terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

rascunho encontrado num caderno abandonado #7

12 de Abril de 1995 Cada livro tem um destino; aquele era o destino de algo demasiado incipiente e projectivo - talvez, se eu algum dia fosse um escritor reconhecido, talvez aquele livro que não chegou a existir fosse o delírio de críticos voyeuristas; talvez! (...) Depois continuei os meus dias, como se aquilo não tivesse sido mais que uma alucinação... Acordava, levantava-me e voltava a deitar-me como se nada tivesse acontecido. Mas o crime não se deixava derrotar... Outra manhã, um Domingo, de Setembro. Era uma tarde quente de fim de Verão. Apaixonei-me. E escrevi um poema com a declaração que não lhe podia fazer: lá estava o meu coração despedaçado. Guardei o papel com o poema algum tempo, até que o rasguei em mil pedaços: despedaçei-o para o fazer parecer-se mais com o meu coração em estilhaços... (...) Até que me apaixonei de novo. Escrevi novos poemas; cadernos inteiros. Mas era impossível. Os poemas eram maus e às vezes rimavam...

NOTA: Na realidade, estes textos que tenho vindo a publicar aqui, e que pretendo continuar, fazem parte de sete cadernos, e não um; assim, a partícula "num" no título desta série de posts, deve ser entendida como a aglutinação da preposição designativa de lugar "em", com o artigo indefinido "um", em que um são sete... Mas não posso garantir que os cadernos sejam todos do mesmo autor; eles foram encontrados numa casa abandonada. A data da última entrada é 12 de Julho de 1997...

#1, #2, #3, #4, #5, #6,

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