quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

No Tempo do Colégio

(dedicado ao Marco José Lobão Paula)


No tempo do colégio, dizíamos
com crueldade, das freiras,
que caminhavam aos pares,
cabisbaixas, cochichando
que um amante as abandonara, ou
um noivo da terra as deixara
prostradas frente ao altar.

A euforia da vida latejava-nos
nos pulsos. Entrelaçada nas mãos
estava a inocência. Ainda
não tínhamos a grande dor
das desilusões, que viriam depois,
nem sabíamos das contradições, da vida.

Mas isso era no tempo
em que a vida não tinha
obstáculos. Em que a existência
caminhava, inconsciente e livre.
No tempo em que teríamos
uma casa confortável
nos subúrbios, e viveríamos
felizes para sempre, como
nas histórias de encantar

Não tínhamos, ainda, gozado
as experiências, ingénuas, do sexo
nem suportado, o tédio
as noites pejadas de desejo

Tínhamos a paz, de quem se deitava
e calmamente, adormecia
para quem, entre o deitar e o erguer havia
apenas o sonho. Porém, a vida se interpôs

Não tínhamos, ainda, vivido
o primeiro amor, aquele que
ansiosamente esperámos. Aquele que
desperdicámos. Aquele que
Para sempre, nos podia ter salvado.

2 comentários:

  1. acredito que sim António, acredito que sim... tu sabes do que fala... Abraço

    ResponderEliminar

Deixe o seu comentário. Tentarei responder a todos. Obrigado