domingo, 27 de maio de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #39

No outro dia; fugi de ti... podes desculpar-me? Quando me cruzei contigo, caiu-me um pensamento defronte dos olhos, que se sentiram cansados. Pensei que seria a primeira ou a última vez que te via. Perdoa-me o absurdo da expressão. Não sei se me entendes; mas a angústia desse momento continua vincada em mim, doendo-me furiosamente. Desci as escadas e senti a tua presença. Tentei esquecer, mas não pude. Talvez não me ames; é certo que nunca me viste, nem ao menos me ouviste. Eu para ti não existo. Mas em cada olhar teu, em cada gesto, em cada palavra, eu sofro-me, não serem para mim. Quando finalmente me cruzei contigo, quando pela primeira vez me olhaste, quando fizeste um gesto que seria meu, a alegria e o desespero foram tantos, que eu não pude ficar. De resto, nem cheguei a saber se era realmente para mim que olhavas, se era para mim que dirigias o gesto com que ias juntar o meu destino ao teu; fugi!

#1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14, #15, #16, #17, #18, #19, #20, #21, #22, #23, #24, #25, #26, #27, #28, #29, #30, #31, #32, #33, #34, #35, #36, #37, #38,

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixe o seu comentário. Tentarei responder a todos. Obrigado