quarta-feira, 30 de maio de 2007

os erros ortográficos

A língua [portuguesa, neste caso] é o instrumento através do qual um dado grupo social comunica [é um conjunto de signos através do qual uma determinada mensagem é transmitida do Emissor para o Receptor, e vice-versa, i.e., o Receptor dá um feedback ao Emissor, invertendo os papéis]. Sendo que a língua é um instrumento de comunicação, o ensino do Português deve ser encarado como uma disciplina transversal, comum a todas as outras disciplinas, ensinadas no grupo onde essa língua é utilizada - o que leva a que deva ser exigido rigor linguístico em qualquer disciplina, desde a Matemática à Filosofia, da Psicologia à Biologia, etc. Avaliar a aprendizagem de uma língua às partes, não faz qualquer sentido: como é que se pode interpretar que alguém entendeu uma mensagem, se não conhece os signos, sinais e regras em que a mesma está cifrada? Esta forma de avaliar, parece-me que vai na linha política propagandista que se tem vindo a alargar a todas as esferas da governação. Está-se a trabalhar para o embelezamento das estatísticas [nacionais e internacionais], ou seja, para o aumento da quantidade das qualificações, e não para o aumento da qualidade das qualificações dos Portugueses... Mais não é que o Programa Novas Oportunidades [em vez de criarmos empregos qualificados, que estimulem os Portugueses a obter mais e melhores qualificações, damos qualificações aos Portugueses, a ver se os empregos qualificados caiem do céu], aplicado ao 4.º e 6.º anos... Vamos dar o certificado de habilitações a todos os Portugueses: passamos a ter uma taxa elevada da população com o 12.º ano, uma taxa maior de pessoas com Ensino Superior, e acabamos com o analfabetismo! Que interessa que não se saiba o que se está a ler, desde que se leia bem? Que importa que não consiguamos transmitir uma determinada ideia, porque não possuímos competências ao nível da correcta utilização dos signos (e regras que regem a utilização desses signos)? Desde que as estatísticas nos coloquem no topo... E assim, num golpe de secretaria, passamos a ter bons resultados a nível da aprendizagem do Português... É apenas o início. E a Matemática, que apresenta sempre péssimos resultados? O que custa é começar... Veremos onde isto vai parar!?...

1 comentário:

  1. Sim senhor, sr. André Benjamim, sem dúvida que o Reconhecimento e Validação de Competências acaba por ser uma forma de contornar um problema que toda a gente está consciente que existe:a baixa escolaridade que caracteriza a população portuguesa. A verdade é que tenho testemunhado o entusiasmo de várias pessoas voltarem a estudar e isso faz-me ver o lado positivo. Tenho dado umas ajudas de vez em quando e agrada-me ver que estas pessoas sentem que têm oportunidade de saber mais e que mesmo com trabalho, com filhos e uma casa para orientar fazem um esforço de outro mundo para conseguirem fazer os TPC :). Apesar de reconhecer estes pontos positivos,considero que estes programas deviam ter outro rigor, ter outra exigência e por isso concordo com a maior parte das questões que levantaste!! Acho que este programa podia ser importante desde que lhe fosse dada a importância que merece e não se centrasse unicamente em "tapar o sol com a peneira"! Beijo

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