autores como suas as leis que originariamente receberam dos predecessores desses mesmos autores. O crítico, bem vistas as coisas, não passa do escriba cujo ofício é transcrever as regras e leis formuladas por esses grandes juízes que pelo seu grande génio foram alcandorados à categoria de legisladores (...)" Afirmar-se que alguém não gosta de literatura, porque o livro X ou Z não mudou a sua vida, é claramente exagerado e desproporcionado, e configura, na minha opinião, a tentativa de imposição de um cânone! Ora, um cânone é, quanto muito, uma referência, não uma regra...

1 comentário:

  1. Estaremos em igualdade de circunstâncias: ninguém me pediu a opinião, mas eu dou-a mesmo assim.
    Quando a literatura universal nos oferece milhares e milhares de obras de valor incontestável (por críticos e não críticos), considero no mínimo ocioso e meio ínvio elaborar listas de livros que NÃO... Por favor! E qual é o objectivo?...
    Quanto à «novela dos críticos», parece-me uma história com pretensões de polémica que ciclicamente desce à praça nacional, a ver se pega... Para esse peditório já dei, há muitos anos...
    Abraço! :-)

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