domingo, 1 de julho de 2007

If

Se tu podes impor a calma, quando aqueles Ques estão ao pé de ti a perdem, censurando A tua teimosia nobre de a manter. Se sabes aguardar sem ruga e sem cansaço. Privar com Reis continuando simples, E na calúnia não recorres à infâmia Para com arma igual e em fúria responder, - Mas não aparentar bondade em demasia Nem presumir de sábio ou pretender Manifestar excesso de ousadia, - Se o sonho, não fizer de ti um escravo E a luz do pensamento não andar Contigo no domínio do exagerado, Se encaras o triunfo ou a derrota Serenamente, firme, e reforçado Na coragem que é necessário ter Para ver a verdade atraiçoada, Caluniada, espezinhada, e ainda Os nossos ideais por terra, - Mas erguê-los De novo em mais profundos alicerces E proclamar com alma essa Verdade!, Se perdes tudo quanto amealhaste E voltas ao princípio sem um ai, Um lamento, uma lágrima, e sorrindo Te debruças sobre o coração Unindo outras reservas à Vontade Que quer continuar, e prosseguindo Chegar ao infinito da razão, Se a multidão te ouvir entusiasmada E a virtude ficar no seu lugar, Se amigos e inimigos não conseguem Ofender-te, e se quantos te procuram Para estar com o teu esforço não contarem Uns mais do que os outros, - olha-os por igual!, Se podes preencher esse minuto Som sessenta segundos de existência No caminho da vida percorrido Embora essa existência seja dura À força das tormentas que a consomem, Bendita a tua essência, a tua origem - O Mundo será teu, E tu serás um Homem! RUDYARD KIPLING, versão de António Botto

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