domingo, 1 de abril de 2007

AUTOPSICOGRAFIA O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama o coração. FERNANDO PESSOA (01-04-1931)
Quando leio a obra de Fernando Pessoa (& companhia), leio-a sempre com a lupa deste poema. E por isso declaro (quiçá tremendamente enganado) que tudo o que Fernando Pessoa foi, pensou ou sentiu, viveu ou quereria ter vivido, está na sua obra. Não direi, como ele disse de Sá-Carneiro, "Mário de Sá-Carneiro não teve vida, teve só obra. O que disse foi o que viveu.", no entanto, diria, O que disse foi o que viveu, ou o que gostaria de ter vivido. Se alguma relação houver entre o homem e a obra, este poema é (na minha opinião) a chave dessa relação! Quem reparar na data em que foi escrito o poema, verá que faz hoje 76 anos...

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